PT sela aliança com Laurez, lança Mourão ao Senado e põe Lula no centro da disputa no Tocantins
Convenção em Palmas oficializa o apoio petista ao candidato do PSD, confirma Paulo Mourão para o Senado e apresenta a coligação como o “Time de Lula” no estado
O Partido dos Trabalhadores oficializou sua principal aposta para as eleições de 2026 no Tocantins: colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro da campanha estadual, mesmo sem lançar candidatura própria ao Governo.
Durante convenção realizada na terça-feira (4), no auditório da Associação Tocantinense de Municípios, em Palmas, o PT e a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — homologaram o apoio a Laurez Moreira, do PSD, para o Governo do Tocantins e confirmaram Paulo Mourão como candidato ao Senado.
A chapa ainda tem o coronel Silva Neto, também do PSD, como candidato a vice-governador. A aliança reúne PT, PCdoB, PV, PSD, PDT e PSB e foi apresentada pelos organizadores como o “Time de Lula” no Tocantins.
Mais que uma formalidade partidária, a convenção mostrou a estratégia escolhida pelo PT: nacionalizar a disputa estadual, ligar Laurez ao governo federal e apresentar Mourão como o candidato capaz de estabelecer uma ponte direta entre o Tocantins e o Palácio do Planalto.
PT entrega sua estrutura a um candidato do PSD
A escolha de Laurez representa uma aliança entre partidos com trajetórias políticas diferentes. Em vez de apresentar um nome próprio ao Governo, o PT decidiu integrar uma frente mais ampla liderada pelo PSD.
Presidente do PT no Tocantins, Nile William afirmou que a eleição colocará projetos políticos distintos em confronto. Em discurso à militância, ele associou Laurez e Mourão às políticas sociais defendidas pelo governo Lula e acusou os adversários de representarem o atraso e o coronelismo.
A declaração faz parte da estratégia eleitoral do partido e não de uma avaliação independente sobre as demais candidaturas.
Ao assumir a marca de “Time de Lula”, Laurez busca conquistar o eleitorado do presidente no Tocantins. O candidato do PSD também participou, ao lado de Paulo Mourão, da convenção nacional que oficializou Lula para a disputa presidencial de 2026.
A aproximação permite que Laurez explore uma possível parceria com o governo federal em áreas como saúde, infraestrutura, educação, moradia e geração de empregos. Para o PT, a aliança garante presença na chapa majoritária e mantém Paulo Mourão na disputa por uma das duas vagas tocantinenses ao Senado.
Mourão tenta se firmar como o senador de Lula
Paulo Mourão ocupou posição de destaque durante a convenção. Em seu discurso, o petista defendeu políticas sociais, agricultura familiar, geração de empregos e o fortalecimento da democracia.
Mourão apresentou sua candidatura como parte de um projeto político alinhado ao presidente e afirmou que o Tocantins precisa de representação no Senado capaz de colaborar com as ações do governo federal.
“O Tocantins precisa de um senador que ajude o presidente Lula”, declarou durante a convenção.
O petista também criticou a compra de votos, condenou a violência contra as mulheres e afirmou que pretende colocar as pautas sociais no centro da campanha. Segundo Mourão, a aliança com Laurez não nasceu apenas das negociações eleitorais, mas de uma relação política construída anteriormente.
A estratégia é clara: enquanto Laurez tenta se apresentar como o candidato ao Governo apoiado por Lula, Mourão procura ocupar o espaço de principal representante do presidente na disputa pelo Senado.
Ministro reforça ligação com o governo federal
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participou do evento e declarou apoio à chapa.
Ao subir ao palanque, o ministro defendeu a eleição de Laurez para o Governo e de Mourão para o Senado. A presença de um integrante do primeiro escalão federal reforçou a tentativa de transformar a chapa estadual em extensão da candidatura presidencial.
“O caminho é Laurez governador, Paulo Mourão senador e Lula junto com esse time”, afirmou Wellington Dias.
A participação do ministro também deu ao PT um espaço político relevante dentro da aliança. Embora o partido não tenha a cabeça da chapa nem a vice, ocupa uma das vagas ao Senado e controla a principal ligação pública do grupo com Lula.
Ausência de Irajá mantém problema aberto
Enquanto o PT celebrou a homologação de Mourão, o PSD encerrou a convenção sem resolver completamente a composição para o Senado.
O senador Irajá Abreu, que também busca espaço na chapa, não participou do evento. Antes da convenção, ele havia criticado a condução do PSD estadual e pedido a participação da direção nacional do partido nas negociações.
Laurez afirmou que uma das vagas ao Senado permanece reservada a Irajá e que a decisão sobre participar da eleição cabe ao próprio senador. Na prática, porém, Paulo Mourão foi homologado, discursou e ocupou o palanque, enquanto Irajá permaneceu fora da convenção.
A ausência não impediu a festa petista, mas mostrou que o grupo ainda precisa resolver um dos principais impasses de sua chapa majoritária.
PT aposta em bancada para sustentar projeto
Além das candidaturas de Laurez e Mourão, a convenção homologou os nomes do PT para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa.
O partido argumenta que uma bancada federal e estadual mais numerosa será necessária para garantir apoio político ao governo Lula, ampliar o acesso a recursos federais e defender políticas sociais nos municípios tocantinenses.
Candidaturas homologadas para deputado federal
- Célio Moura
- José Salomão
- Emillii da ANU
- Narubia Werreria
- Alaor do Sacolão
- Vilela do PT
Candidaturas homologadas para deputado estadual
- Zé Roberto
- Edy Cesar
- Rose Marques Povo de Luta
- Freitas do PT – Coletivo Força Popular
- Professor Cleber Borges
- Marcela Cunha
- Igor Moura
- Antônio Marcos do MST
- Jerfeson Nascimento
- Luciely Oliveira
- Fabiano Kenji
- Professora Fabiana
Os nomes foram divulgados pelo PT Tocantins e ainda dependem da apresentação e da análise dos pedidos de registro pela Justiça Eleitoral.
Lula será o principal ativo da campanha
A convenção deixou definido o eixo político do grupo: a campanha estadual será apresentada como uma disputa entre continuidade das políticas sociais do governo federal e os projetos defendidos pelos adversários.
Para o PT, a força eleitoral de Lula deverá ajudar Mourão a ampliar sua presença na corrida pelo Senado e oferecer a Laurez uma identidade nacional para a disputa pelo Palácio Araguaia.
Para Laurez, a aliança oferece acesso à militância e à estrutura partidária da esquerda. Para o PT, garante participação em uma chapa competitiva, uma candidatura ao Senado e espaço para as chapas proporcionais.
As convenções partidárias terminaram nesta quarta-feira (5). Depois da escolha interna, partidos e federações ainda precisam solicitar o registro das candidaturas à Justiça Eleitoral. Somente após essa etapa e o início do período autorizado será permitido pedir votos oficialmente.
Com Laurez no Governo, Silva Neto na vice e Paulo Mourão no Senado, o “Time de Lula” está formalmente montado. A disputa agora será para convencer o eleitor de que uma aliança liderada pelo PSD pode representar, no Tocantins, o projeto nacional do PT.