PSD enfrenta questionamentos após veto a pré-candidatura de mulher negra e líder comunitária

PSD enfrenta questionamentos após veto a pré-candidatura de mulher negra e líder comunitária
Eleições em Palmas- Segundo turno. Crédito: TRE/TO)
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de agosto de 2026 0

Denúncia de preconceito e falta de diálogo marca os bastidores da convenção no Tocantins

A convenção do PSD no Tocantins, realizada nesta semana em Palmas, foi marcada por questionamentos internos sobre a forma como o partido conduziu a definição de candidaturas. Um dos pontos de maior tensão envolveu a pré-candidatura de Ivanete Lima, mulher negra, evangélica e líder comunitária, que chegou a ser ventilada para a disputa ao Senado.

Documentos e manifestações de dirigentes apontaram que houve resistência à indicação dela, com críticas à ausência de diálogo e à forma como a decisão foi comunicada. A situação gerou desconforto dentro do partido e reacendeu o debate sobre representatividade feminina e racial nas chapas majoritárias.

Representatividade em discussão

Ivanete Lima vinha sendo apresentada por setores do PSD como uma possibilidade de ampliar a diversidade nas candidaturas ao Senado. Sua trajetória como líder comunitária e sua identidade como mulher negra e evangélica foram destacadas por apoiadores como diferenciais em um cenário eleitoral ainda marcado pela baixa presença de nomes com esse perfil nas disputas majoritárias.

No entanto, a pré-candidatura não avançou. Relatos internos apontam que a decisão foi tomada sem ampla consulta e que o nome acabou sendo afastado do processo. A situação provocou reações de dirigentes que consideraram o episódio um sinal de dificuldade do partido em abrir espaço para novas lideranças.

Convenção e composição da chapa

Durante a convenção, o PSD confirmou Laurez Moreira como candidato ao governo e definiu a composição da chapa majoritária em aliança com partidos do campo progressista. A vaga ao Senado ficou definida sem a inclusão do nome de Ivanete Lima.

O episódio reacende o debate sobre como os partidos políticos no Tocantins (e no Brasil) tratam a inclusão de mulheres negras e lideranças comunitárias em espaços de poder. A discussão sobre representatividade, diálogo interno e critérios de escolha de candidaturas tende a ganhar força nas próximas semanas, à medida que as campanhas se formalizam.

A legenda agora avança para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, com prazo até 15 de agosto.

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