DA VERSÃO DE AFOGAMENTO À PRISÃO: caso Gustavo expõe histórico de agressões e leva pai e madrasta à cadeia em Palmas

DA VERSÃO DE AFOGAMENTO À PRISÃO: caso Gustavo expõe histórico de agressões e leva pai e madrasta à cadeia em Palmas
Crédito: Reprodução
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 7 de agosto de 2026 1

A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, avançou nesta semana com a prisão preventiva do pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, e da madrasta, Kathellen Moreira da Silva. O Diário Tocantinense reuniu e cruzou as informações divulgadas sobre o caso, incluindo dados apresentados pela Polícia Civil, resultados periciais e manifestações das defesas.

Gustavo foi encontrado morto na residência do pai, em Palmas. A versão inicialmente apresentada por Igor à polícia apontava que o menino teria caído em uma piscina no domingo, 2 de agosto. Segundo o relato, a criança teria sido retirada da água por volta das 17h30 e não teria apresentado alterações aparentes antes de ser colocada para dormir.

O pai afirmou ainda que Gustavo respirava por volta das 6 horas da segunda-feira, 3, mas que, ao verificar novamente a criança por volta das 9 horas, percebeu que o menino estava gelado. A Polícia Civil, porém, informou que os elementos periciais indicam que a morte provavelmente ocorreu ainda no domingo.

Outro ponto investigado é o intervalo entre a provável morte da criança e a comunicação às autoridades. A polícia foi procurada somente por volta das 16h30 de segunda-feira. A defesa de Igor afirmou que ele estava abalado e desorientado e que posteriormente compareceu espontaneamente à delegacia.

A versão de um possível afogamento passou a ser confrontada pelos resultados da perícia. Conforme informações do laudo divulgadas durante a investigação, Gustavo apresentava múltiplas lesões, inclusive na face, além de hemorragia e laceração intestinal. Exames complementares foram solicitados para verificar outros elementos que possam ajudar a esclarecer completamente a dinâmica da morte.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de que a violência contra Gustavo não tenha começado nos últimos momentos de vida da criança.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, foram identificados registros anteriores de lesões e vídeos nos quais Gustavo apareceria em condições consideradas anormais após períodos de convivência com o pai. A investigação aponta relatos de que o menino retornava das visitas com marcas pelo corpo desde 2024.

Em um dos registros divulgados, Gustavo aparece chorando ao ser questionado sobre a resistência em visitar o pai e afirma que não queria ir porque seria agredido. Os pais da criança viviam disputas judiciais relacionadas à convivência familiar.

A mãe, Sabrina da Silva Feitosa, relatou que o filho retornava de algumas visitas apresentando hematomas. Conforme informado pelos advogados dela, Sabrina não poderia simplesmente interromper a convivência da criança com o pai diante das determinações relacionadas ao direito de visita, sob risco de consequências no processo familiar.

Após a morte, o corpo de Gustavo foi velado na terça-feira, 4, em Palmas. A despedida ganhou forte repercussão nas redes sociais, principalmente após imagens da mãe junto ao caixão do filho e homenagens feitas por familiares.

Na quarta-feira, 5, o delegado responsável pelo caso protocolou o pedido de prisão preventiva dos investigados. As ordens judiciais foram cumpridas na madrugada de quinta-feira, 6, em Palmas.

Igor e Kathellen foram presos dentro do contexto da investigação e são apontados, inicialmente, como suspeitos de homicídio duplamente qualificado e tortura. A tipificação ainda poderá sofrer alterações de acordo com o avanço das investigações e com os resultados dos exames complementares.

A Polícia Civil também não considera encerradas todas as linhas investigativas relacionadas às agressões sofridas pela criança. Novas perícias e demais elementos reunidos no inquérito deverão ajudar a estabelecer a dinâmica, a autoria e a motivação do crime.

A defesa de Igor informou que, ao tomar conhecimento da prisão preventiva, colocou-se à disposição da autoridade policial e sustentou que houve uma entrega voluntária previamente acertada. Os advogados afirmaram que não irão comentar, neste momento, detalhes relacionados ao mérito das acusações.

A defesa de Kathellen declarou ter recebido com “profundo estarrecimento” a decisão que determinou a prisão. Também informou que ela se apresentou espontaneamente e que pretende pedir a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos gravosas, argumentando, entre outros pontos, que a investigada é mãe de uma bebê de cinco meses que ainda é amamentada.

Com pai e madrasta presos, o caso entra agora em uma nova etapa. A Polícia Civil continua reunindo provas, depoimentos e resultados periciais para esclarecer o que aconteceu dentro da residência onde Gustavo morreu.

A morte do menino de apenas 3 anos provocou forte comoção no Tocantins e ganhou repercussão nacional. O inquérito deverá apontar, ao final das diligências, as responsabilidades individuais e as circunstâncias que cercaram os últimos momentos de vida da criança.

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