DE “CREPÚSCULO” A CAÇADOR DE PEDÓFILOS: Robert Pattinson surpreende em “Primetime” e entra no radar do Oscar 2027

DE “CREPÚSCULO” A CAÇADOR DE PEDÓFILOS: Robert Pattinson surpreende em “Primetime” e entra no radar do Oscar 2027
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 7 de agosto de 2026 0

Robert Pattinson pode estar diante de um dos papéis mais importantes de sua carreira. Longe do vampiro Edward Cullen, de “Crepúsculo”, e depois de uma sequência de trabalhos que consolidaram sua transformação em Hollywood, o ator britânico assume o papel do jornalista Chris Hansen em “Primetime”, novo thriller da A24 que já começa a aparecer nas projeções para o Oscar 2027.

Em apuração do Diário Tocantinense, o longa acompanha o período de maior repercussão de “To Catch a Predator”, quadro investigativo exibido pelo “Dateline NBC” entre 2004 e 2007. Hansen ficou conhecido mundialmente por confrontar homens adultos que chegavam a locais previamente preparados acreditando que encontrariam menores de idade após conversas pela internet.

O trailer completo de “Primetime”, divulgado nesta semana, mostrou uma transformação física e vocal de Robert Pattinson que imediatamente movimentou as redes sociais e veículos especializados em cinema. O ator aparece com visual inspirado nos apresentadores de televisão norte-americanos dos anos 2000 e reproduz a postura e a forma de falar que tornaram Chris Hansen reconhecido pelo público.

A caracterização também foi construída para acompanhar o desgaste psicológico do personagem ao longo da história. Segundo informações reveladas pela equipe responsável pelo visual do filme, maquiagem, bronzeamento, mudanças nas sobrancelhas, cabelo e marcas progressivamente mais cansadas no rosto foram utilizados para aproximar Pattinson de Hansen e mostrar a deterioração emocional do jornalista conforme os acontecimentos avançam.

Dirigido por Lance Oppenheim e escrito por Ajon Singh, “Primetime” não pretende simplesmente reproduzir as abordagens que fizeram “To Catch a Predator” se tornar um fenômeno da televisão. O filme mergulha também nas discussões sobre os limites entre jornalismo investigativo, justiça, audiência, exposição pública e espetáculo televisivo.

A história tem como uma de suas referências o artigo “Tonight on Dateline This Man Will Die”, publicado pela revista Esquire em 2007. O texto abordava um dos episódios mais controversos relacionados às operações realizadas para o programa: uma ação realizada em 2006 no Texas envolvendo Bill Conradt, então promotor assistente, que morreu por suicídio durante a chegada das autoridades e de uma equipe de televisão à sua residência.

O caso provocou uma intensa discussão nos Estados Unidos sobre os métodos utilizados pelo programa e os limites éticos da participação da televisão em operações envolvendo suspeitos de crimes sexuais contra menores.

A jornalista Toni Fitzgerald, que acompanha o mercado de mídia para a Forbes, avalia que o sucesso de “To Catch a Predator” nasceu justamente da combinação entre investigação, forte apelo televisivo e exposição pública dos suspeitos. Segundo dados citados por ela, o programa chegou a uma média superior a 7 milhões de espectadores e aumentou a audiência do “Dateline NBC” durante o período de maior popularidade.

É justamente essa zona moralmente desconfortável que pode transformar “Primetime” em algo maior do que uma cinebiografia tradicional. O filme coloca em discussão se a televisão estava apenas expondo criminosos e protegendo potenciais vítimas ou se, em determinados momentos, a busca por audiência passou a interferir na própria condução das operações.

Para Robert Pattinson, o papel chega em um momento especialmente importante. O ator vem acumulando projetos de grande repercussão e reconhecimento crítico e aparece em produções de destaque de 2026, enquanto tenta conquistar algo que ainda não conseguiu ao longo da carreira: uma indicação ao Oscar de atuação.

O site especializado Awards Radar já apontou “Primetime” como um possível concorrente na temporada de premiações. Nas projeções do Gold Derby, plataforma especializada na corrida por Oscar, Emmy e outras grandes premiações, Pattinson também aparece entre os nomes considerados para a categoria de Melhor Ator no Oscar 2027.

Isso não significa que uma indicação esteja garantida. “Primetime” ainda não foi exibido publicamente para a crítica especializada, e boa parte do cenário atual é formada por projeções baseadas no trailer, na estratégia da A24, no perfil do papel e no circuito de festivais escolhido para o lançamento.

O primeiro grande teste acontecerá no Festival Internacional de Cinema de Veneza. “Primetime” foi selecionado para a competição oficial da 83ª edição do festival, que será realizada entre 2 e 12 de setembro. O longa concorrerá ao Leão de Ouro e terá sua primeira grande avaliação diante da crítica internacional.

A escolha de Veneza também aumenta naturalmente a atenção sobre uma eventual campanha para o Oscar. O festival italiano permanece como uma das principais vitrines internacionais para filmes e atuações que posteriormente entram na temporada de premiações. A Vanity Fair, ao analisar o circuito de festivais deste ano, incluiu “Primetime” entre os títulos de maior interesse justamente pela combinação entre Pattinson, a história real e a estreia de Oppenheim na ficção.

A revista Marie Claire também colocou o longa entre os thrillers mais aguardados de 2026 e destacou a experiência de Lance Oppenheim no documentário. A publicação considera que o diretor chega à ficção trazendo um olhar especialmente adequado para uma história que mistura realidade, televisão, crime e comportamento humano.

A transformação de Pattinson também pesa a favor do chamado “perfil de premiação”. Interpretar uma figura pública real, reproduzir voz, aparência, comportamento e, ao mesmo tempo, apresentar as contradições psicológicas do personagem é um tipo de trabalho frequentemente observado pelos votantes das grandes premiações.

Mas há um fator que pode tornar o caminho mais difícil: o próprio tema. “Primetime” lida com abuso sexual infantil, suspeitos de crimes, exposição pública, métodos jornalísticos controversos e as consequências das operações televisionadas. A recepção dependerá de como o filme conseguirá abordar esses elementos sem reduzir uma discussão delicada a entretenimento ou sensacionalismo.

Essa tensão já aparece entre analistas de cinema. Há quem veja justamente na complexidade moral a principal força do projeto, enquanto outros alertam que o assunto pode dividir o público e até integrantes da indústria. Antes da estreia em Veneza, portanto, qualquer previsão de Oscar ainda precisa ser tratada como aposta, não como resultado definido.

Além de Robert Pattinson, “Primetime” reúne Merritt Wever, Skyler Gisondo, Matthew Maher, Bokeem Woodbine e Phoebe Bridgers no elenco. A direção é de Lance Oppenheim, conhecido pelo trabalho documental, enquanto a produção envolve a A24, estúdio responsável por alguns dos filmes independentes de maior repercussão da última década.

Nos Estados Unidos, a própria A24 confirma o lançamento de “Primetime” para 25 de setembro de 2026, poucas semanas depois da passagem pelo Festival de Veneza.

A sequência será decisiva. Se Pattinson deixar Veneza acompanhado de críticas fortes — ou até de um prêmio de atuação —, o discurso de que “Primetime” pode levá-lo ao Oscar ganhará outro tamanho. Caso a recepção seja dividida, a disputa poderá ficar mais difícil diante de uma temporada já carregada de grandes atores e produções de prestígio.

Por enquanto, uma coisa já está clara: Robert Pattinson conseguiu transformar um dos personagens mais conhecidos e controversos da televisão investigativa norte-americana em um dos papéis mais comentados deste segundo semestre. O antigo astro de “Crepúsculo” agora surge diante das câmeras como o homem que tornou célebre a caça televisiva a predadores sexuais — e pode sair dessa transformação com a primeira grande indicação ao Oscar de sua carreira.

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