“É o melhor para o país”: presidente da Câmara, Hugo Motta, anuncia apoio à reeleição de Lula após Republicanos adotar neutralidade

“É o melhor para o país”: presidente da Câmara, Hugo Motta, anuncia apoio à reeleição de Lula após Republicanos adotar neutralidade
Crédito: Brasil de Fato
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 11 de agosto de 2026 0

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 10 de agosto, na Paraíba, poucos dias depois de o Republicanos decidir permanecer neutro nacionalmente na corrida pelo Palácio do Planalto.

Conforme apurado pelo Diário Tocantinense, a posição de Motta foi tornada pública durante a posse da advogada Giovanna Mayer como desembargadora do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). O presidente da Câmara afirmou que aguardava uma definição da direção nacional do Republicanos antes de anunciar oficialmente seu posicionamento.

“Nós iremos declarar esse apoio ao presidente porque é o que converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”, afirmou Hugo Motta ao explicar a decisão.

Motta também declarou que esperou a manifestação formal do partido para tornar pública sua posição favorável ao projeto de reeleição de Lula. A direção nacional do Republicanos decidiu não fechar uma aliança presidencial única e abriu caminho para que os diretórios estaduais definissem suas próprias composições.

Na Paraíba, o caminho escolhido foi o apoio ao atual presidente. “Aqui na Paraíba, já havia sido dito antes, caminhamos com o presidente Lula”, afirmou Motta. Segundo ele, a decisão está relacionada ao projeto político que seu grupo defende para o Estado e para o país.

O anúncio ganha peso político por partir do atual presidente da Câmara dos Deputados, cargo que coloca Hugo Motta entre as principais autoridades do Poder Legislativo e no centro das articulações entre governo, oposição e partidos do chamado Centrão.

O movimento ocorre após uma disputa interna no Republicanos sobre qual caminho seguir na eleição presidencial. Na consulta feita aos diretórios estaduais, 17 defenderam a neutralidade, nove se posicionaram favoravelmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e apenas um, naquele momento, indicou preferência por Lula.

Diante do resultado, o partido rejeitou uma aliança nacional com Flávio Bolsonaro e decidiu manter independência na eleição presidencial. A legenda, no entanto, liberou seus diretórios para construir alianças locais tanto com Lula quanto com Flávio ou outros candidatos, de acordo com a realidade política de cada Estado.

A posição nacional também produziu uma situação política peculiar dentro do Republicanos. Enquanto Hugo Motta decidiu caminhar com Lula na Paraíba, o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, declarou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro, embora tenha afirmado que respeitaria a decisão majoritária do partido pela neutralidade.

Motta esteve entre os dirigentes do Republicanos que defendiam a neutralidade nacional antes da convenção. A decisão permitiu que seu grupo político na Paraíba mantivesse uma composição própria sem obrigar toda a legenda a assumir o mesmo candidato à Presidência.

O cenário paraibano também envolve diretamente a família do presidente da Câmara. Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta, é candidato ao Senado e já vinha manifestando apoio a Lula. O Republicanos participa, no Estado, de uma composição política que reúne partidos com diferentes posições na disputa presidencial.

O apoio de Motta, porém, não significa que o Republicanos tenha abandonado oficialmente sua neutralidade nacional. A decisão é regional e está amparada pela própria resolução partidária que deu liberdade aos diretórios estaduais para escolherem seus respectivos palanques presidenciais.

Com isso, Lula passa a contar na Paraíba com o apoio público de um dos principais nomes do Congresso Nacional, enquanto Flávio Bolsonaro terá apoio de setores do mesmo Republicanos em outros Estados.

A movimentação evidencia uma das características da eleição de 2026: partidos de centro e centro-direita chegam à disputa presidencial com alianças diferentes de acordo com os Estados, sem necessariamente reproduzir uma única composição nacional.

Para Hugo Motta, entretanto, sua escolha na Paraíba está definida. Ao anunciar a decisão, o presidente da Câmara resumiu o posicionamento afirmando que o apoio a Lula converge com aquilo que seu grupo político considera “o melhor para o país”.

Notícias relacionadas