O mapa do poder no Tocantins: DT mostra quem são os prefeitos que estão com cada candidato ao Governo em 2026
Dorinha concentra a maior rede de gestores municipais e domina os principais colégios eleitorais; Vicentinho avança com adesões e mudanças de lado, enquanto Laurez aposta em outra estratégia. DT traça panorama dos apoios públicos na largada da campanha
Com a campanha eleitoral oficialmente nas ruas, uma disputa paralela à corrida pelo voto dos tocantinenses já está desenhando o mapa político do Estado: quem está com quem entre os 139 prefeitos do Tocantins? O Diário Tocantinense fez um levantamento das manifestações públicas de apoio divulgadas até esta segunda-feira, 17, para mostrar como os grupos estão distribuídos e o que essa fotografia revela sobre a força municipal dos candidatos ao Palácio Araguaia.
O Tocantins chega à eleição com sete candidaturas registradas ao Governo: Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), Professor Witer Naves (PSOL), Du Pereira (DC) e Subtenente Luiz Carlos (Democrata). Os registros ainda estão sujeitos à análise da Justiça Eleitoral.
Quando o critério é apoio de prefeitos, Professora Dorinha começa a campanha com larga vantagem em capilaridade municipal. O grupo da candidata afirma reunir mais de 100 gestores municipais, e atos realizados durante a pré-campanha chegaram a contar com mais de uma centena de prefeitos. Em março, o lançamento de sua pré-candidatura reuniu 114 chefes de Executivos municipais, enquanto um novo grande encontro realizado em Araguaína, em julho, voltou a registrar a presença de mais de 100 prefeitos. A presença em eventos, por si só, não deve ser confundida automaticamente com declaração formal de voto, mas o volume demonstra o tamanho da articulação construída pelo grupo.
O peso maior está nos principais centros urbanos. Eduardo Siqueira Campos, prefeito de Palmas, reafirmou publicamente o apoio a Dorinha durante a convenção de agosto e chegou a classificá-la como a candidata mais preparada da disputa. Em Araguaína, Wagner Rodrigues também colocou sua estrutura política ao lado da candidata e formalizou o apoio durante o lançamento da União pelo Tocantins.
Em Gurupi, Josi Nunes participa diretamente das mobilizações da campanha e afirmou que o município está pronto para contribuir com o projeto de Dorinha. Em Porto Nacional, Ronivon Maciel defendeu publicamente a eleição da senadora ao Governo. Já em Paraíso do Tocantins, Celso Morais formalizou e posteriormente reafirmou seu apoio à candidata.
Esses cinco municípios merecem atenção especial no mapa eleitoral. Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso formaram o chamado G5+, e seus prefeitos já haviam se posicionado conjuntamente em favor de Dorinha. Somados, esses municípios concentram uma parcela expressiva do eleitorado tocantinense e funcionam como polos políticos de influência sobre cidades vizinhas.
A rede de Dorinha, porém, vai muito além dos grandes centros. Entre os apoios formalizados estão Filó, de Tupiratins; Fátima Coelho, de Guaraí; Keia Kaponi, de Itaporã do Tocantins; Felipe Miranda, de Brasilândia do Tocantins; Pedro Clésio, de Colmeia; e Ailton Coelho, de Itapiratins. Os seis participaram de agendas da candidata na região central e manifestaram apoio ao projeto eleitoral.
No Sudeste, Herman Gomes, prefeito de Arraias, também reforçou recentemente que está com Dorinha. O prefeito de Carmolândia, Douglas Oliveira, é outro gestor identificado politicamente com a candidatura da senadora. A força dessa rede ajuda a explicar por que a estratégia da União pelo Tocantins coloca os municípios no centro da campanha.
Mas o mapa não está congelado. E é justamente aí que Vicentinho Júnior aparece como o candidato que mais tem tentado furar o bloqueio municipal de Dorinha, buscando prefeitos, vereadores e lideranças em diferentes regiões e anunciando adesões à medida que percorre o interior.
Entre os prefeitos publicamente alinhados a Vicentinho estão João Victor, de Muricilândia, um dos primeiros gestores a anunciar apoio ao tucano ainda no início do ano. No Sudeste, a chapa de Vicentinho e Amélio Cayres conseguiu formar um bloco com Edson Neiva, de Aurora do Tocantins; Dr. Thiago Jayme, de Natividade; e Rainerival Ribeiro Xavier, o Neri, de Almas.
Em Santa Rosa do Tocantins, o prefeito Levi Teixeira anunciou apoio a Vicentinho afirmando que levou em consideração a relação construída pelo deputado com o município. Em Peixe, Augusto Cézar também aderiu ao projeto do candidato, acompanhado de vereadores e lideranças locais.
Vicentinho avançou ainda sobre Riachinho, onde o prefeito Ronaildo Bandeira e oito vereadores aderiram à candidatura, e sobre Presidente Kennedy, com o apoio do prefeito João Batista Cavalcante.
Presidente Kennedy é um dos casos que melhor exemplificam o chamado “pula-pula” desta eleição. João Batista deixou a base de Dorinha e passou para o grupo de Vicentinho. Do outro lado, a campanha da senadora reagiu no município conquistando a vice-prefeita Dona Graça Lopes, um ex-prefeito e cinco vereadores. Ou seja: em algumas cidades, não existe apenas uma divisão entre candidatos ao Governo, mas uma verdadeira fragmentação dentro dos próprios grupos municipais.
Natividade apresenta situação parecida. Mesmo com o prefeito Dr. Thiago Jayme no grupo de Vicentinho, a movimentação política continua acontecendo entre vereadores e outras lideranças. Nesta segunda-feira, 17, o próprio Diário Tocantinense mostrou a adesão da vereadora Cilene de Miguel, filiada ao União Brasil e até então ligada ao grupo de Dorinha, a Vicentinho.
É justamente nesse ponto que o mapa começa a ficar mais interessante. Dorinha possui hoje a maior estrutura municipal visível, enquanto Vicentinho tenta diminuir essa diferença conquistando prefeitos individualmente e provocando baixas no bloco adversário. A campanha tende a transformar cada nova adesão em uma demonstração pública de crescimento.
Com Laurez Moreira, a fotografia é diferente. O candidato do PSD possui uma coligação formada por PSD, PDT, PSB e Federação Brasil da Esperança, que inclui PT, PCdoB e PV, além do apoio político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, até agora sua campanha não apresentou publicamente um bloco de prefeitos comparável ao reunido por Dorinha nem uma sequência de adesões de gestores como a anunciada por Vicentinho.
O próprio Laurez decidiu enfrentar essa questão diretamente. Durante sua convenção, em 4 de agosto, afirmou: “Eu não conto com apoio de prefeitos, eu não conto com apoio de vereadores, mas eu conto com apoio do povo. Eu sou do povo”. A declaração mostra que o candidato tenta transformar a menor presença de chefes de Executivos municipais em uma narrativa de campanha baseada no voto direto do eleitor.
Laurez possui, entretanto, uma rede de lideranças políticas com experiência municipal. Ex-prefeitos como Carlos Amastha e Raul Filho, ambos de Palmas, já manifestaram apoio ao seu projeto em momentos da construção da candidatura. O desafio é saber até que ponto essa rede de ex-gestores, somada às estruturas de PSD, PT, PSB e PDT, conseguirá compensar a vantagem dos adversários entre prefeitos que atualmente estão no exercício do mandato.
Já Ataídes Oliveira, Professor Witer Naves, Du Pereira e Subtenente Luiz Carlos começam a campanha em um cenário bastante diferente. No levantamento de manifestações públicas consultadas pelo DT até o fechamento desta reportagem, não foi encontrada uma rede expressiva de prefeitos atualmente no exercício do cargo formalmente anunciada em torno dessas quatro candidaturas. Isso não significa inexistência de apoios locais, mas revela que, até aqui, a força municipal desses projetos não foi apresentada publicamente na mesma dimensão dos três principais blocos.
Ataídes disputa pelo Novo, enquanto Witer concorre pelo PSOL, Du Pereira pelo DC e Subtenente Luiz Carlos pelo Democrata. São candidaturas com estruturas partidárias menores na esfera municipal e que, por isso, tendem a depender mais da exposição individual dos candidatos, das redes sociais, dos debates e do contato direto com o eleitor do que de uma grande rede de prefeituras. Os quatro integram o conjunto de sete candidatos registrados para a eleição deste ano.
O desenho atual, portanto, mostra três estratégias bastante distintas. Dorinha larga com a maior máquina política municipal, apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa e por um arco amplo de partidos, além de controlar politicamente o palanque dos maiores municípios. Vicentinho possui uma rede menor, mas demonstra capacidade de conquistar prefeitos e retirar lideranças do bloco adversário. Laurez, por sua vez, coloca o apoio de Lula, os partidos de sua coligação e sua trajetória política como contraponto à concentração de prefeitos nas mãos dos rivais.
Ter um prefeito no palanque significa contar, em tese, com uma rede local que envolve lideranças comunitárias, vereadores, ex-vereadores, secretários, apoiadores e grupos que conhecem profundamente o território eleitoral. Isso, porém, não transforma automaticamente apoio político em voto. A largada da campanha será justamente o teste para descobrir quanto dessa força institucional conseguirá chegar efetivamente às urnas.
E o mapa ainda pode mudar bastante. As movimentações de Presidente Kennedy, Natividade e outros municípios mostram que prefeitos, vereadores e lideranças continuam sendo disputados diariamente. Apoios podem migrar, grupos municipais podem se dividir e cidades aparentemente controladas por um candidato podem entregar resultados diferentes nas urnas.
Por isso, a fotografia feita pelo Diário Tocantinense neste início de campanha deve ser vista como um retrato do momento, baseado nas manifestações públicas localizadas até esta segunda-feira, 17. Hoje, Dorinha domina o mapa dos prefeitos; Vicentinho avança e tenta redesenhá-lo; Laurez diz que prefere apostar diretamente no eleitor. A grande pergunta agora é outra: quando essas estruturas entrarem de vez nas ruas, quem conseguirá transformar apoio político em voto?
O Diário Tocantinense mantém espaço aberto às assessorias dos sete candidatos para informar novos apoios, eventuais mudanças de posicionamento de prefeitos e correções no levantamento.