Saúde entra no centro da campanha: Vicentinho recebe servidores e coloca concurso, Servir e carreira entre compromissos

Saúde entra no centro da campanha: Vicentinho recebe servidores e coloca concurso, Servir e carreira entre compromissos
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 25 de agosto de 2026 6

A valorização dos servidores da Saúde entrou diretamente no debate eleitoral pelo Governo do Tocantins. O candidato Vicentinho Júnior se reuniu na tarde desta segunda-feira, 24, em Palmas, com dirigentes e trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Tocantins (Sintras-TO), recebeu uma pauta de reivindicações da categoria e apresentou propostas que pretende levar para uma eventual gestão estadual.

Entre as principais demandas entregues ao candidato estão o cumprimento da data-base e das progressões, manutenção e fortalecimento do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração da Saúde, realização de concurso público, garantia do Piso Nacional da Enfermagem, melhorias no Servir, condições adequadas de trabalho e manutenção de um canal permanente de diálogo entre o Governo e as entidades representativas dos servidores.

O encontro colocou diante de Vicentinho uma pauta que vai além de reajustes salariais. Os trabalhadores cobram uma política de valorização que alcance carreira, estrutura das unidades, dimensionamento das equipes e condições para que os profissionais consigam prestar atendimento adequado à população.

Durante a reunião, Vicentinho afirmou que não considera possível melhorar a Saúde estadual sem enfrentar primeiro a situação de quem está trabalhando diariamente nos hospitais e demais unidades públicas.

“Eu não consigo consertar a saúde sem valorizar quem está na ponta. Não adianta cobrar resultado do servidor sem dar respeito, condição de trabalho e estrutura para que ele possa exercer sua função”, afirmou o candidato.

Um dos principais pontos apresentados foi a necessidade de dimensionar corretamente a força de trabalho existente na Secretaria de Estado da Saúde. Vicentinho defendeu um levantamento detalhado para identificar quantos profissionais estão efetivamente trabalhando na rede, quais unidades apresentam maior déficit e quantos servidores da Saúde estão atualmente cedidos para outros órgãos.

A proposta, segundo o candidato, seria fazer com que profissionais pertencentes ao quadro da Saúde sejam utilizados prioritariamente na própria rede do Sistema Único de Saúde, principalmente diante das dificuldades enfrentadas por hospitais que trabalham com déficit de pessoal.

“Servidor da Saúde tem que estar ajudando a fazer o SUS funcionar. Precisamos saber onde estão esses profissionais, qual é o déficit real e, a partir daí, organizar os investimentos onde realmente são necessários”, declarou.

O concurso público também esteve entre os temas discutidos. Vicentinho defendeu a realização de seleção para recomposição do quadro e disse que uma eventual gestão precisaria trabalhar com dados reais sobre a quantidade de profissionais necessária em cada unidade.

O debate ocorre justamente em um momento em que o Tocantins já possui concurso da Saúde em andamento. O certame estadual aberto em 2026 contempla milhares de oportunidades para cargos de níveis médio e superior e está sendo organizado pela Fundação Getulio Vargas. Dessa forma, uma eventual nova política de concursos precisaria considerar as nomeações e a força de trabalho decorrentes da seleção atualmente em execução.

Outro assunto que ocupou espaço significativo na reunião foi o Servir, plano de assistência à saúde dos servidores estaduais. Vicentinho defendeu uma reorganização do sistema com o objetivo de oferecer maior previsibilidade nos pagamentos feitos à rede credenciada.

A dificuldade de manutenção regular de alguns atendimentos do Servir é uma preocupação recorrente entre os servidores. O próprio Sintras vem acompanhando problemas relacionados à assistência disponibilizada pelo plano. Em julho, por exemplo, o sindicato informou sobre a retomada do atendimento odontológico depois de interrupções que atingiram os beneficiários.

Para Vicentinho, reorganizar o Servir passa por criar condições para que médicos, clínicas, hospitais e demais prestadores tenham maior segurança sobre os pagamentos, reduzindo o risco de descredenciamentos ou interrupções de serviços utilizados pelos servidores e seus dependentes.

O candidato também apresentou a proposta de criação de uma chamada “Tabela SUS Tocantinense”. A ideia é utilizar recursos estaduais para complementar determinados valores pagos pela tabela nacional do Sistema Único de Saúde, buscando tornar procedimentos mais atrativos para prestadores e ampliar a oferta disponível à população.

Esse modelo, na avaliação apresentada durante a reunião, poderia ser utilizado principalmente em procedimentos cuja remuneração atual seja considerada insuficiente para garantir uma oferta compatível com a demanda existente no Tocantins.

Outro compromisso defendido por Vicentinho é a descentralização dos atendimentos de média e alta complexidade. O candidato voltou a falar na construção de três novos hospitais regionais e na necessidade de melhorar a regulação estadual para diminuir deslocamentos de pacientes e reduzir a concentração dos atendimentos em poucas cidades.

A descentralização se tornou uma das principais bandeiras das candidaturas ao Governo nesta eleição. Municípios que atualmente dependem de Araguaína, Palmas e Gurupi para procedimentos especializados passaram a aparecer nos planos de expansão da rede hospitalar apresentados durante a campanha.

Vicentinho também defendeu que os cargos de comando da Saúde sejam ocupados por profissionais que conheçam a realidade das unidades, o funcionamento do SUS e as dificuldades enfrentadas diariamente pelos trabalhadores.

A discussão sobre carreira ganhou peso durante a reunião porque o funcionalismo da Saúde acumula uma série de reivindicações históricas. Em carta aberta divulgada neste ano, o Sintras voltou a cobrar valorização profissional, melhores condições de trabalho, garantia do piso da enfermagem, data-base com ganho real, alimentação adequada nos plantões, adicionais, gratificações e equipamentos de proteção.

O sindicato também vem abrindo espaço para que os candidatos ao Governo apresentem propostas diretamente aos trabalhadores. Professora Dorinha já havia participado de encontro com a entidade ainda na fase anterior da campanha, e Laurez Moreira também recebeu a pauta do Sintras durante agenda realizada em agosto. A estratégia permite que a categoria registre os compromissos apresentados por diferentes candidatos e posteriormente cobre quem assumir o Palácio Araguaia.

Ao receber a pauta, Vicentinho evitou estabelecer datas imediatas para o cumprimento de todas as reivindicações. Ele afirmou que pretende primeiro conhecer detalhadamente a situação financeira do Estado antes de assumir compromissos que produzam novas despesas permanentes.

“Eu não vou dar prazo e assinar um cheque sem saber o saldo da conta. Quero participar da construção da peça orçamentária ainda em novembro e dezembro para começar janeiro sabendo quais são as prioridades, o que pode ser feito e de onde virá o recurso”, afirmou.

A declaração mostra uma tentativa do candidato de conciliar a promessa de valorização do funcionalismo com a preocupação sobre o impacto financeiro das medidas. Data-base, progressões, concursos, revisão de carreiras e benefícios possuem efeitos permanentes sobre a folha estadual e precisam encontrar espaço dentro do orçamento e dos limites fiscais.

Caso seja eleito, Vicentinho afirma que pretende utilizar o período de transição, ainda antes da posse, para conhecer as contas estaduais e participar da discussão sobre o orçamento de 2027. A intenção seria chegar a janeiro com uma definição mais clara sobre quais reivindicações poderiam ser atendidas imediatamente e quais dependeriam de planejamento gradual.

O presidente do Sintras, enfermeiro Manoel Pereira de Miranda, entregou formalmente a pauta dos trabalhadores ao candidato. A entidade espera que o documento não fique restrito ao período eleitoral e sirva como instrumento de cobrança durante o próximo governo.

Vicentinho também prometeu manter diálogo com sindicatos e demais entidades representativas caso seja eleito. Para ele, direitos já assegurados precisam ser cumpridos, enquanto novas demandas devem ser negociadas considerando disponibilidade financeira e prioridades.

“Direito é para ser cumprido. E aquilo que precisar ser construído, nós vamos sentar à mesa, discutir orçamento e prioridades para encontrar o caminho possível”, afirmou.

A reunião coloca a Saúde em uma posição cada vez mais importante na campanha estadual. Além da construção de hospitais e ampliação dos serviços, os candidatos começam a ser cobrados sobre quem fará essas novas estruturas funcionarem.

Não basta anunciar novos leitos se não houver médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais disponíveis. Da mesma forma, ampliar procedimentos exige financiamento, regulação eficiente e uma política de pessoal capaz de manter equipes completas nas unidades.

É justamente nesse ponto que a pauta apresentada pelo Sintras encontra o discurso eleitoral. Concurso, carreira, Servir, progressões e condições de trabalho deixam de ser apenas reivindicações corporativas quando interferem diretamente na capacidade do Estado de oferecer atendimento à população.

Para Vicentinho, o desafio agora é transformar as propostas apresentadas aos servidores em compromissos suficientemente detalhados para que possam ser acompanhados durante a campanha e, em caso de vitória, cobrados a partir de 2027.

Para os trabalhadores da Saúde, a estratégia é colocar suas reivindicações na mesa antes da eleição. Depois das urnas, independentemente de quem vencer, os documentos entregues e as declarações feitas durante esses encontros deverão servir de referência para cobrar do próximo governador aquilo que foi apresentado aos servidores durante a campanha.

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