Eclipse vai esconder quase toda a Lua nesta madrugada: Tocantins terá visão privilegiada do fenômeno

Eclipse vai esconder quase toda a Lua nesta madrugada: Tocantins terá visão privilegiada do fenômeno
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 27 de agosto de 2026 8

Quem estiver no Tocantins e olhar para o céu na noite desta quinta-feira, 27, para a madrugada de sexta-feira, 28 de agosto, poderá acompanhar um dos principais fenômenos astronômicos de 2026. Um eclipse lunar parcial de grande magnitude vai encobrir 96,2% da Lua no momento máximo, fazendo com que o satélite praticamente desapareça sob a sombra da Terra e possa apresentar uma forte tonalidade avermelhada.

Apesar de visualmente parecer quase total, o fenômeno é classificado oficialmente como eclipse lunar parcial. Isso acontece porque uma pequena faixa da Lua permanecerá fora da umbra, região mais escura da sombra projetada pela Terra.

No Tocantins, o fenômeno poderá ser acompanhado durante todas as principais fases, já que o Estado segue o mesmo horário de Brasília. Além disso, as condições típicas de tempo seco neste período do ano e a previsão de pouca nebulosidade em áreas do Estado podem favorecer a observação, especialmente em locais afastados da iluminação intensa das cidades. Em Palmas, a previsão para esta quinta-feira indica tempo predominantemente aberto, embora as condições meteorológicas possam sofrer alterações durante a madrugada.

O espetáculo começa discretamente às 22h24 desta quinta-feira, quando a Lua entra na penumbra da Terra. Essa primeira etapa pode ser difícil de perceber a olho nu porque provoca apenas uma redução sutil no brilho.

A transformação ficará evidente a partir das 23h34, quando começa oficialmente a fase parcial. Nesse momento, a Lua começará a entrar na umbra, a parte mais escura da sombra terrestre. Para quem estiver acompanhando, a impressão será de que uma grande “mordida” começa lentamente a tomar conta do disco lunar.

O ponto máximo está previsto para 1h13 da madrugada desta sexta-feira, 28. É nesse momento que aproximadamente 96,2% da Lua estará encoberta. A pequena porção que permanecer fora da sombra impedirá que o fenômeno seja classificado como eclipse total.

Depois do auge, a sombra começará a recuar. A fase parcial termina por volta das 2h52. Já a etapa penumbral segue até aproximadamente 4h02, encerrando completamente o eclipse.

Considerando todas as etapas, o fenômeno terá duração de mais de cinco horas. A parte mais impressionante e facilmente perceptível, entre a entrada e a saída da umbra, deverá durar aproximadamente três horas e 18 minutos.

A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, explica que o eclipse acontece quando a Lua entra na sombra projetada pela Terra durante um alinhamento envolvendo o Sol, a Terra e o satélite natural.

“O Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço. Essa sombra tem duas partes: a penumbra e a umbra”, explica a astrônoma.

Durante esta madrugada, a Lua passará profundamente pela umbra. É justamente essa característica que fará o eclipse parecer quase total para quem estiver observando do Tocantins e das demais regiões brasileiras.

Outro efeito esperado é a mudança de cor. À medida que a Lua entra na sombra da Terra, partes do disco lunar podem assumir tonalidades avermelhadas, alaranjadas ou acobreadas. É daí que surge a expressão popular “Lua de Sangue”.

A explicação, no entanto, não tem nada de misteriosa. Mesmo com a Terra bloqueando a luz direta do Sol, parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre e é desviada em direção à Lua. As cores azuladas são espalhadas com maior facilidade, enquanto comprimentos de onda associados aos tons vermelhos e alaranjados conseguem atravessar a atmosfera e alcançar o satélite.

É um princípio semelhante ao que produz os tons avermelhados vistos durante o nascer e o pôr do sol.

O astrofísico brasileiro Eugênio Reis, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), explica que a observação é completamente segura. Diferentemente de um eclipse solar, ninguém precisa utilizar filtros especiais para acompanhar um eclipse lunar.

“Mesmo com o uso de binóculos ou telescópio, não haverá risco para o observador”, afirma Eugênio Reis.

O especialista ressalta que equipamentos podem ajudar a enxergar detalhes da superfície lunar, mas não são necessários. Quem não possui telescópio ou binóculo poderá acompanhar todo o fenômeno simplesmente olhando para a Lua.

Josina Oliveira do Nascimento reforça a mesma orientação. “Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”, afirma.

Por isso, no Tocantins, basta procurar um ponto que ofereça boa visão do céu. Áreas mais abertas, chácaras, fazendas, praias, praças e regiões afastadas de postes e grandes concentrações de luz tendem a proporcionar uma experiência melhor.

O astrônomo brasileiro Emerson Roberto Perez também recomenda que os observadores procurem regiões com boa visibilidade do céu e pouca interferência da iluminação urbana. Durante o eclipse, outra curiosidade poderá ser percebida: conforme o brilho intenso da Lua cheia diminui, estrelas que normalmente ficam ofuscadas podem se tornar mais visíveis.

A localização do Tocantins favorece especialmente o acompanhamento porque a Lua estará bem posicionada no céu durante o período mais importante do eclipse. Isso significa que o observador não precisará lidar com o satélite muito próximo do horizonte durante o auge do fenômeno.

O principal obstáculo será o tempo. Nuvens podem esconder parcial ou completamente a Lua em determinados momentos. Para Palmas, contudo, as condições registradas nesta quinta-feira indicam tempo seco e predominância de céu aberto, cenário que aumenta a expectativa de uma boa observação, embora não seja possível garantir ausência completa de nuvens durante toda a madrugada.

O eclipse desta madrugada também chama atenção pela dimensão. Não se trata de um eclipse parcial pequeno, no qual apenas uma pequena extremidade da Lua é atingida pela sombra. Desta vez, praticamente todo o disco lunar será alcançado pela umbra.

Segundo o Observatório Nacional, 96,2% da Lua ficará obscurecida no momento de maior intensidade. Para o observador comum, portanto, a diferença em relação a um eclipse total poderá parecer pequena.

O evento ocorre pouco mais de duas semanas depois do eclipse solar total de 12 de agosto. Naquela ocasião, o espetáculo não pôde ser observado diretamente do Brasil. Agora, a situação se inverte: o eclipse lunar poderá ser acompanhado em território brasileiro, incluindo todas as regiões do Tocantins, desde que as condições do céu permitam.

A ocorrência de eclipses solares e lunares próximos um do outro também tem explicação astronômica. Os fenômenos aparecem dentro das chamadas temporadas de eclipses, períodos em que a posição orbital da Lua cria condições favoráveis para o alinhamento entre Sol, Terra e Lua.

Mesmo havendo Lua cheia todos os meses, não ocorre eclipse lunar mensalmente porque a órbita da Lua apresenta uma inclinação de aproximadamente cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre. Na maioria das luas cheias, o satélite passa acima ou abaixo da sombra da Terra.

Nesta madrugada, porém, o alinhamento será suficiente para levar praticamente toda a Lua para dentro da sombra mais escura do planeta.

Para quem pretende fotografar o fenômeno com celular, a recomendação é buscar apoio para evitar tremores, reduzir a exposição quando possível e utilizar o zoom com moderação. Quem tiver telescópio ou binóculo poderá acompanhar detalhes da sombra avançando sobre crateras e outras estruturas da superfície lunar.

Também não será necessário usar óculos de eclipse, vidro de soldador ou qualquer proteção para os olhos. Esses cuidados são fundamentais durante eclipses solares, quando olhar diretamente para o Sol pode causar graves lesões. No eclipse lunar, a observação direta é segura.

O Observatório Nacional também programou transmissão do fenômeno a partir das 23 horas, reunindo imagens produzidas por astrônomos profissionais e amadores. A transmissão serve como alternativa principalmente para pessoas que enfrentarem céu encoberto em suas cidades.

Quem perder o espetáculo desta madrugada terá de esperar por fenômenos menos expressivos nos próximos anos. Em 2027 haverá eclipses lunares penumbrais, muito mais discretos. Em janeiro de 2028 ocorrerá um eclipse parcial visível em todo o Brasil, mas apenas uma pequena fração da Lua será obscurecida.

Já um eclipse lunar total com boa visibilidade em todo o território brasileiro está previsto somente para a noite de 25 para 26 de junho de 2029.

Para os tocantinenses, portanto, a madrugada desta sexta-feira reserva uma oportunidade especial. A partir das 23h34, a mudança ficará claramente perceptível; por volta de 1h13 será o grande momento, com 96,2% da Lua mergulhada na sombra da Terra.

Se o céu colaborar, será uma madrugada para olhar para cima: quase toda a Lua desaparecerá sob a sombra do próprio planeta onde estamos, em um espetáculo que poderá ser acompanhado a olho nu de Palmas, Araguaína, Gurupi, Colinas do Tocantins e das demais cidades do Estado.

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