Eduardo Gomes sustenta liderança ao Senado e, ao lado da esposa Carla Gomes, faz de estrada, trabalho e família marcas da campanha
A disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado Federal entra em uma nova fase com Eduardo Gomes, do PL, mantendo posição de destaque nos levantamentos divulgados nesta reta de agosto. Enquanto a campanha acelera pelas estradas do Estado, o senador tenta transformar em capital eleitoral aquilo que considera seus principais ativos: experiência em Brasília, recursos destinados aos municípios, articulação política e uma presença cada vez mais próxima da população.
Ao lado dele, uma personagem também passou a aparecer com frequência nessa caminhada. Arlinda Carla Gomes, conhecida publicamente como Carla Gomes, acompanha o senador em agendas pelo interior, encontros comunitários e eventos políticos e sociais, acrescentando à campanha uma dimensão familiar que se soma à prestação de contas do mandato.
O cenário mais recente divulgado nesta quinta-feira, 27 de agosto, pelo Instituto VÓPE em parceria com o Jornal Primeira Página colocou Eduardo Gomes com 39% no resultado combinado das duas opções de voto para senador. Alexandre Guimarães apareceu com 25%, enquanto Eli Borges e Carlos Gaguim registraram 23% cada. Vanderlei Luxemburgo teve 17%, Paulo Mourão 14% e Ronaldo Dimas 12%.
A pesquisa ouviu 1.250 eleitores em 34 municípios das seis regiões do Tocantins entre 22 e 26 de agosto. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número TO-07046/2026. Como o eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, o VÓPE contabilizou separadamente a primeira e a segunda escolha e apresentou também o resultado combinado.
Nesse detalhamento, Eduardo Gomes alcançou 25% como primeira opção de voto e 14% como segunda escolha, chegando aos 39% combinados. Alexandre Guimarães marcou 14% e 11%, respectivamente. Eli Borges teve 13% e 10%, enquanto Gaguim apareceu com 12% e 11%.
Outro dado do VÓPE que interessa diretamente à estratégia das campanhas é a rejeição. Eduardo Gomes registrou 9%, abaixo dos 10% apontados na rodada anterior. Gaguim apresentou 21%, Paulo Mourão 14%, Alexandre Guimarães e Vanderlei Luxemburgo 8% cada. Os números ajudam a mostrar que, além de buscar ampliar a intenção de voto, os candidatos terão de administrar a capacidade de conquistar eleitores que ainda avaliam uma segunda opção para o Senado.
O desempenho de Eduardo também aparece em outros levantamentos recentes, embora os percentuais não devam ser comparados diretamente porque institutos podem utilizar metodologias e formas diferentes de apresentar as duas escolhas para o Senado.
Na pesquisa Real Time Big Data divulgada na quarta-feira, 26, Eduardo Gomes apareceu com 26% das intenções de voto, seguido por Alexandre Guimarães, com 18%. Gaguim marcou 10%, Vanderlei Luxemburgo 9%, Ronaldo Dimas 8%, Eli Borges 7% e Paulo Mourão 6%. Foram entrevistados 1.600 eleitores entre 21 e 25 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A Quaest, divulgada no dia 25, também colocou Eduardo numericamente à frente na combinação das duas vagas, com 14%, seguido de Gaguim, com 13%, e Paulo Mourão, com 9%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto e possui margem de erro de três pontos percentuais. Nesse caso, a proximidade entre os primeiros colocados exige considerar a margem de erro.
A sucessão de pesquisas mantendo Eduardo Gomes entre os primeiros nomes oferece à campanha uma fotografia favorável neste momento, mas está longe de significar eleição definida. A Quaest mostrou que 52% dos entrevistados ainda admitem mudar o voto para o Senado, um percentual suficiente para manter aberta a disputa pelas duas cadeiras. É nesse ambiente que Eduardo intensificou uma estratégia de campanha baseada em estrada.
Na última semana, o senador iniciou, ao lado de Professora Dorinha, um roteiro pelo Bico do Papagaio com previsão de passar por 15 municípios em quatro dias. Piraquê, Wanderlândia, Ananás, Araguatins, São Bento do Tocantins, Nazaré, Sítio Novo, Sampaio e Carrasco Bonito estiveram entre as cidades alcançadas pelas agendas do grupo.
A proposta das viagens não tem sido apenas realizar reuniões políticas. Eduardo tem levado para os encontros números de recursos destinados durante o mandato e procurado relacionar sua atuação em Brasília com obras, custeio da saúde, infraestrutura, máquinas e investimentos existentes nos próprios municípios.
Em Piraquê, por exemplo, sua equipe apresentou aproximadamente R$ 5,2 milhões em recursos destinados ao município durante o mandato. Entre os valores citados estão R$ 1,5 milhão para o Parque dos Buritis, além de investimentos em saúde, infraestrutura, estradas vicinais e apoio à produção rural.
Em Wanderlândia, o balanço apresentado pela equipe do senador chegou a aproximadamente R$ 14 milhões. Os recursos informados abrangem custeio da saúde, cirurgias eletivas, reforma de unidade básica, pavimentação de estrada vicinal, equipamentos, máquinas e construção de estrutura para feira municipal.
Esse formato revela o eixo central escolhido por Eduardo para defender sua permanência no Senado: mostrar ao eleitor que articulação política em Brasília pode ser transformada em dinheiro chegando aos municípios.
Para um senador que busca a reeleição, a prestação de contas assume peso diferente. O eleitor pode comparar promessa com histórico e perguntar o que efetivamente foi entregue durante os oito anos de mandato.
Eduardo ocupa uma cadeira no Senado desde 2019. Antes disso, exerceu três mandatos consecutivos como deputado federal e também foi vereador em Palmas. Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança e ampliou a interlocução com diferentes governos e bancadas no Congresso Nacional.
Essa longevidade política pode funcionar de duas maneiras durante uma eleição. De um lado, oferece experiência, relacionamentos e capacidade de articulação. De outro, aumenta a cobrança por resultados. É justamente por isso que a campanha passou a colocar os números das emendas e investimentos no centro das visitas pelo interior.
Na prática, Eduardo precisa demonstrar por que o eleitor deveria renovar seu mandato por mais oito anos.
A resposta que sua campanha tenta construir passa pelo municipalismo.
Ao invés de apresentar o Senado apenas como espaço de grandes debates nacionais, a narrativa procura mostrar que uma cadeira em Brasília também pode interferir na pavimentação de uma rua, na compra de uma máquina, na estrutura de uma unidade de saúde ou na execução de uma obra dentro de um município pequeno.
Nesse percurso, Carla Gomes assumiu presença cada vez mais visível.
Arlinda Carla Gomes não aparece apenas como acompanhante do senador. Advogada e ligada a iniciativas sociais, ela tem participado de ações voltadas à inclusão, famílias, mulheres e projetos sociais no Tocantins.
Em maio, Carla recebeu o título de Cidadã Palmense, em reconhecimento a sua atuação social e às atividades desenvolvidas no Estado. Também foi convidada para atuar como madrinha de honra do Instituto Mulher Tocantins, instituição voltada ao apoio de mulheres em tratamento e prevenção ao câncer e à criação de oportunidades para jovens.
Carla também é ligada a iniciativas de inclusão que carregam uma história pessoal da família. O Centro Sarah Gomes, criado em memória da filha do casal, foi estruturado como espaço voltado ao atendimento educacional especializado e à inclusão. O projeto recebeu recursos federais indicados por Eduardo Gomes e transformou uma experiência familiar em uma pauta pública ligada ao atendimento de pessoas neurodivergentes.
Na campanha, essa trajetória ajuda a construir um lado menos institucional de Eduardo.
Enquanto ele fala de orçamento, emendas, Brasília e articulação, Carla aparece ligada a temas sociais e ao contato com famílias. Os dois têm sido vistos juntos em agendas no interior bem antes do início formal da campanha eleitoral.
Em maio, o próprio Diário Tocantinense registrou Eduardo e Carla em compromissos em Itaporã e Colmeia, ao lado de Professora Dorinha e outras lideranças. Também estiveram juntos em Gurupi, Araguaína, Paraíso e municípios do Bico do Papagaio ao longo do ano.
Essa presença conjunta ganhou uma imagem simbólica já durante a campanha, em Piraquê.
O morador Francisco Cardoso levou para uma agenda uma fotografia feita com Eduardo Gomes aproximadamente 25 anos antes. O reencontro ocorreu na presença de Carla e de lideranças políticas da região. A imagem antiga acabou virando um retrato daquilo que a campanha tenta demonstrar: uma relação política construída ao longo de décadas, e não apenas durante o período eleitoral.
É um ativo importante, mas também uma responsabilidade.
Quanto maior o tempo de vida pública, maior a necessidade de apresentar resultados que justifiquem essa permanência. Por isso, a estratégia de recuperar vínculos antigos funciona melhor quando acompanhada pela apresentação de obras, recursos e ações recentes.
Eduardo também possui uma característica que pode ser importante em uma eleição na qual o eleitor terá dois votos para o Senado: capacidade de dialogar com grupos diferentes.
A campanha ocorre dentro de uma composição em que ele, filiado ao PL, caminha ao lado de Professora Dorinha, do União Brasil, candidata ao Governo, e divide palanques com lideranças de outras siglas.
No Bico do Papagaio, a caravana reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais de diferentes origens partidárias. Em Sítio Novo, por exemplo, um dos grandes atos da campanha reuniu Eduardo, Dorinha, o governador Wanderlei Barbosa, Gaguim e candidatos proporcionais da coligação.
Essa amplitude pode ser especialmente relevante na eleição para o Senado.
Diferentemente da disputa para governador, na qual existe apenas uma escolha, o tocantinense poderá votar em dois candidatos a senador. Isso permite combinações que atravessam alianças partidárias. Um eleitor pode escolher Eduardo Gomes como primeiro voto e um candidato de outro grupo como segundo.
Os próprios resultados do VÓPE demonstram essa dinâmica. Eduardo lidera tanto a primeira quanto a segunda opção no levantamento divulgado nesta quinta-feira.
O desafio é manter essa condição enquanto os demais candidatos também aceleram suas campanhas.
Alexandre Guimarães aparece competitivo em diferentes pesquisas. Gaguim disputa espaço entre os primeiros colocados. Eli Borges apresentou crescimento expressivo no VÓPE mais recente. Paulo Mourão, Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo também buscam consolidar segmentos próprios do eleitorado.
Não será, portanto, uma disputa simples.
O que diferencia Eduardo neste momento é chegar à reta final de agosto carregando simultaneamente três ativos: mandato, estrutura territorial e liderança numérica em levantamentos recentes.
A campanha tenta acrescentar um quarto elemento: proximidade. É onde entram a estrada e a família.
Em vez de limitar a imagem do candidato ao plenário do Senado, a estratégia passa por colocá-lo em praças, feiras, reuniões, cavalgadas, encontros religiosos, eventos populares e visitas a obras.
Carla Gomes participa desse movimento ao lado do marido e amplia uma presença construída principalmente em pautas sociais e familiares.
O resultado é uma campanha que busca combinar duas imagens: a de um senador com trânsito nacional suficiente para defender recursos em Brasília e a de um político que continua percorrendo municípios pequenos do Tocantins.
As próximas semanas mostrarão se essa fórmula será suficiente para conservar a vantagem apontada pelas pesquisas.
Até aqui, porém, Eduardo Gomes chega ao fim de agosto em uma posição relevante: aparece numericamente na frente em levantamentos recentes, mantém uma extensa agenda pelo interior e procura transformar cada passagem pelos municípios em prestação de contas do mandato.
Com Carla Gomes ao lado em parte dessa caminhada, a família também ganhou espaço na construção pública da campanha.
A estrada oferece o cenário. As entregas fornecem o argumento. As pesquisas mostram o momento eleitoral. E a presença de Carla acrescenta o componente familiar a uma campanha que tenta demonstrar que, depois de anos em Brasília, Eduardo Gomes ainda pretende fazer da proximidade com os municípios uma das principais justificativas para continuar representando o Tocantins no Senado Federal.