Quem é Eduardo Gomes? Das primeiras eleições em Palmas ao Senado, trajetória e votações ajudam a explicar sua força na política tocantinense
Carlos Eduardo Torres Gomes, conhecido politicamente como Eduardo Gomes, é hoje um dos nomes mais experientes da política tocantinense. Atual senador pelo Tocantins, primeiro vice-presidente do Senado Federal e candidato à reeleição em 2026 pelo PL, Gomes construiu uma trajetória que atravessa praticamente quatro décadas de vida pública, passando por administrações municipais, Câmara de Palmas, Câmara dos Deputados, Governo do Tocantins e Senado Federal.
Nascido em 28 de abril de 1966, em Estância, Sergipe, Eduardo Gomes construiu sua vida política no Tocantins. Ainda jovem, antes mesmo da criação oficial do Estado, já ocupava funções públicas. Em 1986, assumiu a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Xambioá, permanecendo no cargo até 1988. Posteriormente, também atuou em Araguaína na área de Educação e Cultura.
Com a criação do Tocantins pela Constituição Federal de 1988, Eduardo Gomes passou a acompanhar de perto a formação das estruturas políticas e administrativas do novo Estado. Entre 1989 e 1996, trabalhou como chefe de gabinete na Assembleia Legislativa, período em que ampliou sua relação com deputados estaduais, prefeitos e lideranças municipais.
Depois de cerca de uma década atuando nos bastidores da administração pública, decidiu disputar seu primeiro mandato eletivo. Em 1996, candidato a vereador de Palmas pelo então PPB, Eduardo Gomes recebeu 696 votos e foi eleito para a Câmara Municipal.
Era o começo de uma trajetória eleitoral que, com o passar dos anos, deixaria de ser restrita à Capital e alcançaria praticamente todo o Tocantins.
Dois anos depois, em 1998, Eduardo Gomes decidiu tentar chegar pela primeira vez à Câmara dos Deputados. Candidato pelo PSB, recebeu 4.003 votos. A votação não foi suficiente para garantir uma cadeira em Brasília, e ele ficou na suplência.
A primeira tentativa frustrada para deputado federal não interrompeu sua caminhada política. Eduardo voltou a concentrar esforços em Palmas e, em 2000, concorreu novamente a vereador, desta vez pelo PSDB.
Recebeu 1.107 votos e conquistou o segundo mandato na Câmara Municipal. Na comparação com os 696 votos obtidos em 1996, aumentou sua votação em 411 votos, crescimento de aproximadamente 59%.
Durante sua passagem pelo Legislativo palmense, Eduardo Gomes ganhou projeção política, chegou à presidência da Câmara Municipal e exerceu interinamente a Prefeitura de Palmas em 2002.
Ainda naquele ano, decidiu novamente disputar uma vaga de deputado federal. O resultado mostrou uma mudança significativa em sua força eleitoral. Se em 1998 havia recebido pouco mais de quatro mil votos, em 2002 chegou a 37.251 votos e conseguiu se eleger para a Câmara dos Deputados.
A vitória abriu uma nova fase de sua carreira. A partir de fevereiro de 2003, Eduardo Gomes passou a representar o Tocantins no Congresso Nacional e iniciou uma sequência de três mandatos consecutivos como deputado federal.
Em 2006, buscou a primeira reeleição para a Câmara Federal. Recebeu 33.664 votos e garantiu mais quatro anos de mandato. Mesmo registrando uma votação nominal um pouco menor do que a obtida em 2002, conseguiu permanecer entre os oito deputados federais eleitos pelo Tocantins.
Durante esse período, Eduardo Gomes começou a ocupar postos internos de maior relevância no Congresso. Foi vice-líder do PSDB, participou de diferentes comissões e integrou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Em 2010, disputou o terceiro mandato consecutivo de deputado federal e alcançou a maior votação de sua trajetória até então para o cargo. Eduardo Gomes recebeu 49.455 votos e terminou entre os deputados federais mais votados do Tocantins.
Foram quase 16 mil votos a mais do que havia recebido em 2006. O resultado consolidava uma base eleitoral que já ultrapassava Palmas e alcançava diferentes municípios do Estado.
A influência política dentro de Brasília também aumentava. Em fevereiro de 2011, Eduardo Gomes foi eleito primeiro-secretário da Câmara dos Deputados com 474 votos dos próprios parlamentares. A votação interna mostrou o trânsito que havia construído entre deputados de diferentes partidos.
A Primeira-Secretaria é um dos principais cargos administrativos da Câmara Federal e colocou o tocantinense diretamente na cúpula da Casa. Eduardo permaneceu na função até 2013.
Naquele ano, licenciou-se temporariamente do mandato para retornar ao Tocantins e assumir a Secretaria Estadual dos Esportes durante o governo de Siqueira Campos. Posteriormente, voltou à Câmara dos Deputados.
Depois de três mandatos consecutivos como deputado federal e 12 anos de atuação em Brasília, Eduardo Gomes decidiu que era o momento de disputar uma vaga no Senado.
Em 2014, lançou sua primeira candidatura ao cargo. A eleição se transformou em uma das disputas mais apertadas da história política recente do Tocantins.
Eduardo Gomes recebeu 276.120 votos, correspondentes a 40,77% dos votos válidos. Kátia Abreu terminou com 282.052 votos, ou 41,64%.
A diferença foi de apenas 5.932 votos.
Mesmo derrotado, Eduardo Gomes saiu daquela eleição com a maior votação nominal de sua carreira até então e demonstrando capacidade de disputar uma eleição majoritária praticamente voto a voto em todo o Estado.
Os números mostram a evolução eleitoral. Em 1996, ele havia começado com 696 votos para vereador. Em 1998, conseguiu 4.003 votos para deputado federal. Em 2000, recebeu 1.107 votos para vereador. Em 2002, saltou para 37.251 votos como deputado federal. Em 2006, foram 33.664. Em 2010, 49.455. Quatro anos depois, na primeira disputa ao Senado, chegou a 276.120 votos.
A derrota de 2014 não colocou fim ao projeto de chegar ao Senado. Eduardo Gomes manteve sua atuação política e, quatro anos depois, decidiu novamente disputar uma das vagas.
Em 2018, o cenário era diferente porque o Tocantins elegia dois senadores. Eduardo Gomes concorreu pelo Solidariedade e terminou a eleição na primeira colocação.
Foram 248.358 votos, equivalentes a 19,48% dos votos nominais para o Senado no Estado.
Irajá também foi eleito para a segunda vaga, com 214.355 votos. César Halum recebeu 184.235 votos, Vicentinho Alves chegou a 176.012, Ataídes Oliveira recebeu 170.012 e Paulo Mourão obteve 137.654 votos.
Apesar de Eduardo Gomes ter recebido em 2018 menos votos do que os 276.120 conquistados em 2014, a diferença estava no modelo daquela eleição. Em 2014, apenas uma vaga estava em disputa. Em 2018, cada eleitor podia escolher dois nomes para o Senado.
Depois de bater na trave quatro anos antes, Eduardo finalmente chegou ao Senado Federal e tomou posse em 1º de fevereiro de 2019 para um mandato de oito anos.
A partir daí, sua influência política nacional ganhou uma nova dimensão. Durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Gomes foi escolhido líder do Governo no Congresso Nacional.
O cargo o colocou entre os principais responsáveis pela articulação entre o Palácio do Planalto, Câmara dos Deputados e Senado. Entre suas atribuições estavam negociações envolvendo vetos presidenciais, orçamento, medidas provisórias e matérias analisadas pelo Congresso Nacional.
Durante a pandemia da Covid-19, Eduardo Gomes também participou de discussões relacionadas às medidas emergenciais e chegou a relatar matéria que destinava bilhões de reais para ações de enfrentamento à crise sanitária.
Sua passagem pela liderança do Governo ampliou ainda mais a rede de relações políticas construída desde os tempos de deputado federal.
Ao longo da carreira, Eduardo Gomes também passou por diferentes partidos. Esteve no PPB, PSB, PSDB, Solidariedade e MDB e atualmente integra o Partido Liberal, o PL.
Em fevereiro de 2025, alcançou mais um dos pontos altos de sua trajetória institucional ao ser eleito primeiro vice-presidente do Senado Federal na Mesa Diretora comandada por Davi Alcolumbre.
O cargo coloca Eduardo Gomes na segunda posição da estrutura hierárquica do Senado. Na ausência ou impedimento do presidente da Casa, cabe ao primeiro vice-presidente assumir a condução dos trabalhos.
Para um Estado que possui apenas três representantes no Senado e oito deputados federais, a presença de um parlamentar tocantinense em uma posição dessa dimensão aumenta a capacidade de articulação institucional do Tocantins em Brasília.
Em 2026, Eduardo Gomes volta novamente às urnas. Agora pelo PL e com o número 222, disputa a renovação do mandato por mais oito anos.
A eleição coloca diante dos tocantinenses não apenas um candidato, mas uma trajetória que começou quando o Tocantins ainda dava seus primeiros passos como Estado.
Eduardo Gomes passou pela administração municipal de Xambioá e Araguaína, trabalhou durante anos na Assembleia Legislativa, foi eleito duas vezes vereador de Palmas, presidiu a Câmara Municipal, assumiu interinamente a Prefeitura, disputou sua primeira eleição federal sem sucesso, voltou quatro anos depois e venceu, conquistou três mandatos consecutivos de deputado federal, ocupou a Mesa Diretora da Câmara e tentou chegar ao Senado.
Perdeu a primeira disputa para senador por apenas 5.932 votos, mas voltou quatro anos depois e terminou como o candidato mais votado para o cargo no Tocantins.
Em números, sua caminhada eleitoral registra 696 votos para vereador em 1996; 4.003 votos para deputado federal em 1998; 1.107 votos para vereador em 2000; 37.251 votos para deputado federal em 2002; 33.664 votos em 2006; 49.455 votos em 2010; 276.120 votos na primeira tentativa para o Senado em 2014; e 248.358 votos na eleição que finalmente o levou ao Senado em 2018.
São números de eleições diferentes e que não podem ser comparados de maneira simples, especialmente porque disputas para vereador, deputado federal e senador possuem universos eleitorais distintos. Ainda assim, eles ajudam a dimensionar a transformação de um político que começou buscando algumas centenas de votos em Palmas e posteriormente passou a disputar centenas de milhares de votos em todo o Tocantins.
Hoje, Eduardo Gomes chega à eleição de 2026 carregando duas características que seus aliados consideram seus principais ativos: experiência e capacidade de articulação.
Seus adversários, naturalmente, poderão questionar o que essa influência política e os anos de mandato produziram concretamente para a população. Esse confronto entre trajetória, entregas e renovação deverá fazer parte do debate eleitoral.
O fato é que poucos políticos tocantinenses permaneceram durante tanto tempo circulando pelos principais centros de decisão de Brasília.
Da primeira eleição com 696 votos em Palmas aos 248.358 votos que o levaram ao Senado, Eduardo Gomes construiu uma carreira marcada por derrotas, reeleições, mudanças partidárias, cargos estratégicos e uma rede política que ultrapassou as fronteiras do Tocantins.
Agora, em 2026, depois de chegar à Primeira Vice-Presidência do Senado, ele precisa novamente fazer aquilo que decidiu fazer pela primeira vez há 30 anos: voltar às ruas e convencer o eleitor a depositar seu voto na urna.