Segundo suplente deixa chapa de Eli Borges por razões pessoais; substituto pode vir do agronegócio

Segundo suplente deixa chapa de Eli Borges por razões pessoais; substituto pode vir do agronegócio
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 28 de agosto de 2026 12

A candidatura do deputado federal Eli Borges (Republicanos) ao Senado passou por uma mudança em sua composição nesta reta de agosto. Elson Ribeiro dos Santos, registrado como segundo suplente da chapa, apresentou à Justiça Eleitoral sua renúncia à candidatura, alegando razões pessoais. A decisão abre espaço para uma nova articulação e o nome escolhido para ocupar a vaga pode vir do agronegócio.

A renúncia foi formalizada em documento datado de quarta-feira, 26 de agosto, dentro do processo de registro da chapa de Eli Borges. Elson declarou expressamente que desistia de concorrer ao cargo de segundo suplente de senador por motivos pessoais.

Mesmo deixando a disputa, Elson continuará obrigado a prestar contas à Justiça Eleitoral em relação ao período em que sua candidatura permaneceu registrada. A renúncia não elimina as obrigações eleitorais referentes às movimentações realizadas enquanto integrava oficialmente a chapa.

Até a saída, a composição registrada tinha Eli Borges como candidato ao Senado, o empresário e pastor Suelismar Caetano Ferreira como primeiro suplente e Elson Ribeiro como segundo suplente. A composição também aparecia nos registros oficiais divulgados para as eleições de 2026.

Elson Ribeiro possui trajetória política no Bico do Papagaio. Ele já exerceu mandato de vereador em Tocantinópolis e também presidiu a União dos Vereadores do Tocantins, perfil que ajudava a chapa de Eli Borges a manter representação política naquela região do Estado.

A saída, portanto, não significa apenas a substituição formal de um nome. Abre uma oportunidade para a campanha reorganizar sua composição regional e também ampliar presença em um segmento considerado estratégico para a economia e para a política tocantinense.

A assessoria de Eli Borges confirmou que a segunda suplência está em negociação e informou que ainda não existe, até o momento, uma definição oficial sobre quem ocupará a vaga. A tendência apresentada pelo próprio grupo é de que o escolhido tenha ligação com o agronegócio.

A possível escolha de um representante do setor rural tem peso político. O Tocantins possui forte presença da pecuária, produção de grãos e cadeias ligadas ao agronegócio, e candidatos de diferentes grupos procuram estabelecer pontes com produtores, empresários rurais, sindicatos e lideranças do setor durante a campanha.

Para Eli Borges, um nome do agro também poderia complementar o perfil já existente na chapa. O primeiro suplente, Suelismar Caetano, é empresário e pastor da Assembleia de Deus Missão em Palmas. Eli, por sua vez, possui uma carreira política fortemente relacionada ao eleitorado cristão e conservador, embora também dialogue com o setor produtivo.

A entrada de alguém diretamente identificado com o agronegócio permitiria à campanha acrescentar outro eixo de representação à composição: religião, política e setor produtivo.

Isso não significa, entretanto, que qualquer nome esteja definido. Até a manhã desta sexta-feira, 28 de agosto, nas informações públicas consultadas pelo Diário Tocantinense, não havia anúncio oficial do substituto de Elson Ribeiro. Por isso, nomes que eventualmente estejam sendo discutidos nos bastidores não podem ser apresentados como integrantes da chapa antes da confirmação partidária e do registro correspondente.

A escolha do suplente de senador costuma receber menos atenção do eleitor durante uma campanha, mas tem importância institucional relevante. Diferentemente de uma suplência para deputado, os suplentes do Senado são eleitos juntamente com o titular e fazem parte diretamente de sua chapa.

O primeiro suplente pode assumir a cadeira em situações previstas constitucionalmente, como licença ou vacância. Caso também haja impossibilidade do primeiro, o segundo suplente integra a linha sucessória do mandato. Por isso, a definição não é apenas uma composição eleitoral para preencher uma exigência formal.

A mudança acontece em uma eleição especialmente disputada no Tocantins. Em 2026, duas das três cadeiras do Estado no Senado estão em jogo, o que colocou diferentes grupos políticos em movimento para estruturar chapas capazes de reunir força regional, eleitoral e partidária.

Eli Borges chega à disputa depois de uma longa trajetória no Legislativo. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi vereador de Palmas e exerceu sucessivos mandatos de deputado estadual. Está atualmente no mandato de deputado federal e tenta avançar para o Senado.

Sua candidatura pelo Republicanos também está inserida em um cenário político peculiar. O partido participa da chapa majoritária encabeçada por Professora Dorinha ao Governo do Tocantins, tendo Atos Gomes como candidato a vice-governador. Ao mesmo tempo, diferentes lideranças estaduais mantêm articulações próprias na disputa pelas duas cadeiras ao Senado.

A composição da suplência passa, portanto, a ter também valor estratégico dentro desse cenário. Um nome com inserção no agronegócio pode ajudar Eli a alcançar regiões onde a produção rural possui forte influência econômica e política e ampliar a campanha para além de sua tradicional base religiosa.

Mas essa decisão terá que ser observada também sob outro aspecto: quem será o novo suplente e qual será efetivamente sua contribuição política, eleitoral e regional para a candidatura.

A saída de Elson ocorre quando a campanha já está nas ruas, tornando a substituição uma decisão que precisa ser tomada rapidamente. Diferentemente do período de formação inicial das chapas, quando partidos possuem maior tempo para discutir perfis, agora existe calendário eleitoral correndo e necessidade de regularizar a composição junto à Justiça Eleitoral.

Por enquanto, uma coisa está definida: Elson Ribeiro não seguirá como segundo suplente de Eli Borges.

A outra parte da história ainda está sendo construída.

Se a tendência indicada pela própria assessoria se confirmar, Eli Borges poderá substituir um ex-vereador do Bico do Papagaio por uma liderança ligada ao agronegócio, mudando não apenas um nome na documentação eleitoral, mas também o perfil político de sua chapa.

A expectativa agora está em torno de quem será escolhido e de qual peso esse novo integrante terá numa disputa pelo Senado que promete ser uma das mais concorridas das eleições tocantinenses de 2026.

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