Do “Tchu Tcha Tcha” ao modão: Marcelo Martins prepara disco de sertanejo raiz e fecha ciclo do Surfnejo
Cantor trabalha em projeto com pot-pourris de clássicos sertanejos e prepara single inédito para completar repertório do Surfnejo
Conhecido nacionalmente pela voz de “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, Marcelo Martins prepara um novo capítulo da carreira. O cantor e compositor trabalha em um disco formado por pot-pourris de sertanejo raiz, ao mesmo tempo em que finaliza uma música inédita para completar o projeto Surfnejo.
A nova fase aproxima dois extremos de uma trajetória que atravessa diferentes momentos da música sertaneja. Marcelo passa pelo sertanejo universitário que dominou rádios e festas no início da década de 2010, experimenta posteriormente remixes e outras sonoridades e agora volta a colocar o modão no centro de um trabalho.
“Eu sempre ouvi sertanejo raiz. Antes de existir o Tchu Tcha Tcha, antes de tudo o que aconteceu na minha carreira, essa música já fazia parte da minha formação. Esse projeto nasce muito mais dessa memória do que de uma tentativa de voltar ao passado”, afirma Marcelo.
O repertório ainda está em construção, mas a proposta é reunir sucessos de diferentes períodos do sertanejo em pot-pourris. A intenção é preservar melodias e histórias conhecidas do público sem fazer uma reprodução automática das gravações originais.
Marcelo Martins prepara disco com pot-pourris de sertanejo raiz
O formato escolhido também estabelece uma ponte entre gerações. Em vez de concentrar o trabalho apenas em canções inéditas, Marcelo pretende revisitar músicas que permanecem no repertório de shows, bares, rodas de viola e encontros familiares mesmo décadas após os lançamentos originais.
A escolha ocorre em um momento no qual artistas de diferentes gerações também retomam o repertório tradicional. Em Goiás, projetos recentes voltados ao sertanejo raiz reúnem artistas contemporâneos e clássicos do gênero, movimento que mantém o chamado modão presente ao lado das novas vertentes do mercado.
Leia mais: Jads & Jadson celebram o sertanejo raiz com novo projeto em Goiânia
Marcelo já percorre esse caminho em sua discografia. Em 2021, lança “In Live 2 (Modões)”, projeto dedicado a músicas sertanejas. O catálogo do cantor também reúne trabalhos acústicos, singles inéditos e releituras de canções relacionadas à fase de João Lucas & Marcelo.
O novo disco, portanto, não representa uma mudança repentina de gênero. Funciona como uma ampliação de uma vertente já presente na carreira.
Sucesso com João Lucas & Marcelo atravessa gerações
A trajetória de Marcelo Martins permanece associada a um dos períodos de maior expansão comercial do sertanejo universitário.
Com João Lucas & Marcelo, o cantor alcança projeção nacional com “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”. A canção transforma a dupla em fenômeno popular no início da década passada e ganha repercussão também no futebol e na televisão. O próprio Globoplay identifica Marcelo como interprete faixa em conteúdo dedicado à trajetória do artista.
A música ainda ocupa posição de destaque no catálogo solo de Marcelo. No perfil do artista nas plataformas digitais, “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” aparece entre as faixas mais conhecidas, ao lado de trabalhos posteriores.
Outros títulos daquela fase também permanecem associados à carreira, entre eles “Louca Louquinha” e “Joga o Copo pro Alto”.
Mais de uma década depois, o novo projeto coloca Marcelo diante de um repertório que antecede justamente a geração do sertanejo universitário da qual ele participa.
“Eu tive a oportunidade de viver uma transformação muito grande do sertanejo. Vi a música sair de um formato, chegar às baladas, dialogar com DJs, com o futebol, com outros públicos. Agora tenho vontade de fazer um trabalho que também mostre de onde essa música vem”, afirma.
Surfnejo ganha última peça antes de novo projeto
O mergulho no sertanejo raiz ocorre paralelamente à conclusão de outro projeto de Marcelo Martins.
O cantor prepara um single inédito para completar o Surfnejo, conceito criado para aproximar o sertanejo de uma sonoridade ligada a temas como praia, natureza, relações humanas e leveza.
Uma das faixas que apresenta essa fase é “Reconectar”, lançada em junho de 2025. A gravação tem produção musical de Marcelo Martins e arranjos de Guilherme Bicalho. No canal oficial do cantor, a faixa aparece identificada como parte do Surfnejo.
Depois, “Cidade de Ouro” amplia o repertório do projeto e também passa a integrar o catálogo do artista nas plataformas digitais.
O novo single deve funcionar como o fechamento desse ciclo antes de Marcelo concentrar parte dos próximos lançamentos no projeto de modões.
“O Surfnejo surgiu de uma vontade de experimentar. Não quero abandonar essa liberdade. Mas existe outro Marcelo que gosta de sentar, ouvir uma moda antiga e simplesmente cantar. Acho que os dois podem existir ao mesmo tempo”, diz.
Entre a experimentação e o modão
A sequência dos projetos ajuda a explicar uma carreira que deixa de depender exclusivamente da memória de um hit.
Marcelo mantém “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” no repertório, mas passa a organizar os lançamentos em frentes distintas. O Surfnejo representa a experimentação. O novo disco recupera a ligação com o sertanejo tradicional.
Em março de 2026, o cantor também lança uma nova versão de “Musa”, música ligada à fase anterior da carreira, o que reforça outra linha presente em seus trabalhos recentes: revisitar o próprio catálogo enquanto apresenta material novo. A faixa aparece como o lançamento mais recente listado pela Apple Music no perfil oficial consultado.
O resultado é uma trajetória que, neste momento, trabalha simultaneamente com três tempos: os sucessos que projetaram Marcelo nacionalmente, as experiências musicais dos últimos anos e as referências do sertanejo que antecedem sua própria carreira.
“Não quero apagar nenhuma fase. Tudo faz parte da minha história. O que quero agora é conseguir mostrar ao público outras partes de quem eu sou musicalmente”, afirma Marcelo.
Ainda sem repertório completo divulgado, o disco de sertanejo raiz entra agora na etapa de definição das músicas e dos pot-pourris. Antes dele, Marcelo pretende apresentar o novo single que encerra o repertório do Surfnejo.