André Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal; diretor de Inteligência também é retirado do cargo
A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira, 8 de setembro.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Na mesma decisão, Mendonça também determinou o afastamento preventivo do delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial da PF.
A medida atinge, portanto, dois dos principais cargos da estrutura da Polícia Federal e aumenta ainda mais a tensão institucional que se formou nas últimas semanas entre integrantes do Supremo e a cúpula da corporação.
Mendonça cita necessidade de evitar interferências
Ao justificar a decisão, André Mendonça apontou a necessidade de evitar possíveis “constrangimentos ilegais” e garantir condições para que autoridades e servidores possam exercer suas funções sem interferências indevidas.
Os afastamentos têm caráter preventivo. Isso significa que, neste momento, a medida não representa condenação de Andrei Rodrigues ou Leandro Almada.
O caso ainda deverá produzir novos desdobramentos jurídicos e institucionais.
Relação entre Mendonça e cúpula da PF já estava desgastada
A decisão não surge em um cenário isolado.
Nas últimas semanas, o relacionamento entre André Mendonça e integrantes da direção da Polícia Federal ficou marcado por divergências sobre a condução de investigações e pelo tratamento de informações produzidas pela própria corporação.
O desgaste aumentou especialmente com os desdobramentos relacionados ao Banco Master e ao ex-controlador Daniel Vorcaro.
Relatórios da Polícia Federal e decisões tomadas no Supremo passaram a colocar no centro do debate nomes de autoridades de diferentes instituições, abrindo uma discussão sobre competência, autonomia da investigação, acesso a informações sigilosas e limites da atuação judicial.
Andrei também aparece no centro de disputa envolvendo caso Master
Antes da decisão desta terça-feira, o nome de Andrei Rodrigues já havia aparecido em documentos e discussões relacionados às investigações do caso Master.
Mensagens encontradas em materiais atribuídos a Daniel Vorcaro passaram a ser analisadas dentro das apurações e provocaram novos questionamentos sobre relações e contatos envolvendo diferentes autoridades.
A existência de uma referência ou citação em mensagens, entretanto, não representa automaticamente comprovação de participação em irregularidade.
Esse ponto será fundamental para a continuidade das investigações.
Partido Novo já havia pedido afastamento
Dias antes da decisão, o Partido Novo havia encaminhado ao Supremo pedido para que Andrei Rodrigues fosse afastado cautelarmente da direção-geral da Polícia Federal.
A legenda também protocolou posteriormente pedido de prisão preventiva do diretor-geral.
Os pedidos foram apresentados em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master.
O simples fato de uma legenda apresentar um pedido não significa que todas as alegações apresentadas estejam comprovadas. Caberá às instituições responsáveis avaliar as provas, os argumentos das partes e os limites jurídicos de cada medida.
Crise ganha nova dimensão
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal leva uma disputa que já movimentava os bastidores de Brasília diretamente para a estrutura de comando de uma das instituições mais importantes do país.
Andrei Rodrigues estava à frente da Polícia Federal desde 2023.
A PF possui papel central em investigações de crimes federais, corrupção, lavagem de dinheiro, organizações criminosas e casos que alcançam autoridades com foro privilegiado.
Por isso, qualquer mudança na direção-geral da corporação possui impacto institucional relevante.
Diretor de Inteligência também é atingido
Além de Andrei, André Mendonça afastou preventivamente Leandro Almada.
Almada ocupa a Diretoria de Inteligência Policial, uma das áreas estratégicas da instituição e responsável pelo tratamento de informações utilizadas em investigações de alta complexidade.
O afastamento simultâneo do diretor-geral e do diretor de Inteligência aumenta a dimensão da decisão tomada pelo ministro.
E o que acontece agora?
A decisão deve provocar reações dentro da Polícia Federal, do governo federal e do próprio Supremo Tribunal Federal.
Também deverá aumentar a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, que já vinha acompanhando o confronto institucional envolvendo André Mendonça, Alexandre de Moraes, a Procuradoria-Geral da República e a direção da PF.
O ponto central agora será saber por quanto tempo os afastamentos permanecerão em vigor, quem assumirá as funções na corporação e quais novos elementos serão apresentados nos processos.
O Diário Tocantinense acompanha os desdobramentos.