Alerta no norte do Tocantins: análise encontra E. coli, coliformes e ausência de cloro em água de aldeia indígena
Uma análise realizada na água utilizada pela comunidade indígena da Aldeia Kurehê, em Santa Fé do Araguaia, no norte do Tocantins, acendeu um alerta sobre as condições de abastecimento no local. O exame identificou presença da bactéria Escherichia coli, coliformes totais e ausência de cloro em uma amostra retirada de uma torneira da escola indígena.
A amostra foi coletada na Escola Estadual Indígena Waxiho Bedu, que atende a comunidade Karajá Xambioá. O teste foi solicitado pela Vigilância Sanitária de Santa Fé do Araguaia depois de relatos envolvendo problemas na qualidade da água.
A coleta ocorreu no dia 20 de agosto em uma torneira próxima ao reservatório da unidade. O resultado apontou condição insatisfatória para consumo humano em razão da presença de E. coli.
A Escherichia coli é utilizada como importante indicador de contaminação microbiológica da água. A presença da bactéria, associada aos coliformes e à ausência de cloro verificada no momento da coleta, levou os órgãos responsáveis a recomendar medidas para evitar o consumo da água até que sua segurança seja novamente atestada.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, cerca de 50 indígenas vivem na Aldeia Kurehê. O cacique Teovaldo Moreira Karajá relatou que os problemas relacionados ao abastecimento não seriam recentes e cobrou uma solução definitiva.
Após o resultado, a Vigilância Sanitária encaminhou orientações para adoção de medidas como tratamento da água, limpeza do reservatório, manutenção de níveis adequados de cloro e proteção da área de captação e armazenamento.
A Secretaria de Estado da Educação informou que está implantando um poço artesiano para atender a escola. Enquanto a intervenção não for concluída, a Seduc afirmou que fornecerá água mineral para os estudantes e para a comunidade escolar.
A Secretaria de Estado da Saúde também acompanha o caso e recomendou que seja utilizada uma fonte segura para consumo e preparo de alimentos até que novas análises confirmem que a água se encontra dentro dos padrões de potabilidade.
O Distrito Sanitário Especial Indígena Tocantins informou que acompanha a situação e que fornece hipoclorito de sódio a 2,5% e filtros de barro para utilização pelos moradores. Segundo o DSEI, até o momento não foram registrados agravos à saúde diretamente associados à qualidade da água analisada.
A situação também reacende o debate sobre infraestrutura e acesso a serviços básicos nas comunidades indígenas do norte do Tocantins. O Diário Tocantinense já mostrou outras situações envolvendo Santa Fé do Araguaia e comunidades indígenas da região.
O DT também acompanha há anos as demandas do município, que possui comunidades indígenas e enfrenta desafios relacionados à infraestrutura e prestação de serviços. Em reportagem anterior, o Diário Tocantinense mostrou ações e investimentos realizados em Santa Fé do Araguaia.
Agora, a prioridade é garantir uma fonte segura de água até que o novo sistema seja concluído e exames posteriores confirmem que o abastecimento voltou a atender aos padrões exigidos para consumo humano.
O espaço do Diário Tocantinense permanece aberto para manifestação da comunidade indígena, da Prefeitura de Santa Fé do Araguaia, do Governo do Tocantins e dos demais órgãos envolvidos, além de futuras atualizações sobre a qualidade da água na Aldeia Kurehê.