Caso Vorcaro chega ao meio evangélico: documentos revelam relações com Lagoinha e movimentação de R$ 57 milhões; entenda a repercussão no TO
Relatório do Coaf aponta movimentações consideradas atípicas em unidade da Lagoinha administrada por cunhado de Daniel Vorcaro; até o momento, não há comprovação pública de envolvimento de igreja do Tocantins.
O caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nome central das investigações relacionadas ao Banco Master, passou a alcançar também o meio evangélico após documentos revelarem movimentações financeiras consideradas atípicas em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha.
Segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a conta da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
A unidade era administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Zettel passou a ser citado nas investigações como personagem ligado à movimentação financeira que está sob análise das autoridades.
Dos valores identificados pelo Coaf, milhões passaram por operações associadas à unidade religiosa e a empresas. O volume chamou atenção pela diferença em relação à movimentação financeira que seria normalmente esperada para a instituição.
A Lagoinha Global afirmou não ter conhecimento prévio da dimensão das movimentações e destacou que suas unidades possuem autonomia administrativa e financeira. A instituição também informou que pretende colaborar com esclarecimentos às autoridades.
As relações entre a família Vorcaro e integrantes da Lagoinha não começaram agora. Reportagens anteriores já mostraram proximidade histórica entre membros das famílias, participação em atividades religiosas e relações pessoais com lideranças da denominação.
O caso repercute fortemente no meio evangélico brasileiro pela dimensão nacional da Lagoinha e pela projeção de líderes como André Valadão.
No Tocantins, onde o eleitorado evangélico tem presença expressiva e igrejas participam ativamente do debate público, a revelação também passou a ser acompanhada com atenção. Entretanto, até o momento, o Diário Tocantinense não encontrou documentação pública que vincule diretamente uma igreja da Lagoinha instalada no Tocantins à movimentação de R$ 57,1 milhões investigada pelo Coaf.
O ponto é importante: a movimentação mencionada nos documentos se refere à unidade de Belvedere, em Belo Horizonte. Uma eventual existência de templos da mesma denominação em outras unidades da Federação não significa participação nos fatos investigados.
O DT continuará acompanhando as investigações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e as pessoas e instituições mencionadas nos documentos oficiais.