PF dá posse nesta quarta a Fernando Paganelli no Tocantins; delegado já comandou combate ao crime organizado no Estado

PF dá posse nesta quarta a Fernando Paganelli no Tocantins; delegado já comandou combate ao crime organizado no Estado
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de setembro de 2026 8

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira, 23, em Palmas, a cerimônia de posse do delegado Fernando Paganelli Rodrigues como novo superintendente regional da instituição no Tocantins. A solenidade está marcada para as 11h, no auditório da Justiça Federal, e formaliza a chegada ao comando estadual de um delegado que já teve diferentes passagens pelo Tocantins, inclusive à frente da área de investigação e combate ao crime organizado.

Paganelli já vinha exercendo o comando da Superintendência após sua nomeação, anunciada no fim de agosto. Ele substitui o delegado Reginaldo Donizetti Gallan Batista, que estava à frente da unidade tocantinense desde fevereiro de 2023 e foi indicado para assumir a Adidância da Polícia Federal no Equador. A própria PF já apresenta Fernando Paganelli como superintendente regional do Tocantins em sua estrutura oficial.

Levantamento feito pelo Diário Tocantinense mostra que o novo chefe da PF no Estado tem uma carreira de mais de duas décadas dentro da segurança pública e já passou por diferentes unidades e áreas estratégicas da corporação.

Fernando Paganelli é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, onde concluiu a graduação em 2000. Possui especializações em Ciências Penais e em Limites Constitucionais da Investigação no Brasil. No currículo constam ainda cursos relacionados a inteligência estratégica, investigação e combate ao crime organizado, crimes eleitorais, crimes cibernéticos, técnicas operacionais, segurança de autoridades e atuação policial.

Antes mesmo de ingressar na Polícia Federal, Paganelli passou pelo Exército Brasileiro. Entre 1995 e 1998, atuou como segundo-tenente da reserva de Infantaria no 28º Batalhão de Infantaria Blindada. Depois, trabalhou como escrivão da Polícia Civil de São Paulo, entre 1998 e 2002, com atuação em delegacias de Campinas. Em seguida, passou pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Sua história na Polícia Federal começou em 2003, inicialmente como escrivão. Em 2005, passou a atuar como agente de Polícia Federal e permaneceu na função até 2009. Naquele ano, ingressou na carreira de delegado federal, após concluir o curso de formação profissional em primeiro lugar na turma regional, de acordo com currículo oficial disponibilizado pela instituição.

Como delegado, trabalhou inicialmente em Mato Grosso do Sul, em áreas relacionadas a crimes fazendários, repressão a entorpecentes e investigação criminal. Foi justamente depois dessa passagem que chegou ao Tocantins para assumir uma das funções de maior peso operacional da PF no Estado.

Entre 2013 e 2015, Paganelli ocupou o cargo de delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Superintendência da Polícia Federal no Tocantins. O período colocou o delegado diretamente em investigações consideradas sensíveis conduzidas pela corporação no Estado.

Uma delas foi a Operação Gaia, deflagrada em junho de 2014. Paganelli participou da investigação ao lado do delegado Rildo Rodrigues Lima. À época, a PF informou que a operação investigava um esquema de cobrança de propina relacionado a assentamentos do Incra no Tocantins. A ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Palmas e outros locais.

Depois dessa primeira passagem pelo Tocantins, Paganelli exerceu funções no Espírito Santo, em Goiás e na Paraíba. Entre 2017 e 2018, comandou também a área regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF na Paraíba.

O delegado retornou posteriormente ao Tocantins. Em 2019, chefiou a Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas. Em 2020, passou pela área de migração e também exerceu função ligada à representação da Interpol no Tocantins.

A carreira seguiu posteriormente para funções na estrutura central da Polícia Federal, em Brasília. Paganelli passou pela Coordenação de Proteção à Pessoa, por áreas de gestão de pessoal e, mais recentemente, pela Diretoria-Executiva da corporação. Antes de ser enviado novamente ao Tocantins para assumir a Superintendência, ocupava o cargo de coordenador-geral de Apoio Operacional da Diretoria-Executiva da Polícia Federal, a CGAP/Direx.

A nomeação representa, portanto, um retorno de Paganelli ao Estado onde já exerceu funções operacionais em pelo menos três diferentes momentos da carreira.

O Diário Tocantinense também buscou informações sobre uma eventual ligação entre Fernando Paganelli Rodrigues e o atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues.

Apesar de ambos terem “Rodrigues” no sobrenome, a apuração não encontrou registro público que indique parentesco entre Paganelli e Andrei. Também não foi localizada documentação que permita afirmar a existência de uma relação familiar ou pessoal entre os dois. A ligação comprovável até aqui é profissional e institucional, dentro da estrutura da Polícia Federal.

Andrei Rodrigues ocupa atualmente a Direção-Geral da PF, enquanto Paganelli esteve nos últimos anos em áreas da administração central da corporação, incluindo a Diretoria-Executiva, antes de assumir o comando tocantinense. A estrutura oficial da Polícia Federal mantém Andrei na Direção-Geral e Paganelli na Superintendência do Tocantins.

Há, porém, um episódio recente que demonstra alinhamento institucional público. Em 9 de setembro deste ano, Fernando Paganelli apareceu entre os superintendentes regionais da Polícia Federal que subscreveram uma manifestação de apoio ao diretor-geral Andrei Rodrigues e ao delegado Leandro Almada da Costa, em meio a uma controvérsia envolvendo a direção da corporação. Paganelli foi identificado no documento como superintendente regional da PF no Tocantins.

Esse registro comprova uma manifestação institucional de apoio, mas, isoladamente, não permite concluir que exista relação pessoal, parentesco ou que a escolha de Paganelli para o Tocantins tenha ocorrido por esse motivo.

No comando da Superintendência do Tocantins, Fernando Paganelli passa a coordenar uma estrutura responsável por investigações envolvendo matérias de competência federal no Estado, incluindo ações relacionadas ao crime organizado, tráfico de drogas e armas, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais e delitos praticados contra bens, serviços ou interesses da União.

A chegada ocorre ainda em pleno período eleitoral, momento em que a Polícia Federal também atua na prevenção e investigação de crimes relacionados às eleições, em articulação com a Justiça Eleitoral e outras instituições. O próprio currículo do novo superintendente registra formação específica em gestão de investigação de crimes eleitorais.

A cerimônia desta quarta-feira será realizada às 11h no auditório da Justiça Federal — Seção Judiciária do Tocantins, localizado na Quadra 201 Norte, Conjunto 01, Lote 02A, no Plano Diretor Norte, em Palmas.

A solenidade será aberta à cobertura jornalística e profissionais de imprensa poderão realizar a captação de imagens. A Polícia Federal informou, no entanto, que não haverá entrevistas coletivas nem individuais com as autoridades presentes em razão das restrições de comunicação institucional vigentes durante o período eleitoral.

Com a posse formal, Fernando Paganelli passa a ocupar uma das principais funções da estrutura federal de segurança pública no Tocantins, agora retornando ao Estado não como responsável por uma delegacia especializada, mas como chefe de toda a Superintendência Regional da Polícia Federal.

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