Arruda fora, Celina à frente: o que pode mudar a eleição no DF?

Arruda fora, Celina à frente: o que pode mudar a eleição no DF?
Pesquisas, saída de Arruda e disputa pelo Buriti. Entenda o cenário eleitoral do Distrito Federal na véspera da votação.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 6

A eleição para o Governo do Distrito Federal chega ao primeiro turno, neste domingo (4), após uma campanha marcada pela retirada judicial de José Roberto Arruda (PSD), pela reorganização das candidaturas e pelo debate sobre a continuidade da administração do Palácio do Buriti.

Os três levantamentos divulgados na última semana de setembro e no início de outubro colocam a governadora Celina Leão (PP) à frente nas intenções de voto. Leandro Grass (PT) ocupa a segunda posição nas pesquisas, enquanto Paula Belmonte (PSDB) aparece em terceiro.

O Datafolha, em levantamento publicado em 2 de outubro, registra Celina com 53% dos votos válidos, contra 26% de Grass e 10% de Paula Belmonte. O percentual de Celina supera a metade dos votos válidos na estimativa central da pesquisa, mas não constitui resultado eleitoral.

A configuração atual da disputa representa uma mudança em relação ao início da campanha. Arruda deixou a eleição após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e os candidatos passaram a disputar um eleitorado que já havia declarado preferência pelo ex-governador.

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Pesquisas eleitorais: o que mostram os três levantamentos

A comparação entre Datafolha, Quaest e Real Time Big Data apresenta o cenário encontrado pelos institutos nos últimos dias da campanha.

Intenção de voto para o Governo do DF

Candidato Datafolha Quaest Real Time
Celina Leão (PP) 46% 39% 47%
Leandro Grass (PT) 22% 23% 26%
Paula Belmonte (PSDB) 9% 9% 10%
Ricardo Cappelli (PSB) 3% 3% 4%
Kiko Caputo (Novo) 3% 2% 1%

Fonte: pesquisas estimuladas, considerando os votos totais, inclusive as respostas de eleitores que declararam intenção de votar em branco ou nulo. Os levantamentos possuem metodologias e períodos de coleta distintos.

No Datafolha, quando a conta considera somente os votos válidos, Celina chega a 53%. Grass registra 26%; Paula Belmonte, 10%; Cappelli e Caputo, 3% cada. As demais candidaturas têm percentuais iguais ou inferiores a 1%.

A diferença entre votos totais e votos válidos exige atenção. Para a eleição de governador, a Justiça Eleitoral desconsidera os votos brancos e nulos na definição da maioria necessária à vitória em primeiro turno.

Na pesquisa Datafolha, realizada entre 28 e 30 de setembro, foram entrevistados 910 eleitores. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é DF-00905/2026.

O levantamento também identificou um dado relevante: 29% dos entrevistados afirmaram que ainda poderiam mudar sua escolha para governador. Na consulta espontânea, quando os pesquisadores não apresentam os nomes dos concorrentes, 30% não mencionaram uma opção de voto.

A Quaest, divulgada em 29 de setembro, ouviu 1.104 pessoas entre os dias 25 e 28. A margem de erro é de três pontos percentuais, com registro DF-02515/2026.

Já a Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores entre 24 e 28 de setembro. O levantamento, registrado sob o número DF-04637/2026, possui margem de erro de dois pontos percentuais.

A comparação não deve ser interpretada automaticamente como crescimento ou queda de determinado candidato, porque os institutos utilizam amostras, períodos e procedimentos próprios.

Consulta externa: relatório do Datafolha.

Saída de Arruda alterou a configuração da campanha

Um dos acontecimentos centrais da eleição ocorreu em 24 de setembro.

Por cinco votos a dois, o Tribunal Superior Eleitoral manteve o indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda, confirmando a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.

O julgamento considerou condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa relacionados à Operação Caixa de Pandora. A defesa sustentava que alterações na Lei da Ficha Limpa permitiriam o registro da candidatura, argumento que não prevaleceu na decisão majoritária.

O resultado determinou o encerramento da condição de candidato sub judice, com consequências para a campanha e o acesso aos recursos eleitorais.

A importância política da decisão aparece na pesquisa Quaest. No cenário que ainda incluía Arruda, Celina registrava 36%, Grass tinha 22% e o ex-governador aparecia com 12%.

Na simulação sem Arruda, Celina alcançava 39%, Grass registrava 23% e Paula Belmonte aparecia com 9%.

Esses números demonstram que a retirada de uma candidatura alterou as alternativas apresentadas aos eleitores. Entretanto, não permitem afirmar que todos os votos anteriormente destinados a Arruda migraram para uma mesma concorrente.

Outro elemento foi o posicionamento do PSD. Paulo Octávio, presidente regional da legenda, anunciou apoio a Celina. A decisão, entretanto, não representou consenso entre os integrantes do partido. O próprio Arruda declarou que não apoiaria a governadora.

A fragmentação desse grupo passou a integrar a configuração política da reta final.

Consulta externa: leia a decisão divulgada pelo TSE.

Celina Leão e o peso da continuidade administrativa

Celina assumiu o Governo do Distrito Federal em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o cargo para cumprir as exigências eleitorais necessárias à disputa de outro mandato.

A passagem de vice-governadora a chefe do Executivo colocou Celina simultaneamente na condição de candidata à reeleição e responsável pela administração distrital.

Sua candidatura reúne partidos como PP, União Brasil, MDB, PL e Republicanos, entre outras legendas integrantes da coligação.

O plano de governo apresentado para o período de 2027 a 2030 contempla saúde, educação, habitação, mobilidade, segurança pública, desenvolvimento econômico e gestão administrativa.

Na área de mobilidade, por exemplo, a proposta prevê expansão do metrô, implantação de novos projetos de transporte coletivo e ampliação gradual da gratuidade para determinados públicos.

A avaliação do governo constitui outro indicador importante para compreender a eleição.

Segundo o Datafolha, 53% dos entrevistados aprovam o trabalho de Celina, enquanto 38% desaprovam. Na avaliação por conceitos, 32% classificam a administração como ótima ou boa, 35% como regular e 29% como ruim ou péssima.

São indicadores diferentes: aprovação administrativa não equivale automaticamente a intenção de voto, assim como avaliação regular não representa necessariamente rejeição eleitoral.

Consulta externa: informações da Câmara Legislativa sobre a posse de Celina Leão.

Leandro Grass retorna à disputa pelo Buriti

Leandro Grass concorre novamente ao Governo do Distrito Federal, desta vez pelo PT.

Em 2022, quando disputou o cargo pelo PV, recebeu 434.587 votos, equivalentes a 26,25% dos votos válidos. Ibaneis Rocha foi reeleito naquela ocasião com 832.633 votos, ou 50,30%.

A comparação histórica revela que Grass já disputou uma eleição majoritária contra o grupo político que permanece à frente da administração distrital.

Em 2026, sua campanha apresentou propostas relacionadas à reorganização da saúde pública, ampliação do ensino integral, mobilidade urbana e transporte coletivo.

Entre as medidas anunciadas estão a implantação gradual da tarifa zero, a ampliação das linhas e dos horários dos ônibus e a criação de um sistema público de acompanhamento das filas de atendimento médico.

Grass também concentrou parte das críticas ao governo nas operações do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master, tema que passou a ocupar espaço nos debates eleitorais.

A rejeição eleitoral aparece como outro indicador de sua campanha. O Datafolha aponta que 34% dos entrevistados declararam que não votariam no petista, contra 30% que manifestaram rejeição a Celina.

Os percentuais ajudam a contextualizar as dificuldades de expansão das candidaturas, mas não autorizam projetar o comportamento dos eleitores que ainda não definiram seus votos.

Consulta externa: resultado da eleição de 2022 divulgado pelo TSE.

Paula Belmonte, Cappelli e a disputa por outros segmentos do eleitorado

Paula Belmonte (PSDB) apresentou uma candidatura voltada à defesa de mudanças administrativas, educação, políticas de primeira infância e transparência na gestão pública.

Seu programa propõe ampliação gradual da educação integral, medidas de recomposição da aprendizagem, investimentos em infraestrutura escolar e fortalecimento dos mecanismos de prestação de contas.

Ricardo Cappelli (PSB), por sua vez, concentrou parte de suas propostas na reorganização dos serviços públicos, especialmente da saúde.

Entre os compromissos apresentados está o enfrentamento das filas de consultas, exames e cirurgias, com revisão dos processos administrativos e ampliação da capacidade de atendimento.

Kiko Caputo (Novo) também participou da disputa com propostas ligadas à gestão pública, valorização dos servidores e segurança.

A presença dessas candidaturas demonstra que a campanha não se resumiu à polarização entre PP e PT. Entretanto, os levantamentos registraram diferenças expressivas entre os percentuais dos dois primeiros colocados e os demais concorrentes.

Para essas candidaturas, a comparação entre propostas, capacidade administrativa e utilização de recursos públicos constitui parte do debate submetido ao eleitor.

Crise do BRB tornou-se tema da reta final

As operações envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master passaram a integrar as críticas dirigidas à atual administração do Distrito Federal.

No debate promovido pela TV Globo, em 30 de setembro, os adversários questionaram a governadora sobre a situação financeira do banco e cobraram esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo governo.

Celina não participou do encontro. Sua justificativa pública foi a avaliação de que seria alvo de ataques injustos na reta final da campanha.

A discussão sobre o BRB envolve uma questão administrativa que ultrapassa a disputa eleitoral: os impactos das operações financeiras sobre o banco público, seu patrimônio e a capacidade de financiamento de políticas de desenvolvimento regional.

As acusações apresentadas pelas candidaturas precisam ser diferenciadas de responsabilidades individuais comprovadas por investigações ou decisões judiciais.

Para a população, permanece a necessidade de conhecer a situação financeira da instituição, as medidas de recuperação propostas e os eventuais efeitos sobre os recursos públicos.

O Distrito Federal pode ter segundo turno?

A legislação eleitoral determina que a eleição para governador somente termina no primeiro turno quando um candidato alcança mais da metade dos votos válidos.

Caso nenhum concorrente atinja esse percentual, os dois mais votados disputam uma nova votação, marcada para 25 de outubro.

As pesquisas também testaram um confronto entre Celina Leão e Leandro Grass.

No Datafolha, a simulação registrou 55% das intenções de voto para Celina e 32% para Grass. Outros 9% declararam intenção de votar em branco ou nulo, e 4% estavam indecisos.

A Quaest apresentou 54% para Celina e 31% para Grass, considerando os votos totais. Já a Real Time Big Data registrou 53% e 33%, respectivamente.

Esses percentuais descrevem as respostas obtidas nos levantamentos. Não representam apuração, transferência efetiva de votos ou resultado antecipado.

A existência de eleitores que admitem mudar sua escolha, somada aos efeitos do comparecimento às urnas, impede tratar a fotografia das pesquisas como equivalente ao resultado oficial.

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O que a eleição do DF coloca em discussão

A eleição de 2026 reúne questões distintas para o eleitorado do Distrito Federal: a continuidade da administração atual, as propostas de reorganização dos serviços públicos, a situação financeira do BRB e os efeitos da decisão judicial que retirou Arruda da disputa.

Os levantamentos da reta final registram diferenças entre as candidaturas, mas também identificam parcelas de eleitores que ainda admitem alterar sua decisão.

O histórico eleitoral de 2022, a avaliação do governo e os programas apresentados em 2026 constituem elementos de comparação, sem substituir a apuração oficial.

Neste domingo, o eleitor definirá quem comandará o Governo do Distrito Federal pelos próximos quatro anos ou se a escolha dependerá de um segundo turno.

A partir do encerramento da votação, o Diário Tocantinense acompanhará a totalização dos votos com informações oficiais da Justiça Eleitoral, por meio de sua estrutura especial de cobertura nacional.

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