Lula pode vencer no primeiro turno? Pesquisa coloca presidente a 2,2 pontos da maioria absoluta

Lula pode vencer no primeiro turno? Pesquisa coloca presidente a 2,2 pontos da maioria absoluta
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 8

CNT/MDA registra petista com 47,8% dos votos válidos e amplia discussão sobre definição da eleição neste domingo; comparecimento, eleitores dos candidatos menores e mobilização regional podem alterar resultado

A eleição presidencial de 2026 chega à véspera do primeiro turno com uma possibilidade que permanece no cálculo político: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode conquistar a reeleição já neste domingo (4), sem necessidade de enfrentar Flávio Bolsonaro (PL) em uma segunda votação. O levantamento CNT/MDA divulgado neste sábado (3) coloca o presidente com 47,8% dos votos válidos, a 2,2 pontos percentuais da marca de 50%.

Flávio Bolsonaro aparece com 42,1%, uma diferença de 5,7 pontos em relação ao atual presidente.

O resultado não representa uma projeção de vitória de Lula no primeiro turno. Entretanto, a proximidade da maioria absoluta, a existência de eleitores que admitem mudar de candidato e as diferenças regionais de comparecimento mantêm a possibilidade eleitoral em discussão.

Na pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro, Lula apresentou 45% dos votos válidos, diante de 40% de Flávio. O levantamento também identificou que 17% dos entrevistados que declararam uma preferência ainda poderiam mudar de voto.

A campanha chega, portanto, às últimas horas com uma disputa concentrada entre os dois principais candidatos, mas sem que os levantamentos permitam antecipar se o resultado será definido em 4 ou 25 de outubro.

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CNT/MDA coloca Lula próximo da maioria absoluta

A pesquisa CNT/MDA divulgada neste sábado apresenta a seguinte distribuição das intenções de voto válidas:

Candidato Votos válidos
Lula (PT) 47,8%
Flávio Bolsonaro (PL) 42,1%
Augusto Cury (Avante) 3,6%
Ronaldo Caiado (PSD) 3,4%
Renan Santos (Missão) 1,7%
Romeu Zema (Novo) 0,9%
Outros candidatos 0,6%

A soma dos percentuais pode apresentar pequena diferença de arredondamento.

Considerando o total de entrevistados, incluindo brancos, nulos e indecisos, Lula registra 43,1%, enquanto Flávio aparece com 38%.

O levantamento ouviu 2.002 eleitores presencialmente, entre 29 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi contratada pela Confederação Nacional do Transporte e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04756/2026.

Confira os dados da CNT/MDA publicados pela CNN Brasil.

O que falta para Lula vencer no primeiro turno?

Pela legislação brasileira, um candidato à Presidência precisa obter mais da metade dos votos válidos para vencer na primeira votação.

Isso significa que Lula necessita ultrapassar 50% na totalização oficial, desconsiderados os votos brancos e nulos.

Na fotografia apresentada pela CNT/MDA, o presidente está a 2,2 pontos percentuais dessa marca.

A diferença pode ser influenciada pela distribuição final das intenções de voto entre as candidaturas menos competitivas, pelas mudanças de preferência registradas nas últimas horas e pelo comparecimento efetivo do eleitorado.

A participação dos candidatos que aparecem atrás de Lula e Flávio também é relevante. Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema concentram juntos uma parcela do eleitorado suficiente para influenciar a possibilidade matemática de definição da eleição no primeiro turno.

Isso não significa que os votos desses candidatos migrarão automaticamente para Lula ou Flávio.

Para compreender o resultado, também será necessário observar se os eleitores manterão suas preferências declaradas nas pesquisas e como se distribuirá a abstenção nas diferentes regiões do país.

Entrevista com Andreia Souto: os fatores que podem decidir a eleição

Em entrevista concedida à jornalista Fernanda Cappellesso, a cientista política Andreia Souto abordou o cenário eleitoral da reta final.

[INSERIR AQUI A DECLARAÇÃO EXATA DE ANDREIA SOUTO SOBRE A POSSIBILIDADE DE VITÓRIA DE LULA NO PRIMEIRO TURNO, CONFORME A ENTREVISTA REALIZADA.]

A análise do cenário envolve uma distinção entre três indicadores: a liderança nas pesquisas, a probabilidade de comparecimento dos eleitores e a capacidade das candidaturas de ampliar seus percentuais de votos válidos.

A vantagem numérica, isoladamente, não determina a realização ou a dispensa de um segundo turno.

Também não é possível tratar o eleitor que declara preferência por uma candidatura alternativa como um voto previamente destinado a Lula ou Flávio.

O resultado dependerá do comportamento efetivo dessas parcelas do eleitorado.

Datafolha mostra crescimento de Lula entre católicos, idosos e eleitores de menor renda

A pesquisa Datafolha de 1º de outubro ajuda a identificar onde o atual presidente apresentou maior presença eleitoral na última semana.

O levantamento mostrou Lula com 50% das intenções totais de voto entre os católicos, contra 32% de Flávio Bolsonaro.

Na pesquisa anterior, Lula registrava 45% nesse segmento.

Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, o presidente também aparece com 50%, enquanto Flávio alcança 28%.

No Nordeste, Lula registra 56%, diante de 26% do adversário do PL.

Já entre os entrevistados com 60 anos ou mais, o atual presidente aparece com 49%, contra 36% de Flávio.

Veja a distribuição:

Segmento Lula Flávio
Católicos 50% 32%
Nordeste 56% 26%
Renda de até 2 salários mínimos 50% 28%
Eleitores com 60 anos ou mais 49% 36%

Os números representam as intenções totais dentro de cada grupo, e não a distribuição nacional dos votos válidos.

O crescimento entre eleitores católicos e idosos contribuiu para o desempenho numérico do presidente na reta final.

A pesquisa também mostra, entretanto, que Flávio ampliou sua preferência entre outros segmentos.

Entre os evangélicos, o candidato do PL registra 52%, contra 26% de Lula. Na Região Sul, Flávio aparece com 50%, diante de 30% do petista.

O resultado revela um eleitorado dividido regional e demograficamente. A capacidade de comparecimento de cada grupo poderá influenciar o desempenho final dos candidatos.

Consulte o levantamento completo do Datafolha.

Comparecimento pode ser decisivo para a distribuição dos votos válidos

A abstenção é outro elemento que precisa ser considerado.

Na eleição presidencial de 2022, aproximadamente 32,8 milhões de brasileiros deixaram de comparecer ao primeiro turno, percentual próximo de 21% do eleitorado apto.

A ausência não ocorre necessariamente na mesma proporção entre todas as regiões, faixas etárias e segmentos socioeconômicos.

Se a taxa de comparecimento variar entre grupos com preferências políticas diferentes, a distribuição dos votos válidos poderá ser alterada em relação àquela registrada pelos institutos.

Esse efeito não favorece automaticamente uma candidatura.

O impacto dependerá de quais eleitores efetivamente comparecerão às seções eleitorais e de como suas escolhas serão distribuídas.

Para Lula, o desempenho no Nordeste e entre os segmentos de menor renda poderá representar uma variável relevante. Para Flávio, a mobilização do eleitorado conservador, especialmente nas regiões onde apresenta maior preferência, também será determinante.

Mas pesquisas também apresentam um cenário de segundo turno

Apesar da proximidade de Lula em relação à maioria absoluta na CNT/MDA, outros levantamentos indicam uma disputa mais apertada.

O Datafolha de 1º de outubro apresenta o presidente com 45% dos votos válidos e Flávio com 40%.

Já a pesquisa Palver divulgada neste sábado mostra Flávio numericamente à frente, com 47%, contra 43% de Lula. A diferença configura empate técnico, considerada a margem de erro de 2,4 pontos percentuais.

Os resultados demonstram que não existe consenso entre os institutos sobre a dimensão da vantagem eleitoral de cada candidatura.

Na simulação de segundo turno do Datafolha, Lula aparece com 48% das intenções totais, enquanto Flávio registra 45%, também em empate técnico.

Na CNT/MDA, o presidente apresenta 47,3%, contra 43,1% do candidato do PL.

A existência de vantagem numérica em uma pesquisa não elimina a necessidade de considerar os demais levantamentos, as margens de erro e as diferenças de metodologia.

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O resultado deste domingo poderá contrariar a fotografia das pesquisas?

Pesquisas eleitorais registram as preferências declaradas pelos entrevistados durante determinado período. Não constituem uma contagem antecipada de votos.

A diferença ganha importância quando os candidatos estão próximos de limites decisivos, como a maioria absoluta necessária para vencer uma eleição presidencial no primeiro turno.

O Datafolha identificou que 82% dos entrevistados com uma preferência declarada afirmaram estar totalmente decididos. Outros 17% admitiram a possibilidade de mudança.

Embora a maior parte do eleitorado apresente uma decisão consolidada, a parcela que ainda considera alterar o voto é numericamente relevante em uma eleição na qual um dos principais candidatos aparece próximo da maioria absoluta em determinado levantamento.

O comportamento dos eleitores de candidaturas alternativas também permanece como uma variável, uma vez que a escolha final poderá ser diferente da intenção informada durante as entrevistas.

A combinação entre mudança de preferência, comparecimento e distribuição dos votos válidos será conhecida apenas depois do encerramento da votação.

Lula pode, afinal, vencer no primeiro turno?

Os números disponíveis sustentam a possibilidade, mas não permitem classificá-la como resultado provável ou assegurado.

A CNT/MDA coloca o presidente com 47,8% dos votos válidos estimados, próximo da maioria absoluta. O Datafolha apresenta uma distância maior, com 45%, enquanto a Palver identifica Flávio numericamente à frente.

A eleição também apresenta uma variável política: a transferência de votos entre candidaturas menos competitivas não é automática, e as pesquisas não conseguem determinar antecipadamente o comportamento individual de todos os eleitores.

A liderança de Lula em levantamentos nacionais, sua presença entre eleitores de menor renda e a vantagem registrada no Nordeste compõem os elementos que sustentam sua competitividade.

Por outro lado, o crescimento de Flávio entre evangélicos e outros segmentos, somado às diferenças entre institutos, impede tratar uma eventual vitória petista neste domingo como conclusão definitiva.

A pergunta central da reta final deixa, portanto, de ser apenas quem chegará à frente na apuração. Também será necessário verificar se algum candidato conseguirá ultrapassar a maioria absoluta.

O primeiro turno ocorrerá neste domingo, 4 de outubro. Se nenhum presidenciável receber mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados disputarão a Presidência novamente em 25 de outubro.

A definição dependerá exclusivamente da totalização oficial da Justiça Eleitoral.

Nota metodológica: Esta reportagem considera pesquisas divulgadas até a noite de 3 de outubro de 2026. Os percentuais estimulados e de votos válidos foram apresentados separadamente, conforme a metodologia de cada instituto. Nenhum dos levantamentos representa resultado oficial ou projeção própria do Diário Tocantinense.

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