Nova Quaest vira teste decisivo no Tocantins: Dorinha lidera pesquisas, mas Vicentinho mantém disputa aberta
Levantamento com 1.800 eleitores foi programado para a véspera da votação; pesquisas independentes mostram vantagem da senadora, menor rejeição do tucano e possibilidade de segundo turno
A disputa pelo Governo do Tocantins chega à véspera das Eleições 2026 com Professora Dorinha (União Brasil) em vantagem nos levantamentos mais recentes, mas sem a maioria absoluta necessária para assegurar a vitória no primeiro turno. A nova pesquisa Quaest/TV Anhanguera, registrada para divulgação neste sábado (3), assume importância nesse cenário por apresentar uma amostra ampliada de 1.800 eleitores e margem de erro prevista de dois pontos percentuais.
O levantamento foi contratado pela Centro Norte de Comunicação, responsável pela TV Anhanguera, ao custo de R$ 253.260, e registrado na Justiça Eleitoral sob o número TO-01946/2026.
A publicação foi programada para a noite deste sábado. Até o fechamento desta análise, seus percentuais não haviam sido confirmados em fonte pública verificável.
Os dados disponíveis de outros institutos indicam uma disputa concentrada entre Dorinha e Vicentinho Júnior (PSDB). Na Paraná Pesquisas/Fieto, divulgada em 2 de outubro, a senadora aparece com 46,4% dos votos válidos estimados, diante de 39,4% do deputado federal.
Na Real Time Big Data, divulgada na mesma data, Dorinha registra 44% e Vicentinho alcança 39%, também na distribuição dos votos válidos.
A convergência coloca a candidata do União Brasil como favorita numérica na reta final, mas a distância apresentada pelos levantamentos não permite descartar uma segunda votação.
A eleição reúne três fatores que precisam ser analisados separadamente: a estrutura política construída pela candidatura governista, a competitividade de Vicentinho entre os eleitores que desejam uma alternativa ao atual grupo político e o desempenho dos demais candidatos, cujas votações poderão determinar se haverá segundo turno.
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Nova Quaest terá amostra ampliada após disputa judicial sobre levantamento anterior
A contratação da nova rodada representa uma mudança metodológica em relação aos levantamentos anteriores da própria Quaest no estado.
O estudo TO-01946/2026 prevê 1.800 entrevistas presenciais, com margem de erro máxima de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O aumento da amostra permite reduzir a incerteza amostral em relação a pesquisas de menor dimensão, desde que os critérios de seleção, ponderação e execução do trabalho de campo sejam adequadamente cumpridos.
O investimento também chama atenção. A nova pesquisa custou R$ 253.260, conforme o registro divulgado pelo Diário Tocantinense em 29 de setembro.
A realização ocorreu depois de uma controvérsia judicial envolvendo outro levantamento do instituto, identificado pelo registro TO-00371/2026.
Em decisão de 28 de setembro, a Justiça Eleitoral declarou aquela pesquisa como não registrada e determinou a proibição de nova divulgação de seus resultados. A decisão apontou problemas na complementação das informações sobre a composição efetiva da amostra e sobre a localização dos setores censitários utilizados nas entrevistas.
Também foram aplicadas multas à Quaest e à empresa contratante, que somaram R$ 123.205.
A decisão relativa à pesquisa anterior não significa, por si só, que o novo estudo apresente irregularidades. Trata-se de registros diferentes, que precisam ser examinados individualmente.
O episódio, entretanto, acrescenta uma responsabilidade editorial: a divulgação dos números da nova rodada deve ser acompanhada da verificação de seu relatório metodológico e de sua situação jurídica atualizada.
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Paraná/Fieto mostra Dorinha com vantagem de sete pontos nos votos válidos
A pesquisa Paraná/Fieto, divulgada em 2 de outubro, apresenta Dorinha com 42,3% das intenções totais de voto, contra 35,9% de Vicentinho Júnior.
Laurez Moreira (PSD) aparece com 7,2%, seguido por Ataídes de Oliveira (Novo), com 2,7%, e Siqueira Campos Júnior (Democrata), com 2,1%.
Quando considerados somente os votos válidos estimados, a distribuição é a seguinte:
| Candidato | Votos válidos estimados |
|---|---|
| Professora Dorinha | 46,4% |
| Vicentinho Júnior | 39,4% |
| Laurez Moreira | 7,9% |
| Ataídes de Oliveira | 2,9% |
| Siqueira Campos Júnior | 2,3% |
| Witer Naves | 0,7% |
| Du Pereira | 0,4% |
O levantamento ouviu 1.504 eleitores em 73 municípios entre 29 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O registro eleitoral é TO-02116/2026.
A diferença entre Dorinha e Vicentinho chega a sete pontos percentuais nos votos válidos estimados.
Entretanto, o percentual da senadora permanece abaixo dos 50% necessários para encerrar a disputa no primeiro turno.
Esse indicador é central para compreender o cenário: liderar uma pesquisa não equivale a conquistar a maioria absoluta.
Real Time também coloca Dorinha à frente, mas mostra disputa mais próxima
A Real Time Big Data divulgada na sexta-feira (2) apresenta Dorinha com 44% dos votos válidos estimados e Vicentinho com 39%.
Laurez Moreira e Ataídes de Oliveira registram 6% cada, enquanto Witer Naves aparece com 3% e Siqueira Campos Júnior com 2%.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pela Rádio e Televisão Record e registrado sob o número TO-00779/2026.
A comparação entre Paraná/Fieto e Real Time mostra uma convergência na ordem numérica dos dois principais candidatos, embora a distância varie de cinco a sete pontos percentuais.
As diferenças metodológicas impedem produzir uma média simples entre os estudos para estimar o resultado final.
Os dois, contudo, apresentam Dorinha na primeira posição e Vicentinho em segundo, ambos à frente dos demais concorrentes.
Consulte os dados completos da Real Time Big Data.
A força da candidatura governista está na estrutura municipal
A liderança de Dorinha precisa ser examinada além dos percentuais de intenção de voto.
A candidata reuniu uma frente partidária com apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de prefeitos de municípios eleitoralmente relevantes.
Entre as lideranças associadas à candidatura estão Eduardo Siqueira Campos, de Palmas; Wagner Rodrigues, de Araguaína; Josi Nunes, de Gurupi; e Ronivon Maciel, de Porto Nacional.
A presença desses gestores oferece à campanha estrutura de mobilização territorial, participação em agendas públicas e capacidade de comunicação com diferentes regiões do estado.
O principal argumento eleitoral de Dorinha também está associado à continuidade administrativa.
A candidata procura reunir sua trajetória na educação, a experiência parlamentar e os resultados reivindicados pelo atual governo.
A estratégia foi reforçada no encerramento da campanha, neste sábado, com uma caminhada em Palmas e manifestações de apoio de integrantes do grupo governista.
Outro movimento ocorreu na própria véspera, quando Siqueira Campos Júnior anunciou apoio à candidata.
A adesão representa um fato político, mas não autoriza somar automaticamente à intenção de voto de Dorinha o percentual anteriormente registrado pelo candidato nas pesquisas.
A transferência de preferência dependerá da decisão individual de seus eleitores.
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Vicentinho apresenta menor rejeição e tenta transformar resistência ao governo em votos
A candidatura de Vicentinho Júnior também apresenta indicadores que ajudam a compreender por que a disputa ainda não pode ser considerada encerrada.
Na Paraná/Fieto, Dorinha registra 24,1% de rejeição, enquanto Vicentinho aparece com 13,4%. Laurez Moreira tem 24,9%.
O indicador corresponde aos entrevistados que declararam não votar em determinado candidato.
A diferença entre Dorinha e Vicentinho é de 10,7 pontos percentuais.
Embora rejeição e intenção de voto sejam indicadores distintos, o resultado aponta um elemento relevante para um eventual segundo turno: o candidato do PSDB apresenta menor resistência declarada no levantamento.
Isso não significa que os eleitores de Laurez, Ataídes ou dos demais concorrentes migrariam automaticamente para Vicentinho.
Entretanto, em uma disputa com apenas dois nomes, a capacidade de conquistar eleitores que não escolheram nenhum dos finalistas no primeiro turno passa a ter importância adicional.
Durante a campanha, Vicentinho procurou apresentar-se como alternativa ao grupo político que atualmente comanda o estado.
Sua candidatura reuniu integrantes do PSDB e do MDB e estabeleceu uma chapa com o deputado estadual Amélio Cayres como vice.
Entre os temas utilizados para diferenciar seu programa estão mudanças na administração estadual, política tributária, saúde pública e investimentos em infraestrutura.
A menor rejeição representa uma condição eleitoral favorável, mas precisa ser convertida em preferência efetiva para alterar a liderança registrada nas pesquisas.
Segundo turno apresenta diferença menor entre os dois principais candidatos
A Paraná/Fieto também simulou um eventual confronto direto entre Dorinha e Vicentinho.
Considerando os votos válidos estimados, a candidata do União Brasil registra 52,8%, enquanto o deputado federal aparece com 47,2%.
A diferença entre os dois é de 5,6 pontos percentuais.
A Real Time Big Data apresenta um cenário semelhante: Dorinha alcança 53%, contra 47% de Vicentinho.
| Instituto | Dorinha | Vicentinho |
|---|---|---|
| Paraná/Fieto | 52,8% | 47,2% |
| Real Time Big Data | 53% | 47% |
Os dois levantamentos colocam Dorinha numericamente à frente, mas apresentam uma disputa mais próxima do que aquela observada entre os candidatos no primeiro turno.
Isso ocorre porque, em uma segunda votação, as intenções destinadas aos demais concorrentes deixam de integrar a escolha direta entre os finalistas.
A maneira como esses eleitores se distribuirão, entretanto, não pode ser antecipada a partir dos percentuais registrados no primeiro turno.
O cenário de segundo turno constitui uma pergunta específica feita aos entrevistados e não uma soma automática de candidaturas.
Laurez e os demais candidatos podem determinar se haverá segunda votação
A eleição estadual apresenta uma característica que precisa ser considerada na análise dos resultados: as candidaturas que aparecem atrás de Dorinha e Vicentinho ainda possuem participação suficiente para influenciar o cálculo da maioria absoluta.
Na Paraná/Fieto, Laurez registra 7,9% dos votos válidos estimados. Ataídes aparece com 2,9%, e Siqueira Campos Júnior, com 2,3%.
Somadas às demais candidaturas, essas preferências reduzem a participação proporcional dos dois primeiros colocados no universo dos votos válidos.
Por isso, uma eleição concentrada em dois nomes não significa necessariamente uma eleição decidida em primeiro turno.
O movimento da reta final também precisa considerar a situação atual das candidaturas e eventuais manifestações de apoio, como a anunciada por Siqueira Campos Júnior.
A votação efetiva poderá apresentar distribuição diferente daquela observada nos levantamentos realizados antes dos últimos acontecimentos da campanha.
O que a nova Quaest precisa esclarecer?
A terceira pesquisa Quaest contratada pela TV Anhanguera tem potencial para acrescentar informações a três pontos centrais da disputa.
O primeiro é a dimensão atualizada da vantagem de Dorinha, considerando uma amostra de 1.800 eleitores e margem de erro prevista de dois pontos percentuais.
O segundo é a possibilidade matemática de uma definição em primeiro turno, que depende da distribuição dos votos válidos, não apenas da intenção de voto total.
O terceiro envolve a diferença entre a primeira e a segunda etapas da eleição. Mesmo que um candidato apresente vantagem expressiva no cenário estimulado, isso não significa que terá a mesma distância em confronto direto contra o principal adversário.
A divulgação também precisa esclarecer a metodologia utilizada, a distribuição territorial da amostra e a situação jurídica do registro, especialmente diante da decisão judicial que atingiu o levantamento anterior.
Sem a publicação verificável dos percentuais da nova rodada, não é possível atribuir a ela crescimento, queda, empate ou projeção de vitória de qualquer candidatura.
Quem chega favorito ao Governo do Tocantins?
Os levantamentos independentes mais recentes colocam Professora Dorinha na condição de favorita numérica para o primeiro turno.
A candidata aparece à frente na Paraná/Fieto e na Real Time Big Data, mantém uma estrutura política com presença nos principais municípios e chega ao encerramento da campanha com apoio do grupo governista.
Vicentinho Júnior, entretanto, permanece competitivo. Além de ocupar a segunda posição nos dois estudos, apresenta menor rejeição na Paraná/Fieto e resultados próximos aos da adversária nas simulações de segundo turno.
Portanto, os dados disponíveis não sustentam a afirmação de que a eleição esteja definida.
A possibilidade de vitória de Dorinha no primeiro turno existe, mas os percentuais válidos estimados de 46,4% e 44% apresentados pelos dois institutos permanecem abaixo da maioria absoluta.
A divulgação verificável de uma nova pesquisa poderá acrescentar informações ao cenário, mas a escolha do próximo governador será determinada exclusivamente pelos votos depositados nas urnas neste domingo (4).
Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados retornarão à disputa em 25 de outubro.
Esta análise utiliza os levantamentos Paraná/Fieto TO-02116/2026 e Real Time Big Data TO-00779/2026, além de informações públicas sobre a contratação da pesquisa Quaest TO-01946/2026.
Os resultados da pesquisa Quaest TO-00371/2026 não foram reproduzidos em razão da decisão judicial de 28 de setembro, que determinou a proibição de nova divulgação de seus percentuais. A publicação de uma pesquisa anterior não deve ser confundida com a situação jurídica do novo levantamento.
Os números apresentados são intenções declaradas de voto, não resultados oficiais nem projeções próprias do Diário Tocantinense.