PF prende duas eleitoras e suspeito de pagar por votos em Gurupi na véspera das eleições
A Polícia Federal prendeu em flagrante duas eleitoras e um homem neste sábado, 3 de outubro, em Gurupi, no sul do Tocantins, durante uma apuração sobre suspeita de compra de votos. Segundo informações divulgadas pela corporação, as mulheres teriam recebido dinheiro em troca do compromisso de votar em um candidato nas eleições deste domingo, 4.
O homem preso é apontado como o suposto responsável por oferecer e entregar os valores às eleitoras. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do repasse e reunir provas sobre a possível prática de corrupção eleitoral. Os nomes dos três envolvidos e do candidato que seria beneficiado não foram divulgados nas informações consultadas. Também não foi informado quanto teria sido entregue às mulheres. Sem esses dados, não é possível atribuir o episódio a uma candidatura, partido ou coligação.
O inquérito permanece em andamento. Entre os pontos que a Polícia Federal pretende esclarecer estão a origem dos recursos e a eventual participação de outras pessoas. A ocorrência confirmada envolve três prisões; não há base, no material disponível, para anunciar um número maior de envolvidos.
Os suspeitos poderão responder pelo crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral. A norma alcança tanto quem oferece ou entrega dinheiro e vantagens para obter votos quanto quem solicita ou recebe benefícios com essa finalidade. A pena prevista é de até quatro anos de reclusão, além de multa.
A responsabilização, entretanto, depende da apuração e da análise individual da conduta dos envolvidos. A prisão em flagrante não equivale a condenação definitiva. Também não permite concluir, por si só, que o candidato supostamente beneficiado participou ou tinha conhecimento do repasse.
As informações consultadas não esclarecem se houve apreensão de dinheiro, materiais de campanha, celulares ou outros objetos em Gurupi. Não foi confirmado, ainda, se os presos permaneceram detidos após os procedimentos policiais ou se houve decisão judicial sobre a custódia.
O caso foi registrado na véspera do primeiro turno, período em que a legislação estabelece restrições à prisão de eleitores, mas mantém exceções, entre elas o flagrante delito. Essa proteção não impede a atuação policial diante de uma suspeita de crime em execução.
Até o fechamento deste texto, não havia manifestação das defesas nas fontes consultadas. A investigação deverá esclarecer a origem e a destinação dos valores, a responsabilidade de cada pessoa e a eventual existência de outros envolvidos.