Senado em Goiás: Gracinha e Gayer lideram disputa, mas segundo voto pode mudar tudo

Senado em Goiás: Gracinha e Gayer lideram disputa, mas segundo voto pode mudar tudo
Gracinha Caiado, Gustavo Gayer, Zacharias Calil, Gustavo Mendanha e Vanderlan Cardoso estão entre os principais candidatos na disputa pelas duas vagas de Goiás no Senado
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 9

Gracinha Caiado, Gustavo Gayer, Zacharias Calil, Gustavo Mendanha e Vanderlan Cardoso concentram a disputa pelas duas vagas; levantamento divulgado neste sábado altera a configuração apresentada por institutos anteriores

A disputa pelo Senado em Goiás chega à véspera das Eleições 2026 com uma indefinição que não aparece com a mesma intensidade na corrida pelo governo estadual. Enquanto Daniel Vilela (MDB) mantém uma liderança expressiva nos levantamentos para o Executivo, as pesquisas para o Senado apresentam diferenças relevantes entre os candidatos e revelam que uma parcela do eleitorado ainda não consolidou suas duas escolhas.

A dimensão dessa indefinição aparece nos números. Na Quaest de setembro, 13% dos entrevistados não haviam definido o primeiro voto para senador. Para a segunda escolha, o percentual chegava a 30%. Na pesquisa Percent/G5News, divulgada em 1º de outubro, os indecisos representavam 9% na primeira opção e 26% na segunda.

Os dados demonstram que a disputa exige uma leitura diferente daquela aplicada às eleições para governador e presidente. Neste domingo (4), cada goiano poderá escolher dois senadores, e ambos os votos terão o mesmo peso na totalização. Não existe segundo turno para o cargo.

Gracinha Caiado (União Brasil) registrou a primeira colocação numérica nas pesquisas Quaest, Real Time Big Data, Goiás Pesquisas e Percent divulgadas em setembro. Gustavo Gayer (PL) também apareceu entre os nomes mais citados nesses levantamentos.

Entretanto, a pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisas (Igape), divulgada neste sábado (3), apresentou outro cenário: Gayer registrou 23,65% na média publicada das duas escolhas, Gracinha apareceu com 19,35% e Gustavo Mendanha (PRD) alcançou 17,55%.

Zacharias Calil (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD) também permanecem na disputa, embora apresentem desempenhos distintos conforme o instituto.

Além dos números, a campanha expôs um conflito político particular: quatro dos principais concorrentes possuem vínculos com o campo governista de Goiás, mas disputam entre si os mesmos espaços eleitorais. A candidatura de Gayer acrescenta a essa configuração a mobilização do eleitorado bolsonarista e as alianças construídas para a disputa das duas cadeiras.

O resultado poderá alterar a representação goiana no Congresso Nacional pelos próximos oito anos.

Leia mais:

Cinco candidatos concentram a disputa nas pesquisas de setembro

A comparação dos quatro levantamentos divulgados na segunda quinzena de setembro permite observar a distribuição das intenções de voto.

Candidato Quaest Real Time Goiás Pesquisas Percent
Gracinha Caiado 21% 23% 21,6% 22%
Gustavo Gayer 13% 20% 21,1% 13,5%
Zacharias Calil 12% 13% 18,2% 13,2%
Gustavo Mendanha 8% 12% 8,4% 9,5%
Vanderlan Cardoso 8% 8% 4,4% 9,5%

Os percentuais correspondem aos resultados combinados ou às médias das duas escolhas, conforme a metodologia divulgada por cada instituto.

A comparação não deve ser interpretada como uma única série histórica. As pesquisas possuem amostras, questionários e datas diferentes.

Na Real Time Big Data, divulgada em 22 de setembro, Gracinha registrou 23%, contra 20% de Gayer. A diferença entre ambos foi de três pontos percentuais, considerando margem de erro de dois pontos.

Já na Goiás Pesquisas, publicada em 27 de setembro, Gracinha alcançou 21,6%, Gayer marcou 21,1% e Zacharias apareceu com 18,2%. Os três tiveram intervalos de estimativa sobrepostos, considerada a margem informada de 2,77 pontos percentuais.

Na Percent, divulgada em 1º de outubro, a diferença entre Gayer e Zacharias foi de apenas 0,3 ponto percentual: 13,5% contra 13,2%.

A oscilação demonstra que a distância numérica entre os concorrentes varia de maneira relevante conforme o levantamento analisado.

Pesquisa divulgada na véspera apresenta resultado diferente

O levantamento Igape, publicado neste sábado (3), acrescentou uma informação à análise da reta final.

A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 29 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro informada de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

No resultado consolidado publicado pelo instituto, Gustavo Gayer apresentou 23,65%, Gracinha Caiado registrou 19,35% e Gustavo Mendanha alcançou 17,55%.

A diferença entre Gracinha e Mendanha foi de 1,8 ponto percentual, inferior à margem de erro informada.

O registro eleitoral do estudo é GO-03652/2026.

O levantamento também reforça a necessidade de separar a preferência pela primeira escolha da intenção manifestada para o segundo voto. A publicação apresentou diferenças expressivas entre os nomes citados nas duas perguntas.

Os números divulgados pelo Igape não devem ser combinados diretamente com as médias dos demais institutos para produzir uma projeção própria de resultado. Além das diferenças metodológicas, o detalhamento público das respostas exige conferência com o relatório integral da pesquisa.

Confira a divulgação da pesquisa Igape de 3 de outubro.

O segundo voto revela outra disputa eleitoral

A compreensão da eleição para o Senado depende de uma distinção fundamental: a primeira e a segunda escolhas registradas pelos entrevistados não representam duas cadeiras separadas.

Os dois senadores eleitos serão aqueles que obtiverem as maiores votações totais, independentemente da ordem em que seus números forem digitados na urna.

Por isso, os resultados das perguntas separadas precisam ser somados ou consolidados conforme a metodologia de cada pesquisa.

A Quaest de setembro apresentou o seguinte cenário:

Candidato Primeiro voto Segundo voto
Gracinha Caiado 25% 16%
Gustavo Gayer 21% 4%
Zacharias Calil 14% 10%
Vanderlan Cardoso 7% 10%
Gustavo Mendanha 7% 8%
Indecisos 13% 30%

A diferença é expressiva.

Na primeira escolha, Gracinha e Gayer concentraram 46% das intenções declaradas. Na segunda, os mesmos candidatos somaram 20%.

Zacharias, Vanderlan e Mendanha, por outro lado, apresentaram percentuais relativamente maiores na segunda escolha do que na primeira, especialmente os dois últimos.

Essa distribuição ajuda a compreender por que os resultados consolidados não podem ser interpretados apenas a partir da primeira opção registrada pelos entrevistados.

Também revela a importância de observar as candidaturas que conseguem aparecer como alternativas adicionais entre eleitores cuja primeira preferência já está estabelecida.

Na pesquisa Quaest, 77% dos entrevistados não souberam citar espontaneamente um candidato ao Senado, sem apresentação prévia de nomes.

Quando questionados sobre a possibilidade de mudança, 36% afirmaram que ainda poderiam alterar sua escolha até o dia da eleição.

Os números indicam que reconhecimento de candidatura, intenção declarada e decisão consolidada não são indicadores equivalentes.

A pesquisa foi realizada entre 20 e 23 de setembro, com 804 entrevistados, margem de erro de três pontos percentuais e registro GO-01667/2026.

Veja os resultados detalhados da Quaest, incluindo primeiro voto, segundo voto e rejeição.

Percent confirma maior indefinição na segunda escolha

O levantamento Percent/G5News, realizado entre 27 e 30 de setembro, apresentou um comportamento semelhante.

Na primeira opção de voto, Gracinha alcançou 26,3%, seguida por Gayer, com 21,9%, e Zacharias, com 14,5%.

Na segunda escolha, Gracinha registrou 17,7%, Zacharias apareceu com 11,9%, e Mendanha e Vanderlan tiveram 10% cada. Gayer marcou 5%.

O percentual de indecisos passou de 9% na primeira opção para 26% na segunda.

A diferença de 17 pontos percentuais entre os dois grupos mostra que a indefinição é mais elevada quando o entrevistado precisa apontar outro candidato.

A pesquisa ouviu 1.200 pessoas, com margem de erro informada de 2,83 pontos percentuais e registro GO-01473/2026.

Confira o resultado da Percent/G5News.

GRÁFICO — SENADO EM GOIÁS

Inserir neste ponto o gráfico da pesquisa Percent disponibilizado junto à reportagem.

Legenda: Gracinha Caiado registra 22% na média das duas escolhas, seguida por Gustavo Gayer, com 13,5%, e Zacharias Calil, com 13,2% (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Percent Brasil/G5News).

A campanha reuniu quatro candidaturas ligadas ao campo governista

Além da indefinição dos eleitores, a estrutura das alianças contribui para explicar a configuração da disputa.

Gracinha Caiado, Zacharias Calil, Gustavo Mendanha e Vanderlan Cardoso possuem relações políticas com grupos que participaram ou apoiaram as administrações estaduais de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.

Entretanto, essa proximidade não resultou em uma estratégia eleitoral única para a disputa das duas cadeiras.

Gracinha construiu sua candidatura vinculada ao capital político de Ronaldo Caiado e à participação nas políticas sociais desenvolvidas pelo governo estadual.

Zacharias apresentou sua trajetória na medicina e na Câmara dos Deputados, com destaque para a atuação na saúde.

Mendanha utilizou a experiência como prefeito de Aparecida de Goiânia e a rede de contatos construída durante a eleição para governador de 2022.

Vanderlan procurou defender o mandato conquistado em 2018, com ênfase na experiência parlamentar e na relação com os municípios.

Gayer, por sua vez, estruturou sua candidatura a partir do PL, da identificação com o bolsonarismo e de sua presença nas redes sociais.

Essa composição criou diferentes possibilidades de combinação de votos entre candidatos que, na eleição para governador, nem sempre ocupam o mesmo palanque.

As dobradinhas eleitorais mostram como as alianças se reorganizaram

A disputa pelas duas vagas também produziu articulações entre candidaturas.

Uma delas reuniu Gustavo Gayer e Gustavo Mendanha, em movimento identificado na cobertura política estadual como GU-GU.

A aproximação conectou dois perfis eleitorais distintos: Gayer, vinculado ao PL e ao bolsonarismo, e Mendanha, ex-prefeito de Aparecida e integrante do campo político associado ao governo estadual.

Outra articulação envolveu a associação dos nomes de Gracinha Caiado e Zacharias Calil, enquanto também foram registradas aproximações entre Zacharias e Vanderlan.

Esses movimentos foram descritos pela cobertura política local durante setembro e no início de outubro. Não representam necessariamente alianças partidárias formais ou transferência comprovada de votos.

Do ponto de vista eleitoral, a existência dessas combinações demonstra que a disputa pelo Senado não reproduz automaticamente as divisões estabelecidas para o governo estadual.

Um eleitor pode apoiar Daniel Vilela para governador e escolher candidatos ao Senado que pertencem a diferentes grupos políticos.

Esse comportamento também ajuda a explicar por que a liderança do MDB na eleição para o Executivo não determina, por si só, a composição das duas vagas no Legislativo federal.

Como os candidatos chegaram à reta final

A candidatura de Gracinha Caiado começou a ser organizada ainda na pré-campanha, com participação de lideranças municipais e dirigentes partidários.

Em julho, o Diário Tocantinense mostrou que o ex-prefeito de Anápolis Roberto Naves passou a ocupar uma posição estratégica na organização da candidatura, contribuindo para a articulação política e a mobilização de lideranças.

Gustavo Gayer, por sua vez, procurou utilizar a identificação partidária com o PL e a visibilidade construída durante seu mandato na Câmara dos Deputados.

Zacharias Calil concentrou sua apresentação pública na experiência profissional como médico e na atuação parlamentar, especialmente em temas relacionados à saúde.

Mendanha buscou ampliar sua presença eleitoral para além de Aparecida de Goiânia, município que administrou antes de disputar o governo estadual.

Vanderlan chegou à campanha como o único dos dois senadores eleitos em 2018 que decidiu concorrer a um novo mandato.

As estratégias demonstram a coexistência de diferentes formas de capital político na eleição: experiência administrativa, atuação parlamentar, reconhecimento profissional, estrutura partidária e presença digital.

O peso de cada uma delas na votação efetiva, entretanto, só poderá ser observado após a apuração.

Leia mais:

Rejeição também diferencia as candidaturas

A pesquisa Quaest de setembro avaliou a resistência eleitoral enfrentada pelos principais concorrentes.

O indicador considera os entrevistados que afirmaram conhecer o candidato e não votar nele.

Candidato Conhece e não votaria
Vanderlan Cardoso 31%
Gracinha Caiado 27%
Gustavo Mendanha 24%
Gustavo Gayer 19%
Zacharias Calil 15%

O resultado não pode ser analisado isoladamente. Os candidatos apresentam níveis diferentes de conhecimento público, e a rejeição não corresponde ao percentual de eleitores que necessariamente escolherão um adversário específico.

Ainda assim, o indicador acrescenta uma dimensão que a pesquisa estimulada de intenção de voto não apresenta: a resistência declarada a cada candidatura.

Na eleição para o Senado, essa informação precisa ser interpretada considerando a possibilidade de o eleitor aceitar um candidato como primeira preferência, segunda escolha ou não o incluir em nenhuma das duas opções.

O que mudou desde o início de setembro

A comparação entre rodadas do mesmo instituto oferece uma perspectiva adicional sobre o comportamento das intenções de voto.

Na Quaest, Gracinha registrou 21% em agosto e repetiu o percentual em setembro.

Gayer passou de 12% para 13%. Zacharias variou de 9% para 12%, Mendanha saiu de 6% para 8% e Vanderlan passou de 9% para 8%.

Candidato Agosto Setembro
Gracinha Caiado 21% 21%
Gustavo Gayer 12% 13%
Zacharias Calil 9% 12%
Gustavo Mendanha 6% 8%
Vanderlan Cardoso 9% 8%

Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, as oscilações não permitem afirmar, individualmente, que houve crescimento ou queda estatisticamente comprovados para cada candidatura.

A diferença observada entre a Quaest, a Goiás Pesquisas, a Percent e o Igape também impede transformar os resultados em uma única curva de evolução.

Os institutos apresentam fotografias distintas do comportamento eleitoral, realizadas em períodos próximos, mas com procedimentos próprios de coleta e consolidação.

O resultado oficial será a primeira oportunidade de comparar diretamente, em uma mesma base, a distribuição efetiva dos votos entre todos os candidatos.

Goiás elegerá dois senadores; uma cadeira já terá novo titular

A eleição deste domingo renovará dois terços do Senado Federal. Ao todo, 54 cadeiras estarão em disputa no país, sendo duas por estado e pelo Distrito Federal.

Em Goiás, os mandatos que chegam ao fim pertencem a Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru, eleitos em 2018.

Naquela eleição, Vanderlan recebeu 1.729.637 votos, equivalentes a 31,35% dos votos válidos. Kajuru conquistou a segunda cadeira com 1.557.415 votos, ou 28,23%.

Kajuru não concorre à reeleição em 2026. Com isso, pelo menos uma das duas vagas será ocupada por um novo titular a partir de fevereiro de 2027.

A terceira cadeira de Goiás no Senado pertence a Wilder Morais, eleito em 2022, cujo mandato se estende até 2031.

Consulte a série histórica das eleições para o Senado em Goiás, publicada pela Agência Senado.

Por que os dois votos precisam ser analisados em conjunto?

O sistema utilizado para eleger senadores é o majoritário simples. Em 2026, os dois candidatos que receberem as maiores votações serão eleitos.

Diferentemente da eleição para governador, não é necessário alcançar mais de 50% dos votos válidos, e não existe segundo turno para o Senado.

A urna eletrônica solicitará duas escolhas para o cargo, mas o eleitor não poderá votar duas vezes na mesma pessoa. Conforme a Resolução TSE nº 23.751/2026, caso repita um candidato nas duas oportunidades, o segundo voto será considerado nulo.

Também não existe uma eleição independente para a primeira e outra para a segunda cadeira. Os votos recebidos por cada candidato são totalizados independentemente da ordem em que foram digitados.

A distinção é fundamental para interpretar corretamente as pesquisas eleitorais e, posteriormente, o resultado oficial.

Confira as regras da votação para o Senado no portal do TSE.

O que permanece indefinido na disputa pelo Senado em Goiás?

A reta final apresenta três questões relevantes para a apuração.

A primeira é a diferença entre o comportamento registrado pelos institutos. Gracinha aparece numericamente à frente em quatro levantamentos de setembro, enquanto Gayer ocupa essa posição no resultado divulgado pelo Igape neste sábado.

A segunda é a distribuição do segundo voto. Quaest e Percent registraram percentuais de indecisão superiores nessa escolha, o que exige atenção ao comportamento dos eleitores que já possuem uma primeira preferência.

A terceira envolve o desempenho de Zacharias, Mendanha e Vanderlan, cujos percentuais variam entre as pesquisas e apresentam diferenças importantes quando as duas opções de voto são analisadas separadamente.

A fragmentação das alianças também impede tratar os resultados para governador e Senado como se representassem uma única disputa partidária.

A campanha termina, portanto, com diferentes candidaturas compartilhando bases políticas, pesquisas que não apresentam uma configuração uniforme e uma proporção relevante de eleitores que ainda não havia consolidado as duas escolhas nas datas dos levantamentos.

O resultado oficial deste domingo determinará a composição das duas cadeiras que Goiás renovará no Senado para o período de 2027 a 2035.

NOTA METODOLÓGICA

Esta análise considera levantamentos divulgados até 3 de outubro de 2026. Os percentuais de intenção de voto representam respostas obtidas durante os períodos de coleta e não projeções de resultado.

Os números consolidados da pesquisa Igape foram apresentados conforme a divulgação pública do levantamento. O detalhamento publicado das categorias de resposta não permite uma reconciliação integral dos totais sem acesso ao relatório original. Por esse motivo, não foi utilizado para calcular transferências de voto ou estimar os eleitos.

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