Eleições no Piauí têm Rafael Fonteles na liderança pelo Governo e disputa entre três nomes pelo Senado

Eleições no Piauí têm Rafael Fonteles na liderança pelo Governo e disputa entre três nomes pelo Senado
Felipe Muniz PalhanoPor Felipe Muniz Palhano 4 de outubro de 2026 13

Datafolha aponta governador com 67% dos votos válidos e possibilidade de vitória no primeiro turno, enquanto Marcelo Castro, Ciro Nogueira e Júlio César aparecem tecnicamente próximos na corrida pelo Senado; votação registra prisão por suspeita de compra de votos e 20 ocorrências nas primeiras horas

O Piauí foi às urnas neste domingo (4) para escolher governador, dois senadores, deputados federais, deputados estaduais e presidente da República. Com 2.708.160 eleitoras e eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), o estado chegou ao primeiro turno com uma disputa pelo Governo marcada pela ampla vantagem do atual governador Rafael Fonteles (PT) e uma corrida muito mais equilibrada pelas duas cadeiras em disputa no Senado. A votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Rafael Fonteles chega ao domingo como favorito

A última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (3), colocou Rafael Fonteles em posição confortável para conquistar a reeleição já no primeiro turno. Considerando os votos válidos, o governador aparece com 67%, enquanto o principal adversário, Joel Rodrigues (PP), registra 28%. Professor Gisvaldo (PSOL) aparece com 2%, enquanto Dra. Lúcia Santos (PSDB), Geraldo Carvalho (PSTU), Elizeu Aguiar (Novo) e Professor Jurity (DC) têm 1% cada. Ravenna da Inclusão (Democrata) e Santiago Belizário (UP) não pontuaram.

No cenário de votos totais, Rafael Fonteles alcança 58%, contra 24% de Joel Rodrigues. Professor Gisvaldo, Dra. Lúcia Santos, Elizeu Aguiar e Professor Jurity aparecem com 1% cada, enquanto brancos e nulos somam 6% e os indecisos representam 7%. A pesquisa entrevistou 1.564 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número PI-05565/2026.

A AtlasIntel, em levantamento divulgado também na véspera da votação, encontrou cenário semelhante. Nos votos válidos, Rafael Fonteles aparece com 68,4%, contra 29,7% de Joel Rodrigues, enquanto os demais candidatos somam 2%. O levantamento ouviu 1.230 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Com os dois levantamentos apontando uma vantagem superior a 38 pontos percentuais para Fonteles sobre Joel Rodrigues, o governador chega à eleição com possibilidade concreta de encerrar a disputa no primeiro turno. Para isso, precisa superar 50% dos votos válidos. Caso nenhum candidato alcance essa marca, os dois mais votados avançam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Senado concentra a principal disputa

Se a eleição para o Governo apresenta um favorito claro, o quadro é diferente na disputa pelas duas vagas ao Senado. O Piauí tem uma das corridas mais concentradas entre três nomes: Marcelo Castro (MDB), Ciro Nogueira (PP) e Júlio César (PSD).

Na pesquisa Datafolha, os três aparecem em situação de empate técnico nos votos válidos. Marcelo Castro registra 28%, Ciro Nogueira tem 26% e Júlio César aparece com 25%. Tiago Junqueira (PL) surge em seguida, com 9%, enquanto os demais candidatos têm 1% ou não pontuam.

O levantamento mostra uma diferença ainda mais estreita quando considerados os votos totais: Marcelo Castro tem 19%, Ciro Nogueira 18% e Júlio César 17%. Tiago Junqueira aparece com 6%. O cenário também revela um contingente significativo de eleitores ainda sem definição: 20% estão indecisos, enquanto 14% afirmam votar branco, nulo ou em nenhum candidato.

A AtlasIntel apresenta uma configuração diferente, mas confirma a concentração da disputa. Marcelo Castro aparece com 32,7% dos votos válidos, seguido por Júlio César, com 28,2%, Ciro Nogueira, com 19,1%, e Tiago Junqueira, com 13,8%. Os demais candidatos somam 6,1%.

A disputa pelo Senado envolve um número expressivo de candidaturas. Entre os nomes registrados estão, além dos quatro mais competitivos nas pesquisas, Antônio Barros (Novo), Antônio José Lira (Avante), Cloves José (PCO), Danniel Rocha (PSTU), Dionisio Carvalho (DC), Francinaldo Leão (PSOL), Irmão Evandro Marques (DC), Jardenya Bezerra (Democrata), Jorge Lopes (PSDB), Major Paulo Roberto (Mobiliza), Maria Madalena Nunes (PSOL), Missionário Evandro Craveiro (Democrata), Pedro Laurentino (UP), Pastor Sena (Avante) e outros nomes registrados pela Justiça Eleitoral. A lista oficial divulgada pelo Senado reúne as candidaturas registradas para as duas vagas piauienses.

Eleitor vota duas vezes para senador

Em 2026, cada eleitor escolhe dois candidatos diferentes ao Senado, já que duas das três cadeiras do Piauí estão em disputa. A eleição para senador é majoritária e não possui segundo turno. A ordem de votação na urna começa por deputado federal, deputado estadual, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e, por fim, presidente da República.

A proximidade entre os três principais candidatos ao Senado torna essa uma das disputas que podem sofrer alterações importantes durante a apuração. Como cada eleitor pode escolher dois nomes, a votação não deve ser analisada simplesmente como uma corrida tradicional de primeiro e segundo colocados: um mesmo eleitor pode contribuir para a eleição de dois candidatos de partidos e grupos políticos diferentes.

Piauí registra prisão por suspeita de compra de votos

A eleição começou com registros de crimes e ocorrências eleitorais em diferentes municípios. O primeiro boletim do TRE-PI apontou 20 ocorrências de natureza eleitoral até as 10h39 deste domingo, além da substituição de 12 urnas eletrônicas.

O caso de maior repercussão ocorreu em Paulistana, onde uma pessoa foi presa em flagrante sob suspeita de compra de votos e corrupção eleitoral. Na ocorrência, foram apreendidos R$ 2.450 em dinheiro e 66 santinhos. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do caso e eventuais responsabilidades.

Das 20 ocorrências registradas até aquele horário, dez estavam relacionadas a suspeitas de compra de votos ou corrupção eleitoral. Também foram contabilizados quatro chamados relacionados a possível desobediência às determinações da Justiça Eleitoral, dois por suspeita de boca de urna, dois por situações de desordem que poderiam prejudicar os trabalhos eleitorais e dois relacionados a crime eleitoral ou propaganda irregular.

Teresina concentrou sete registros, enquanto Parnaíba teve três. Segundo o balanço divulgado a partir do Centro Integrado de Comando e Controle, parte das ocorrências terminou como “averiguação policial sem alteração”, depois que as equipes foram aos locais e não encontraram irregularidades. Outros casos foram encaminhados aos batalhões responsáveis ou permaneciam aguardando despacho, incluindo ocorrências em Bom Jesus, Picos e Castelo do Piauí.

12 urnas foram substituídas

Além das ocorrências policiais, 12 urnas eletrônicas haviam sido substituídas até as 10h39. As trocas ocorreram nos municípios de Altos, Coivaras, Fronteiras, Pau D’Arco do Piauí, Piracuruca, Teresina e Valença do Piauí.

Segundo as informações repassadas pelo TRE-PI, os problemas envolveram situações pontuais, como falhas de hardware, problemas na tela de toque, dificuldades no terminal de leitura biométrica e intermitência na bateria. As urnas foram substituídas por equipamentos de contingência, conforme os procedimentos da Justiça Eleitoral. Apesar das ocorrências, o tribunal informou que a votação transcorria normalmente no estado, com fluxo de eleitores considerado tranquilo.

Prisões começaram antes da votação

As ações contra crimes eleitorais também tiveram movimentação importante no sábado, véspera da votação. A Polícia Federal informou que 18 pessoas foram presas em flagrante em Teresina durante uma operação voltada à apuração de possível compra de votos. Entre os detidos estava um agente político da capital.

Segundo a PF, duas pessoas foram autuadas por corrupção eleitoral e associação criminosa, enquanto outras 16 foram autuadas por corrupção eleitoral, com arbitramento de fiança. Durante as diligências foram apreendidos materiais de campanha, dinheiro em espécie acondicionado em pacotes, documentos, listas e anotações com informações de eleitores. A investigação continua para esclarecer os fatos e identificar eventuais responsabilidades.

“Boca de urna” não é pesquisa de saída

Apesar de aparecer entre as ocorrências registradas no Piauí, a expressão “boca de urna” não significa pesquisa eleitoral feita na saída dos locais de votação. No contexto jurídico, boca de urna é crime eleitoral e envolve práticas como abordar eleitores para pedir votos, fazer propaganda ou tentar influenciar a escolha do eleitor no dia da votação.

No Piauí, o TRE reforçou que é permitida apenas a manifestação individual e silenciosa da preferência política, enquanto são proibidas a abordagem, o aliciamento, a tentativa de convencimento de outros eleitores e a propaganda de boca de urna.

Também não houve uma tradicional pesquisa de “boca de urna” para o primeiro turno de 2026. Os levantamentos divulgados na véspera, como Datafolha e AtlasIntel, são pesquisas de intenção de voto realizadas antes do fechamento das urnas, e não pesquisas de saída.

Eleição chega à reta final com cenários diferentes

O Piauí chega ao momento decisivo com dois cenários bastante distintos. No Governo, Rafael Fonteles aparece nas pesquisas finais com aproximadamente dois terços dos votos válidos e uma vantagem ampla sobre Joel Rodrigues, deixando aberta a possibilidade de uma definição já neste domingo.

No Senado, entretanto, a situação é muito mais imprevisível. Marcelo Castro, Ciro Nogueira e Júlio César aparecem próximos na pesquisa Datafolha, enquanto a AtlasIntel coloca Marcelo e Júlio à frente e Ciro em terceiro. Com duas vagas e um número elevado de candidaturas, a apuração pode produzir uma fotografia bastante diferente daquela registrada na corrida pelo Governo.

A votação segue até as 17h. A partir do encerramento, a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral passa a definir quem ficará com as duas cadeiras do Senado e se Rafael Fonteles confirmará nas urnas a vantagem apresentada pelos levantamentos finais ou se o Piauí terá segundo turno para o Governo.

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