Kasarin fica fora das vagas da Aleto após deixar Prefeitura de Colinas; relembre trajetória e denúncias

Kasarin fica fora das vagas da Aleto após deixar Prefeitura de Colinas; relembre trajetória e denúncias
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 4 de outubro de 2026 7

Ex-prefeito soma 10.016 votos com 98,65% da apuração concluída; carreira reúne mandatos de vereador, duas vitórias municipais e conflitos administrativos e políticos.

O ex-prefeito de Colinas do Tocantins, Josemar Carlos Casarin, conhecido como Kasarin, aparece fora das vagas da Assembleia Legislativa na parcial com 98,65% das seções apuradas neste domingo, 4 de outubro. Candidato pelo Podemos, ele registra 10.016 votos, equivalentes a 1,11% dos válidos, sem indicação de eleição no painel consultado.

A candidatura estadual foi lançada depois de sua renúncia à Prefeitura de Colinas, em abril deste ano. A tentativa de chegar à Aleto representa uma nova etapa de uma carreira iniciada no Paraná e posteriormente construída no Tocantins, onde Kasarin exerceu mandato de vereador e foi eleito prefeito duas vezes.

Natural de Faxinal do Soturno, no Rio Grande do Sul, Kasarin é odontólogo. Mudou-se para Corbélia, no Paraná, no final da década de 1980, onde trabalhou na profissão e exerceu dois mandatos consecutivos de vereador. Em 2005, transferiu-se para Colinas do Tocantins.

Antes de chegar à prefeitura, também passou pela Câmara Municipal de Colinas. Em entrevista publicada em 2023, relatou que seu mandato de vereador foi interrompido por cassação e que enfrentou oito anos de inelegibilidade. Na ocasião, atribuiu o episódio a conflitos políticos no Legislativo.

A primeira vitória para prefeito ocorreu em 2020, pelo PSL. Kasarin recebeu 6.202 votos, correspondentes a 37,19% dos válidos, e derrotou o então prefeito Adriano Rabelo. Assumiu o Executivo municipal em janeiro de 2021.

Em 2024, já no União Brasil, conquistou a reeleição com 14.098 votos e 73,35% dos válidos. A vitória garantiu um segundo mandato, iniciado em janeiro de 2025, mas sua relação com parte da Câmara passou a ser marcada por novos embates.

Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em fevereiro de 2025, após declarações dirigidas à vereadora Naiara Miranda durante uma sessão. Kasarin pediu desculpas publicamente e sustentou que havia feito uma brincadeira, negando intenção de ameaçar a parlamentar.

Em outubro daquele ano, a Câmara instalou uma CPI para investigar suspeitas de interferência da prefeitura na autonomia e no funcionamento dos conselhos municipais. No mesmo período, denúncias apresentadas ao Legislativo questionaram pagamentos ao prefeito e a locação de um imóvel destinado ao Conselho Tutelar.

O pagamento de R$ 144.666,66, realizado em dezembro de 2024, tornou-se um dos principais pontos da crise. Os denunciantes contestaram as rubricas e a legalidade das parcelas. A prefeitura e Kasarin defenderam que os valores correspondiam a direitos remuneratórios previstos na legislação municipal.

Conforme os registros jornalísticos publicados em março de 2026, o Ministério Público do Tocantins arquivou o procedimento após analisar a documentação. A Promotoria considerou a previsão de pagamento de 13º salário e férias, a revisão administrativa e a restituição de valores controversos, sem identificar indícios de dolo ou prejuízo ao erário.

Na Câmara, o processo político-administrativo foi arquivado por caducidade. O ato publicado em 9 de fevereiro de 2026 registrou que o prazo de 90 dias havia terminado sem julgamento final pelo plenário. Esse encerramento ocorreu por decurso de prazo, sem decisão sobre o mérito das acusações.

Sobre o imóvel do Conselho Tutelar, Kasarin afirmou, em manifestação publicada em outubro de 2025, que determinou o cancelamento da locação e a procura de outro espaço depois de críticas dos próprios vereadores às condições do local. Na ocasião, classificou os questionamentos contra sua gestão como perseguição política.

As contas municipais de 2021 também foram objeto de controvérsia. Reportagens registraram parecer prévio do Tribunal de Contas pela rejeição, com apontamentos relacionados a despesas previdenciárias, pessoal e aplicação de recursos em educação. O parecer do tribunal não se confunde com o julgamento definitivo das contas pelo Legislativo municipal.

Em 12 de março de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Cortina Digital em Colinas. Segundo informações oficiais reproduzidas pelo Diário Tocantinense, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em investigação sobre suspeita de violência política de gênero e utilização de redes sociais para uma campanha difamatória contra uma vereadora.

A cobertura do DT citou Kasarin entre os envolvidos apontados nas informações preliminares. A resposta oficial da PF, entretanto, não individualizou publicamente os nomes dos alvos nem as condutas de cada investigado. O cumprimento dos mandados não representa condenação.

Em 2 de abril, Kasarin renunciou ao cargo de prefeito, citando razões pessoais e administrativas. O vice, José Batista Ferreira, conhecido como Zé Nagru, assumiu o comando do município. Filiado ao Podemos, o ex-prefeito passou a disputar uma cadeira na Assembleia.

Durante a campanha estadual, também mudou de posição na eleição para governador. Depois de declarar apoio a Professora Dorinha, anunciou adesão a Vicentinho Júnior em 10 de setembro. Ao explicar a mudança, afirmou que a composição do antigo grupo em Colinas prejudicava seu projeto eleitoral.

Na parcial consultada, Marcos Junior e Paulinho do Bonifácio aparecem nas vagas destinadas ao Podemos, enquanto Kasarin permanece fora da projeção. Não é possível atribuir sua votação às denúncias sem evidências que sustentem essa relação. Os números ainda dependem da conclusão da apuração.

O Diário Tocantinense mantém aberto o espaço para que Kasarin e sua defesa apresentem esclarecimentos, documentos e sua versão sobre os episódios mencionados nesta reportagem, bem como sobre o desempenho eleitoral. Eventual manifestação será incorporada ao texto com o devido destaque. O histórico inclui as respostas públicas já registradas do ex-prefeito, respeita os arquivamentos informados e distingue denúncias e investigações de condenações.

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