Tocantins completa 38 anos com quase 1,6 milhão de habitantes e PIB de R$ 64,3 bilhões

Tocantins completa 38 anos com quase 1,6 milhão de habitantes e PIB de R$ 64,3 bilhões
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de outubro de 2026 3

Criado pela Constituição de 1988 após uma mobilização pela separação do antigo norte goiano, Estado chega ao aniversário com 139 municípios, crescimento populacional de mais de 70% desde o primeiro Censo após a emancipação e expansão puxada pelo agronegócio

O Tocantins completa 38 anos nesta segunda-feira, 5 de outubro, como o Estado mais novo criado pela Constituição Federal de 1988. Quase quatro décadas depois do desmembramento de Goiás, o território que começou sua vida administrativa em Miracema do Tocantins tem hoje 139 municípios, uma capital planejada, quase 1,6 milhão de habitantes e uma economia que alcançou R$ 64,3 bilhões no último resultado disponível do Produto Interno Bruto estadual.

A data de 5 de outubro carrega dois marcos. Foi nesse dia, em 1988, que a Constituição Federal criou oficialmente o Tocantins, por meio do artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Exatamente um ano depois, em 5 de outubro de 1989, foi promulgada a primeira Constituição estadual. A Lei Estadual nº 98, daquele mesmo ano, transformou a data em feriado em todo o território tocantinense.

Mais do que uma mudança no mapa brasileiro, a criação do Estado encerrou um processo político que atravessou diferentes períodos da história regional.

Uma separação discutida por mais de um século

A ideia de autonomia do norte de Goiás não começou na Constituinte de 1987 e 1988. Registros históricos apontam movimentos ainda no século XIX. Em 1821, Joaquim Teotônio Segurado liderou uma iniciativa para estabelecer um governo autônomo na região. Outras propostas surgiram posteriormente, até que a discussão voltou ao Congresso durante o século XX.

Na década de 1980, a mobilização ganhou espaço durante a elaboração da nova Constituição. O então deputado federal Siqueira Campos participou da articulação política pela criação do Estado, incorporada ao texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988.

A Constituição determinou que o Tocantins passaria a integrar oficialmente a Região Norte e estabeleceu o processo para eleição do primeiro governador, vice-governador, senadores e deputados. A instalação do Estado ocorreu em 1º de janeiro de 1989.

Miracema primeiro, Palmas depois

Antes de Palmas existir, Miracema do Norte — atual Miracema do Tocantins — recebeu a estrutura administrativa do novo Estado. A cidade permaneceu como capital provisória entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 1989.

Enquanto os primeiros órgãos públicos começavam a funcionar, uma nova capital era construída.

A pedra fundamental de Palmas foi lançada em 20 de maio de 1989. No início de 1990, os poderes estaduais deixaram Miracema e passaram a funcionar na nova capital.

O crescimento de Palmas ajuda a dimensionar a transformação ocorrida desde então. No Censo de 1991, a cidade tinha pouco mais de 24 mil moradores. No Censo de 2022, a população havia chegado a 302.692 pessoas.

Em pouco mais de três décadas, portanto, a capital multiplicou sua população por mais de 12.

Tocantins ganhou quase 700 mil habitantes

A mudança demográfica ocorreu em todo o Estado.

O primeiro Censo realizado após a criação do Tocantins registrou aproximadamente 920 mil habitantes em 1991. Para 2026, o IBGE estima 1.595.994 moradores. Isso representa crescimento de cerca de 73% em 35 anos.

O Estado ocupa 277,4 mil km². Apesar da expansão populacional, mantém baixa densidade demográfica: eram 5,45 habitantes por km² no Censo de 2022. A combinação entre território extenso, 139 municípios e população relativamente dispersa mantém temas como infraestrutura, transporte, saúde e acesso aos serviços públicos no centro do planejamento estadual.

A população também envelheceu. Em 1991, pessoas com 65 anos ou mais representavam 3,8% dos tocantinenses. Em 2022, essa participação chegou a 8,6%. No sentido inverso, crianças e adolescentes de até 14 anos passaram de 41,7% para 23,2% da população no mesmo intervalo.

Os números mostram que o Tocantins dos 38 anos não é apenas maior que aquele dos primeiros anos de existência. Sua estrutura demográfica também mudou.

Economia chega a R$ 64,3 bilhões

A transformação também aparece na economia.

O Produto Interno Bruto do Tocantins chegou a R$ 64,3 bilhões em 2023, dado estadual mais recente consolidado pelas Contas Regionais. O crescimento em volume foi de 7,9% em relação a 2022, quarto maior resultado entre os estados brasileiros naquele ano.

Em valores correntes, foram aproximadamente R$ 6,1 bilhões acrescentados à economia tocantinense em um ano. O PIB havia sido de R$ 58,2 bilhões em 2022.

O PIB per capita alcançou R$ 42.553,36 em 2023, segundo maior resultado da Região Norte naquele levantamento.

A agropecuária participou diretamente dessa expansão. O volume produzido pelo setor aumentou 15,5% em 2023, com destaque para soja, pecuária e atividades ligadas à silvicultura e à extração vegetal.

A inserção no mercado externo também cresceu. Em 2025, as exportações tocantinenses chegaram a aproximadamente US$ 3 bilhões, segundo dados do Comex Stat citados pela Prefeitura de Porto Nacional. Soja e seus derivados permanecem entre os principais produtos da pauta exportadora.

O desafio econômico passa agora por ampliar a transformação da produção dentro do próprio Estado, agregar valor às cadeias agropecuárias e aproximar o crescimento do PIB da geração de emprego e renda nos municípios.

Entre Cerrado, Amazônia e identidade própria

O território tocantinense também ocupa uma posição ambiental particular. Todo o Estado está inserido na Amazônia Legal, embora sua cobertura natural seja predominantemente do Cerrado, com uma parcela do território pertencente ao Bioma Amazônia.

É nesse encontro de paisagens que se encontram regiões que passaram a integrar a imagem do Tocantins dentro e fora do Brasil, como o Jalapão, além das áreas do Cantão, da Ilha do Bananal, das serras, rios e praias formadas durante o período de estiagem.

A identidade tocantinense também passa pelos povos indígenas, pelas comunidades tradicionais, pelo capim-dourado, pelas manifestações religiosas, pelas festas populares e pela história de municípios que existiam muito antes da criação oficial do Estado.

Nesse sentido, o Tocantins de 1988 nasceu como unidade federativa nova, mas sobre um território de ocupação e história anteriores à própria divisão de Goiás.

Aos 38 anos, Estado entra em nova etapa

Os números de 2026 mostram um Tocantins diferente daquele instalado em 1989. A população aumentou, Palmas saiu do papel e se transformou no maior centro administrativo estadual, o agronegócio ampliou sua participação na economia e o Estado passou a ocupar uma posição estratégica na produção de alimentos e na ligação entre diferentes regiões do país.

Ao mesmo tempo, o aniversário coloca em perspectiva questões que acompanham o desenvolvimento tocantinense: reduzir desigualdades entre os municípios, ampliar infraestrutura e saneamento, melhorar a conexão logística, diversificar a economia, preservar Cerrado e Amazônia e transformar crescimento econômico em melhoria das condições de vida.

Aos 38 anos, o Tocantins ainda carrega uma característica particular entre as unidades da Federação: boa parte de sua estrutura institucional, de sua capital e de sua configuração econômica foi construída diante dos olhos da geração que participou de sua criação.

A história que começou formalmente em 5 de outubro de 1988 permanece, portanto, em construção.

Feriado foi transferido em 2026

Apesar de o aniversário oficial continuar sendo celebrado em 5 de outubro, o Governo do Tocantins transferiu excepcionalmente, em 2026, a observância do feriado para sexta-feira, 9 de outubro, por meio do Decreto Estadual nº 7.238. Municípios como Palmas, Porto Nacional e Araguaína também adequaram seus calendários. A mudança administrativa não altera a data histórica da criação do Estado.

Notícias relacionadas