Análise: Dimas, Kátia e Laurez se encontram no palanque tucano, enquanto Dorinha reforça direita no Tocantins

Análise: Dimas, Kátia e Laurez se encontram no palanque tucano, enquanto Dorinha reforça direita no Tocantins
Foto Ademir dos Anjos
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de outubro de 2026 6

Ronaldo Dimas, Tiago Dimas, Kátia Abreu e Laurez Moreira estão no mesmo lado da disputa pelo Governo do Tocantins no segundo turno: o de Vicentinho Júnior (PSDB). A aproximação reúne lideranças de trajetórias diferentes, incluindo uma coordenadora da campanha de Lula e políticos que estavam com Professora Dorinha no primeiro turno. Do outro lado, Dorinha reforça sua ligação com Flávio Bolsonaro e lideranças conservadoras.

Esse encontro de aliados mostra que a eleição estadual ultrapassa as fronteiras ideológicas da disputa presidencial. A presença de Kátia e Laurez aproxima o palanque tucano do campo ligado a Lula, enquanto os Dimas e Eli Borges ampliam sua composição com nomes que vieram da aliança adversária. Isso não significa que todos tenham assumido a mesma orientação ideológica.

Kátia Abreu, ex-senadora, filiada ao PT e coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, declarou voto em Vicentinho. Ao explicar sua escolha à Coluna do CT, citou o voto do deputado contra o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e o fato de ele ter anunciado apoio a Flávio Bolsonaro antes do primeiro turno. Na avaliação apresentada por Kátia, o tucano havia deixado sua posição presidencial clara desde aquela etapa.

A escolha expõe uma combinação política: Kátia trabalha pela eleição de Lula à Presidência e prefere, para o governo estadual, um candidato que declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Seu posicionamento é individual. O PT do Tocantins aprovou uma resolução pela neutralidade na disputa estadual e decidiu concentrar sua campanha no presidente Lula.

Laurez Moreira, vice-governador e candidato apoiado por Lula e partidos de esquerda no primeiro turno, também aderiu a Vicentinho. Terceiro colocado, recebeu 69.967 votos no estado. Ao justificar sua decisão, afirmou considerar que Dorinha poderia contribuir mais com o Tocantins permanecendo no Senado.

Os deputados estaduais Luciano Oliveira e Gutierres Torquato, ambos do PSD e integrantes da base de Laurez no primeiro turno, também anunciaram apoio ao tucano. As adesões levam parte daquele grupo para a candidatura de Vicentinho, sem representar uma decisão uniforme de todos os partidos ou eleitores que acompanharam Laurez.

Ronaldo Dimas e seu filho, o deputado federal Tiago Dimas, ambos do Podemos, anunciaram apoio a Vicentinho nesta terça-feira, 13, durante um encontro em Araguaína. Pai e filho estavam no grupo de Dorinha no primeiro turno e agora dividem o palanque tucano com Kátia, Laurez e outras lideranças.

Ao explicar a mudança, Ronaldo Dimas afirmou que sua decisão se relaciona a um projeto de desenvolvimento para o Tocantins. Segundo os relatos do anúncio, também mencionou compromissos com obras estruturantes. Essa é a justificativa pública apresentada pelo ex-prefeito; expectativas de cargos ou acordos futuros exigem comprovação antes de serem atribuídas aos envolvidos.

A chegada dos Dimas coloca duas lideranças de Araguaína em lados diferentes. O prefeito Wagner Rodrigues permanece com Dorinha e defende sua candidatura como caminho para fortalecer as parcerias entre o município e o governo estadual.

Em declaração divulgada pelo Araguaína Notícias, Wagner demonstrou surpresa com a decisão de Ronaldo Dimas e reafirmou sua escolha. “A gente precisa de parceiro que ajuda a cidade. Quem não ajuda, para nós não serve”, afirmou o prefeito.

Vicentinho também recebeu Eli Borges, deputado federal do Republicanos e liderança evangélica que disputou o Senado na aliança de Dorinha. Eli mantém sua identificação com a direita e seu apoio presidencial a Flávio Bolsonaro. Sua presença demonstra que o palanque tucano reúne conservadores e aliados de Lula na mesma disputa estadual.

Dorinha, por sua vez, conta com o apoio declarado de Flávio Bolsonaro e tem no senador Eduardo Gomes, do PL, um articulador dessa aproximação. Também recebeu manifestações de lideranças conservadoras, como Damares Alves. A candidata afirmou que mantém sua posição de centro e de direita.

A diferença entre os finalistas ajuda a explicar a busca por novas alianças. Dorinha terminou o primeiro turno com 386.260 votos, equivalentes a 45,52% dos válidos. Vicentinho recebeu 372.848 votos, ou 43,94%. A vantagem da senadora foi de 13.412 votos.

Em Araguaína, Vicentinho ficou à frente, com 40.080 votos e 45,22% dos válidos. Dorinha recebeu 37.608 votos, ou 42,43%. A diferença foi de 2.472 votos a favor do tucano, mesmo com Wagner apoiando a senadora.

Ronaldo Dimas foi o candidato ao Senado mais votado na cidade, com 42.567 votos, embora não tenha conquistado uma das vagas no resultado estadual. O desempenho comprova sua presença eleitoral no município, mas não permite concluir que esses eleitores acompanharão sua escolha para governador.

O histórico das eleições municipais mostra a trajetória dos dois líderes locais. Dimas venceu a Prefeitura com 50.069 votos em 2012 e foi reeleito com 32.522 em 2016. Wagner conquistou 39.735 votos em 2020 e ampliou sua votação para 73.158 em 2024, quando alcançou 78,38% dos votos válidos.

Wagner cresceu 33.423 votos entre suas duas vitórias. Dimas, por sua vez, preservou força suficiente para liderar a votação municipal ao Senado em 2026. As comparações precisam considerar que são eleições diferentes, com mudanças no eleitorado, no número de candidatos e nas condições de disputa.

A análise dos movimentos indica que Vicentinho busca reunir apoios de diferentes campos para superar a vantagem estadual de Dorinha. A senadora reforça sua identificação conservadora e tenta transformar sua rede de aliados em maioria no segundo turno. Kátia mantém Lula como escolha presidencial e Vicentinho como opção estadual; Laurez aposta no tucano; os Dimas apresentam a adesão como uma escolha por desenvolvimento; Wagner defende Dorinha pela expectativa de parceria com Araguaína.

O encontro dessas lideranças no mesmo palanque revela uma aliança eleitoral ampla. Não comprova que os Dimas tenham se tornado de esquerda, nem que todos os aliados de Dorinha pertençam à direita. A questão central é quanto cada candidatura conseguirá convencer os eleitores, além dos anúncios feitos por seus apoiadores.

O Diário Tocantinense mantém o espaço aberto para manifestações, esclarecimentos, correções e eventual direito de resposta de Vicentinho Júnior, Professora Dorinha, Ronaldo Dimas, Tiago Dimas, Kátia Abreu, Laurez Moreira, Wagner Rodrigues, Eli Borges, dos partidos e de todos os demais citados.

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