Dorinha e Vicentinho no Congresso: comparação de alinhamento exige critérios e votos documentados

Dorinha e Vicentinho no Congresso: comparação de alinhamento exige critérios e votos documentados
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de outubro de 2026 11

Adversários no segundo turno da eleição para o Governo do Tocantins, Professora Dorinha, do União Brasil, e Vicentinho Júnior, do PSDB, têm um histórico parlamentar que reúne divergências, votos semelhantes e participações em agendas do governo Bolsonaro. Os registros mostram que a disputa pelo apoio da direita em 2026 não pode ser explicada apenas por fotografias de palanque ou por uma votação isolada.

A comparação começa pelo período em que os dois exerceram mandatos na Câmara dos Deputados. Dorinha assumiu como deputada federal em 2011 e permaneceu na Casa até sua eleição para o Senado, em 2022. Vicentinho iniciou seu primeiro mandato federal em 2015. Desde fevereiro de 2023, portanto, os adversários atuam em Casas diferentes, com pautas, procedimentos e calendários próprios. Comparações posteriores precisam considerar essa diferença.

Uma divergência ocorreu em 17 de abril de 2016, na votação que autorizou a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Dorinha votou “sim”; Vicentinho Júnior votou “não”. A decisão separou os dois naquele episódio, mas aconteceu antes da Presidência de Jair Bolsonaro. O voto documenta uma posição sobre o impeachment e não estabelece, sozinho, o alinhamento de cada parlamentar em todos os governos seguintes. Registro da votação de 2016.

Durante o governo Bolsonaro, os dois estiveram do mesmo lado em uma das principais propostas econômicas do Executivo. Em 10 de julho de 2019, Dorinha e Vicentinho votaram favoravelmente ao texto principal da reforma da Previdência, a PEC 6/2019, em primeiro turno. A proposta foi aprovada por 379 votos a 131. Nesse caso, ambos contribuíram para a aprovação de uma prioridade do governo federal. Votação nominal da Câmara.

A proximidade institucional também apareceu no Tocantins. Em 29 de agosto de 2019, Dorinha e Vicentinho participaram da agenda em que o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, assinou a ordem de serviço para a retomada das obras da ponte entre Xambioá e São Geraldo do Araguaia. Dorinha destacou o empenho da bancada, enquanto Vicentinho agradeceu o compromisso do ministro com o Estado. A participação conjunta estava relacionada a uma obra federal e à atuação dos representantes tocantinenses. Registro da agenda de Xambioá.

Os dois também contrariaram uma proposta defendida por Bolsonaro. Em 10 de agosto de 2021, Dorinha e Vicentinho votaram contra a PEC 135/2019, que previa a impressão de comprovantes físicos do voto. A proposta recebeu 229 votos favoráveis, abaixo dos 308 necessários para uma emenda constitucional, e foi rejeitada. A coincidência mostra que apoiar a reforma da Previdência não significou acompanhar todas as posições do então presidente. Registro dos votos, resultado da sessão.

Em 22 de março de 2022, Dorinha e Vicentinho voltaram a aparecer em uma mesma agenda presidencial no Tocantins. Ambos participaram da recepção a Jair Bolsonaro em Porto Nacional, durante o lançamento do programa DNA do Brasil, ao lado do governador Wanderlei Barbosa e de lideranças locais. O episódio comprova a presença dos dois na visita, mas não substitui o exame de suas decisões legislativas. Registro da visita presidencial.

O histórico posterior também inclui relações com o governo Lula. Um documento oficial do Senado registra que Dorinha foi designada quarta vice-líder do governo em 23 de março de 2023. Trata-se de uma função formal exercida naquele período, que precisa integrar uma comparação equilibrada. A designação histórica, porém, não deve ser apresentada como prova de que ela continua na função em outubro de 2026. Registro oficial do Senado.

Vicentinho, por sua vez, votou favoravelmente em deliberações de interesse do governo Lula, incluindo a votação de 31 de maio de 2023 sobre a reorganização dos ministérios e a deliberação da reforma tributária em 6 de julho daquele ano. Esses registros permitem identificar decisões concretas do deputado. Para transformá-los em um percentual de alinhamento, seria necessário definir previamente todas as votações incluídas, as orientações do governo e o tratamento de ausências e abstenções. Votação de 31 de maio, votação de 6 de julho.

Uma votação de 2026 permite observar os dois adversários e Flávio Bolsonaro na mesma matéria. Em 30 de abril, Dorinha, Vicentinho e Flávio votaram “não” na apreciação do Veto 3/2026, relacionado ao projeto da dosimetria das penas. Naquela votação, “não” significava rejeitar o veto presidencial. Os três, portanto, acompanharam a posição favorável à derrubada do veto, respeitado o alcance dos dispositivos efetivamente submetidos à decisão. Painel nominal do Congresso, resultado da sessão conjunta.

Na campanha estadual, o apoio de Flávio a Dorinha tornou-se explícito em vídeo divulgado em 7 de outubro. “Pro futuro do Tocantins, o melhor é Dorinha”, afirmou. Vicentinho também declarou preferência por Flávio na disputa presidencial. São manifestações diferentes: uma corresponde ao apoio recebido por uma candidata ao governo; a outra, à escolha presidencial declarada pelo adversário. Registro do apoio de Flávio.

Os episódios documentados mostram convergências e divergências ao longo de dez anos. Não sustentam, por si, um ranking definitivo de quem foi “mais Bolsonaro” ou “mais Lula”. Um levantamento dessa natureza exigiria uma base completa e critérios publicados, aplicados igualmente aos dois parlamentares. Fotografias, cargos de liderança, votos e apoios eleitorais ajudam a explicar a trajetória de cada um, mas representam dimensões distintas da atuação política.

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