Dra. Ariane Bonucci alerta para sinais de perda auditiva que podem passar despercebidos

Dra. Ariane Bonucci alerta para sinais de perda auditiva que podem passar despercebidos
Foto: Divulgação
João CostaPor João Costa 15 de outubro de 2026 4

Dificuldade para compreender palavras, aumento do volume da televisão e afastamento de conversas podem indicar alterações que merecem avaliação

A Dra. Ariane Bonucci, fonoaudióloga do Espaço da Audição, chama a atenção para mudanças na audição que se desenvolvem gradualmente e podem passar despercebidas. Segundo a especialista, a pessoa pode continuar ouvindo sons e vozes, mas começar a apresentar dificuldade para compreender palavras, especialmente em ambientes com ruído ou com várias pessoas falando ao mesmo tempo.

Como essas alterações nem sempre são percebidas de imediato, é comum desenvolver estratégias para compensá-las: aproximar-se de quem está falando, observar mais o rosto do interlocutor ou aumentar o volume da televisão. Essa adaptação pode retardar o reconhecimento da dificuldade e a procura por avaliação.

Ouvir a voz não significa compreender toda a conversa

Ariane explica que a perda auditiva não costuma se manifestar como a ausência completa de sons. Em alguns casos, a dificuldade começa na percepção de sons mais agudos e de partes da fala, comprometendo a compreensão das palavras.

“Eu escuto, mas não entendo” é uma das expressões que exemplificam essa situação. A pessoa percebe que alguém está falando, mas perde informações importantes da conversa. Em restaurantes, reuniões familiares e outros ambientes ruidosos, acompanhar o diálogo pode exigir mais esforço.

De acordo com a fonoaudióloga, compreender a fala é uma função fundamental da audição. Por isso, conseguir ouvir uma voz não exclui a possibilidade de uma alteração auditiva.

Familiares podem perceber os primeiros sinais

Quem convive com a pessoa frequentemente identifica mudanças antes dela própria. Entre os sinais estão pedidos constantes de repetição, respostas que não correspondem à pergunta e volume da televisão mais alto.

A redução da participação em conversas também merece atenção. Segundo Ariane, a dificuldade para acompanhar diálogos pode levar a pessoa a evitar encontros e situações que exigem maior esforço para ouvir.

Como a mudança acontece aos poucos, essa maneira de ouvir pode se tornar habitual. A pessoa passa a atribuir a dificuldade à fala baixa, rápida ou pouco clara dos outros. Quando familiares e amigos fazem observações recorrentes sobre a audição, a especialista recomenda considerar esses relatos e procurar avaliação.

Acompanhamento deve considerar exposição ao ruído e envelhecimento

Ariane defende a inclusão da saúde auditiva nos cuidados preventivos ao longo da vida. Em sua orientação, o acompanhamento com o otorrinolaringologista permite avaliar a necessidade de exames e a periodicidade adequada.

A especialista destaca a importância da audiometria periódica para pessoas expostas ao ruído e da avaliação durante o envelhecimento, quando alterações graduais podem surgir mesmo sem uma queixa evidente.

O objetivo é identificar dificuldades antes que provoquem impactos mais expressivos na comunicação, na autonomia e na participação social.

Identificação precoce amplia as possibilidades de cuidado

Segundo Ariane, reconhecer uma alteração precocemente permite investigar sua causa, avaliar se há possibilidade de reversão e definir as alternativas de tratamento.

A fonoaudióloga também ressalta que a perda auditiva não tratada está associada a maior risco de declínio cognitivo, além de poder contribuir para o isolamento social. Quando há indicação de aparelhos auditivos, a adaptação busca melhorar o acesso aos sons da fala e facilitar a comunicação.

Redução repentina da audição exige atendimento rápido

A orientação muda quando a audição diminui subitamente, principalmente em apenas um ouvido. Nessa situação, Ariane alerta que não se deve esperar por uma melhora espontânea nem adiar a avaliação para um check-up de rotina.

A perda auditiva súbita exige avaliação médica rápida, pois o início precoce do tratamento pode ser importante para a recuperação.

“Cuidar da audição é cuidar da comunicação, das relações, da independência e também da forma como queremos envelhecer”, afirma.

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