Análise: Paraná apontava 7 pontos de vantagem para Dorinha, mas urnas mostraram diferença de apenas 1,58 diante da nova pesquisa o que aconteceu?

Análise: Paraná apontava 7 pontos de vantagem para Dorinha, mas urnas mostraram diferença de apenas 1,58 diante da nova pesquisa o que aconteceu?
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 19 de outubro de 2026 16

Análise DT: Paraná aponta virada para Vicentinho após superestimar vantagem de Dorinha no primeiro turno

O Paraná Pesquisas apresenta um cenário diferente daquele registrado antes do primeiro turno no Tocantins. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, 19 de outubro, Vicentinho Júnior aparece com 56,5% dos votos válidos, contra 43,5% de Professora Dorinha. A vantagem de 13 pontos exige atenção, mas sua leitura também precisa considerar o desempenho anterior do instituto e os limites da comparação entre duas etapas da eleição.

Na estimulada, calculada sobre o total de entrevistados, Vicentinho registra 52,5%, e Dorinha, 40,4%. Nenhum, branco e nulo somam 4,1%; outros 3% não souberam ou não opinaram. A pesquisa ouviu 1.500 eleitores entre 14 e 17 de outubro, foi contratada pela Fieto e informa confiança de 95% e margem de 2,5 pontos percentuais. O registro é TO-09349/2026, conforme a divulgação da Coluna do CT.

Para o Diário Tocantinense, a análise deve começar por uma distinção: o levantamento anterior acertou a ordem dos dois primeiros colocados, mas apresentou uma vantagem para Dorinha consideravelmente maior que a observada nas urnas. Isso permite questionar sua capacidade de dimensionar aquela disputa, sem atribuir ao instituto um erro que não ocorreu — a inversão da classificação dos candidatos.

Antes do primeiro turno, o Paraná apontava Dorinha com 46,4% e Vicentinho com 39,4% dos votos válidos. Nas urnas, os percentuais foram de 45,52% e 43,94%, respectivamente, segundo a apuração publicada pela EXAME com dados do TSE. A distância caiu dos sete pontos indicados pelo levantamento para 1,58 ponto no resultado.

A maior discrepância individual esteve no percentual de Vicentinho, que terminou 4,54 pontos acima da estimativa. Dorinha ficou 0,88 ponto abaixo. A diferença entre os candidatos foi, portanto, 5,42 pontos menor nas urnas. Esse histórico merece explicação técnica, especialmente porque o mesmo instituto volta a apresentar uma distância expressiva, agora favorável ao adversário da senadora.

O confronto mais adequado entre as duas rodadas, entretanto, não é simplesmente colocar a pesquisa de primeiro turno ao lado da atual. O levantamento anterior também testou uma hipótese de segundo turno entre Dorinha e Vicentinho. Nesse cenário, a candidata tinha 52,8% dos votos válidos, contra 47,2% do deputado, conforme o relatório original do instituto.

Nessa comparação, Vicentinho avança 9,3 pontos e Dorinha recua na mesma proporção. A distância muda de uma vantagem de 5,6 pontos para a senadora para uma vantagem de 13 pontos para o deputado. Trata-se de uma alteração de 18,6 pontos no saldo entre os candidatos, não de uma transferência comprovada de 18,6 pontos do eleitorado.

A distinção é essencial. Em um confronto com apenas dois nomes, o recálculo dos votos válidos faz os percentuais somarem 100%. A alta de um corresponde à queda do outro nessa base, mas não revela quais pessoas mudaram de preferência. Não é possível concluir, apenas com esses totais, quantos eleitores saíram de Dorinha, quantos vieram de candidaturas eliminadas ou quantos decidiram depois das primeiras entrevistas.

Também há uma mudança de contexto. A simulação anterior foi realizada quando o primeiro turno ainda estava em andamento. A pesquisa atual foi feita depois da definição dos finalistas e em meio a novas articulações. Essa diferença torna plausível uma reorganização das preferências, mas não comprova a dimensão nem as causas de cada movimento.

Na metodologia, a amostra anterior tinha 1.504 eleitores em 73 municípios, entrevistados entre 29 de setembro e 1º de outubro. A coleta era pessoal, domiciliar e presencial, com seleção de municípios e localidades e aplicação de cotas na escolha dos entrevistados. O relatório informava confiança de 95%, margem estimada de 2,6 pontos para os resultados gerais e registro TO-02116/2026.

A amostra atual, de 1.500 pessoas, é praticamente do mesmo tamanho. A redução da margem divulgada, de 2,6 para 2,5 pontos, não explica por si só a mudança eleitoral apresentada. Tampouco permite concluir que a nova rodada seja metodologicamente superior.

Uma avaliação completa exige examinar o relatório integral do levantamento atual: distribuição territorial, perfil dos entrevistados, cotas, ponderação, questionário e modalidade de coleta. Sem essa documentação, não há fundamento para afirmar que todos os procedimentos foram mantidos ou que alguma alteração específica produziu o novo resultado.

A margem de erro também não funciona como explicação universal. Ela expressa uma dimensão da incerteza estatística sob as premissas do levantamento e não abrange automaticamente problemas de cobertura, recusas, respostas ou mudanças de preferência entre a entrevista e a votação. Sua aplicação à diferença entre candidatos e aos percentuais recalculados precisa respeitar as especificações técnicas.

A leitura criteriosa do DT é que o Paraná não reproduziu com precisão o tamanho da vantagem do primeiro turno e agora registra uma mudança relevante na disputa. As duas informações devem ser apresentadas juntas. O desempenho anterior justifica cobrança por transparência e explicações, mas não constitui prova de que os números atuais estejam errados.

Da mesma forma, adesões e mobilizações não podem ser usadas como explicação automática para a mudança. A análise do DT sobre a articulação dos grupos políticos já distinguiu demonstração de força partidária de transferência efetiva de votos. Para atribuir o avanço a uma liderança ou acontecimento, seriam necessários dados adicionais.

O resultado de 25 de outubro permitirá comparar a nova estimativa com a votação. Até lá, o compromisso jornalístico é apresentar o cenário medido, recuperar o histórico do instituto e deixar claras as perguntas que os dados ainda não respondem.

O Instituto Paraná Pesquisas e a Fieto têm espaço aberto para apresentar a documentação metodológica da nova rodada e explicar as diferenças observadas. As campanhas de Dorinha e Vicentinho também podem encaminhar manifestações e informações documentadas.

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