Vicentinho mira Wanderlei, Dorinha defende trajetória e bate-boca entre vices marca debate

Vicentinho mira Wanderlei, Dorinha defende trajetória e bate-boca entre vices marca debate
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 19 de outubro de 2026 7

O debate desta segunda-feira, 19 de outubro, entre Vicentinho Júnior e Professora Dorinha, promovido pela TV Norte/SBT, evidenciou estratégias diferentes na disputa pelo Governo do Tocantins. Vicentinho retomou críticas à gestão de Wanderlei Barbosa e procurou associar a adversária ao governador. Dorinha concentrou sua defesa na própria trajetória e no trabalho que pretende desenvolver caso seja eleita.

O confronto também teve bate-boca entre os candidatos a vice-governador, Atos Gomes, do Republicanos, que integra a chapa de Dorinha, e Amélio Cayres, do MDB, vice de Vicentinho. A discussão levou a tensão às duas composições que disputam o comando do Executivo estadual.

Ao trazer Wanderlei para o debate, Vicentinho buscou colocar a administração atual no centro da discussão e reforçar sua posição de oposição. Dorinha procurou apresentar sua candidatura a partir da experiência acumulada e dos compromissos para um eventual governo.

A distinção é relevante: Dorinha recebe apoio de Wanderlei, mas não tem a caneta do Executivo estadual. Como senadora, não comanda as secretarias nem determina diretamente as decisões administrativas do governador. Sua aliança pode ser questionada politicamente, assim como suas propostas e sua autonomia, sem atribuir automaticamente a ela cada ato da gestão.

Vicentinho também precisa responder pelos compromissos de sua candidatura. Criticar o governo integra a disputa eleitoral, mas exige explicar como pretende executar mudanças, financiar propostas e organizar a administração.

A composição dos apoios acrescenta outra dimensão ao confronto. Laurez Moreira, atual vice-governador e candidato derrotado no primeiro turno, declarou apoio a Vicentinho em 8 de outubro. Laurez havia disputado o governo com respaldo do PT e de Lula, mas sua decisão no segundo turno não significou a adesão automática dos partidos que participaram de sua campanha. Declaração de apoio.

O PT do Tocantins adotou uma posição própria. Em resolução aprovada por unanimidade pela Executiva estadual em 7 de outubro, decidiu não apoiar nem participar da campanha de nenhum dos dois candidatos ao governo. A orientação oficial foi concentrar a mobilização na reeleição de Lula. Portanto, o apoio de Laurez a Vicentinho não deve ser apresentado como apoio formal do PT. Resolução partidária reproduzida na íntegra.

Kátia Abreu, filiada ao PT e coordenadora da campanha de Lula no estado, declarou voto em Vicentinho. A manifestação é individual e deve ser distinguida da decisão partidária. A escolha ocorre apesar do posicionamento do candidato do PSDB em favor de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Registro da declaração.

Entre as adesões mais recentes está a de Alfredo Júnior, do Republicanos, que anunciou apoio a Vicentinho no domingo, 18, em Porto Nacional. Alfredo havia integrado o grupo de Dorinha e justificou a mudança alegando falta de diálogo com a candidata.

Alfredo é irmão de Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, citado pelo Estadão em reportagem sobre transferências de empresas relacionadas ao empresário à empresa de Roberta Luchsinger. A defesa da EDP afirmou à publicação que cumpre a legislação e colabora com as autoridades. O parentesco não demonstra participação de Alfredo nos fatos relatados, e o material consultado não estabelece ligação desses repasses com a campanha de Vicentinho. Reportagem do Estadão reproduzida no Terra.

As adesões mostram que a candidatura de Vicentinho reúne lideranças de campos políticos diferentes. Isso permite questionar os compromissos assumidos, mas não presumir acordos sobre cargos ou controle de um eventual governo sem comprovação.

Dorinha mantém o respaldo de Wanderlei Barbosa, Eduardo Gomes e de uma ampla base de prefeitos. Assim como ocorre com Vicentinho, a força dessas alianças dependerá da capacidade de mobilização dos eleitores. Declarações de apoio não representam transferência automática de votos.

O debate colocou diante do eleitor duas linhas de campanha: Vicentinho insistiu na relação da adversária com a administração atual; Dorinha defendeu seu percurso e o governo que pretende construir. A discussão entre os vices também expôs os representantes que poderão participar diretamente da condução do estado.

A avaliação das duas chapas deve considerar seus próprios atos, propostas e compromissos. Cabe a ambas explicar prioridades, custos e prazos, além de esclarecer o papel dos aliados em uma eventual administração.

As campanhas de Dorinha e Vicentinho, os candidatos a vice, Laurez Moreira, o PT, Kátia Abreu, Alfredo Júnior e os demais envolvidos têm espaço aberto para esclarecimentos e manifestações sobre os pontos abordados.

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