Eleição da Mesa Diretora de Colinas movimenta bastidores e acende debate sobre compra de votos, transparência e responsabilidade dos 13 vereadores

Eleição da Mesa Diretora de Colinas movimenta bastidores e acende debate sobre compra de votos, transparência e responsabilidade dos 13 vereadores
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 6 de novembro de 2026 11

A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Colinas do Tocantins para o biênio 2027–2028 coloca os 13 vereadores no centro das articulações políticas. A eleição da nova Mesa Diretora, responsável pela condução dos trabalhos legislativos e administrativos da Casa, também chama a atenção para a importância da transparência, da independência entre os poderes e do combate a qualquer tentativa de negociação ilegal de votos.

Diferentemente das eleições municipais, nas quais a população escolhe diretamente seus representantes, a eleição da Mesa Diretora é realizada pelos próprios vereadores. São eles que decidem quem ocupará a presidência, a vice-presidência e as secretarias da Câmara, observadas as regras do Regimento Interno e da legislação aplicável.

Os 13 parlamentares que compõem a legislatura 2025–2028 são Augusto Agra (União Brasil), Jefferson Chokito (Republicanos), Marcus Júnior Guimarães (Republicanos), Daniel Garrincha (PDT), Naiara Miranda (MDB), Lazim do Diógenes (PDT), Professora Elma (União Brasil), Ranniere Macaúba (PP), Gauchinho da Labella (PRD), Edmilson Bolota (União Brasil), Gildeon Morais (Republicanos), Leandro Coutinho (PSDB) e Dayhany Mota, conhecida como Filha do Gila (União Brasil).

Esses são os integrantes do Legislativo municipal e, em regra, participam da escolha da Mesa Diretora. A possibilidade de cada parlamentar disputar determinado cargo depende dos requisitos regimentais, das regras sobre recondução e de eventuais impedimentos legais.

Atualmente, a presidência da Câmara é exercida por Augusto Agra, tendo Jefferson Chokito como vice-presidente, Marcus Júnior Guimarães como primeiro-secretário e Daniel Garrincha como segundo-secretário.

Nos bastidores, Augusto Agra já foi citado como interessado em permanecer na presidência. O nome de Lazim do Diógenes também aparece nas conversas políticas sobre a sucessão. Entretanto, as articulações não devem ser confundidas com candidaturas formalmente registradas, que dependem dos procedimentos previstos pela Câmara.

A disputa ganhou novos contornos com a discussão sobre o calendário da eleição. Em setembro, parte dos vereadores defendia a realização da votação antes do primeiro turno das eleições gerais, enquanto outra parte preferia que a escolha ocorresse posteriormente.

A Câmara também registrou o Projeto de Resolução nº 2/2026, apresentado por Augusto Agra, Jefferson Chokito, Daniel Garrincha e Marcus Júnior Guimarães. A proposta trata de alterações nos artigos 43 e 45 do Regimento Interno, envolvendo o marco temporal da eleição para o segundo biênio e os limites de recondução sucessiva aos cargos da Mesa Diretora.

Além das disputas por cargos, o processo levanta uma discussão sobre a integridade das eleições internas. A compra de votos, a promessa de vantagens pessoais, o oferecimento de dinheiro ou a negociação indevida de benefícios em troca de apoio político são situações que, caso ocorram, precisam ser investigadas conforme a legislação.

É necessário distinguir os acordos políticos legítimos, que fazem parte do funcionamento das casas legislativas, de possíveis condutas ilícitas. A formação de chapas, a negociação de apoio institucional e a construção de maiorias não constituem, por si só, irregularidades. Já a oferta de vantagens indevidas pode envolver responsabilidades administrativas, civis ou criminais, conforme as circunstâncias e as provas disponíveis.

Até o momento, não há elementos apresentados nesta apuração que permitam afirmar que algum dos 13 vereadores de Colinas tenha comprado, vendido ou negociado votos mediante pagamento na disputa pela Mesa Diretora. Qualquer denúncia dessa natureza exige documentos, testemunhos verificáveis e investigação pelos órgãos competentes.

A população também tem um papel importante nesse processo. Embora não participe diretamente da votação interna, pode acompanhar as sessões, consultar os atos oficiais, verificar a composição das chapas e cobrar informações sobre os procedimentos adotados pela Câmara.

A escolha da presidência tem consequências para o funcionamento do Legislativo. A Mesa Diretora participa da organização das sessões, da administração da estrutura da Câmara e da condução de procedimentos legislativos, sempre dentro das competências previstas em lei.

A autonomia do Poder Legislativo em relação à Prefeitura é outro aspecto relevante. A Constituição estabelece a independência e a harmonia entre os poderes, princípio que orienta o funcionamento das instituições municipais.

Por isso, a eleição não se limita à definição de quem ocupará a cadeira de presidente. Também envolve a organização administrativa da Casa, a relação institucional com o Executivo e a condução dos trabalhos dos representantes eleitos pela população.

Com 13 vereadores participando do processo, a formação das chapas, o calendário oficial e a observância das regras regimentais serão pontos importantes para o acompanhamento público da eleição.

O Diário Tocantinense continuará acompanhando as movimentações e mantém espaço aberto para manifestações dos 13 parlamentares, da Presidência da Câmara e de eventuais candidatos à Mesa Diretora sobre o processo eleitoral, a transparência da votação e as articulações políticas.

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