Tocantins pode deixar R$ 719 milhões em compromissos para Vicentinho Júnior e acende alerta sobre caixa do Tesouro Estadual
O governador eleito do Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB), poderá assumir o comando do Palácio Araguaia diante de um cenário financeiro que exige atenção. Informações divulgadas sobre as contas do governo Wanderlei Barbosa (Republicanos) apontam para aproximadamente R$ 719 milhões em obrigações financeiras que poderão chegar à próxima gestão, além de um déficit previdenciário superior a R$ 1 bilhão.
O montante de R$ 719 milhões levanta questionamentos sobre a disponibilidade de recursos do Tesouro Estadual, os pagamentos pendentes e a capacidade financeira da administração para honrar compromissos até o encerramento do exercício de 2026.
O cenário também ganha importância diante das movimentações políticas em torno da formação do próximo governo e da disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Enquanto lideranças articulam alianças e espaços de poder, a situação fiscal poderá se transformar em um dos principais desafios da nova administração.
Em fevereiro deste ano, dados do Relatório de Gestão Fiscal já indicavam saldo negativo de R$ 288,47 milhões na disponibilidade de caixa livre do Estado. Na ocasião, a Secretaria da Fazenda explicou que o resultado estava relacionado à antecipação de salários e encargos dos servidores, afastando a interpretação de desequilíbrio fiscal.
Na quinta-feira (5), Vicentinho Júnior procurou o Tribunal de Contas do Estado para solicitar acompanhamento preventivo das contas públicas e de operações financeiras que possam produzir efeitos sobre o orçamento de 2027.
Entre os pontos apresentados está um contrato de R$ 1.594.560,00 para estudos relacionados à estruturação de uma operação de securitização da dívida ativa estadual, que poderá envolver a antecipação de receitas futuras. A equipe de transição pediu a análise da regularidade da contratação e de seus possíveis impactos financeiros.
O governo Wanderlei Barbosa também publicou novas regras para o encerramento das despesas de 2026, incluindo prazos para pagamentos, revisão de obrigações pendentes e verificação da disponibilidade de caixa.
Apesar dos números divulgados, ainda não está comprovado que os R$ 719 milhões representem insuficiência efetiva de caixa. Para essa conclusão, será necessário confrontar os compromissos financeiros com os recursos disponíveis e identificar quais despesas permanecerão pendentes ao final do mandato.
A questão que fica é: Vicentinho Júnior receberá um Estado com capacidade financeira para executar seus projetos ou precisará iniciar o governo reorganizando compromissos herdados da administração anterior?
O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para que o Governo do Tocantins, a Secretaria da Fazenda e a equipe de transição do governador eleito apresentem esclarecimentos sobre os valores, as obrigações pendentes e a situação financeira do Tesouro Estadual.