Julgamento que pode tornar Bolsonaro inelegível por abuso de poder é suspenso

Julgamento que pode tornar Bolsonaro inelegível por abuso de poder é suspenso
A Corte analisa a suposta prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, durante reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022.
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 8 de novembro de 2023 1

Iniciou nesta quinta-feira, 22, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), apresentada pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista), que pede a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e do general Braga Netto, candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República nas Eleições 2022.

A Corte analisa o processo que pede a declaração inelegível de Bolsonaro e Braga Netto por prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, durante reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022.  

Bolsonaro é acusado de violar o princípio da isonomia entre as candidaturas a presidente, configurando abuso do poder político o fato de a reunião ter ocorrido na residência oficial da Presidência da República e ter sido organizada por meio do aparato oficial do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Na reunião, o então chefe do Poder Executivo prestou aos embaixadores de países estrangeiros informações falsas sobre a urna eleitoral e atacou o sistema eleitoral brasileiro. 

Defesa de Bolsonaro 

Segundo nota do G1, o advogado de Jair Bolsonaro, Tarcísio Vieira, reconheceu que o ex-presidente pode ter utilizado um tom "inadequado", "ácido" e "excessivamente contundente" no que chamou de "colocações" de Bolsonaro sobre o sistema eleitoral brasileiro, na reunião em questão. 

"Está em julgamento a reunião com os embaixadores havida muito antes do início do período eleitoral e das eleições, em julho de 2022. Em que o presidente, sim, talvez em um tom inadequado, ácido, excessivamente contundente fez colocações sobre o sistema eleitoral brasileiro, sobre aprimoramentos necessários do sistema de colheita de votos", afirmou Tarcísio.

Julgamento suspenso

Depois da participação de Tarcísio Vieira, foi a vez do vice-procurador eleitoral Paulo Gonet falar. Ele afirmou que houve abuso de poder político e pediu a inelegibilidade de Bolsonaro.

Na sequência, a sessão foi suspensa. O julgamento será retomado na próxima terça-feira, 27.

Pesquisa de opnião – Genial/Quaest

No campo da opinião pública, a avaliação sobre a inelegibilidade do ex-presidente é mais incerta. Dados da última pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira, 21, apontam que a condenação do ex-presidente pelos ataques às urnas eletrônicas divide opiniões: 47% são favoráveis e 43% contrários; outros 10% não opinaram sobre o tema.

A pesquisa também constatou que, para 80% dos que votaram em Lula no segundo turno, Bolsonaro deveria ser condenado pelas falas sobre fraude nas urnas; os contrários são 12%. Do outro lado, entre os eleitores do ex-presidente, apenas 13% consideram que ele deveria ser condenado e 82% são contra a condenação. Mais interessante ainda, entre quem não votou em 2022 ou preferiu não votar nem em Lula nem em Bolsonaro (branco ou nulo), a maioria (47%) é a favor da condenação. Os contrários somam 33% e 20% não opinaram.

 

 

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