Operação Fames-19: Saiba os detalhes de como foi montado o esquema apurado pela PF e quem são os investigados

Operação Fames-19: Saiba os detalhes de como foi montado o esquema apurado pela PF e quem são os investigados
Os recursos deveriam ter sido utilizados para assistência social, mas foram desviados através de contratos de fornecimento
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 23 de agosto de 2024 8

A investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro em Tocantins continua e expõe um esquema envolvendo diversos indivíduos e empresas, com destaque para o governador Wanderlei Barbosa Castro. Ele é suspeito de desviar recursos públicos destinados ao fornecimento de cestas básicas durante a pandemia de COVID-19. Os recursos deveriam ter sido utilizados para assistência social, mas foram desviados através de contratos de fornecimento.

A operação apura a suspeita de que cestas básicas destinadas à assistência social foram utilizadas como meio para desviar grandes quantias de dinheiro, facilitadas pela dificuldade em controlar a entrega dos produtos. Entre os servidores exonerados estão três assessores especiais do governador.

Layane de Sousa Silva, ex-assessora da Governadoria, recebeu R$ 493.000,00 de empresários investigados e realizou saques totalizando R$ 916.333,00, valor incompatível com seu salário de R$ 5.712,72. A investigação revelou que Layane foi repassada por empresários envolvidos em contratos milionários com o governo. Seu nome foi incluído na lista dos exonerados, mas o governo do estado não se pronunciou sobre o caso.

Gilson Sousa Silva, delegado da Polícia Civil e vice-presidente da Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto), foi exonerado do cargo após ser mencionado na investigação por ter recebido R$ 90.000,00 da empresa Sabores Regionais, controlada por Joseph Ribamar Madeira, e ter realizado transferências para o empresário durante as contratações.

Lizandra Paz de Oliveira, que ocupava o cargo de analista II da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), foi destituída. Ela foi identificada como uma das principais servidoras envolvidas na documentação dos fornecimentos e na contratação das empresas investigadas. A PF encontrou indícios de evolução patrimonial incompatível com seu salário de R$ 3.500,00 e uma tentativa de justificar irregularidades em um relatório.

Nelsifran Sousa Lins, ex-assessor especial técnico da Secretaria da Administração, foi exonerado. Ele atuava como diretor de administração e finanças e foi responsável por assinar documentos que possibilitaram a contratação das empresas envolvidas no esquema. Nelsifran também foi mencionado em uma procuração assinada por um ex-sócio de uma das empresas investigadas.

Taciano Darcles Santana Souza, ex-assessor especial do gabinete do governador, foi exonerado após ser apontado como proprietário de uma das empresas envolvidas e por ter recebido valores de empresas suspeitas. Dois de seus filhos também foram citados por receberem valores de empresas investigadas.

Tiago da Silva Costa, ex-superintendente de desporto escolar da Secretaria da Educação, foi destituído do cargo. A investigação revelou que ele teria recebido R$ 5.000,00 do proprietário de duas empresas contratadas pela Setas e movimentado valores para Joseph Madeira.

Warks Márcio Ribeiro de Souza, ex-assessor especial do gabinete do governador, recebeu R$ 119.762,00 de uma empresa contratada para fornecer cestas básicas, que tinha um contrato total de R$ 1.516.000,00. Além disso, Warks realizou transferências para outros investigados, incluindo Layane Sousa.

A operação identificou uma organização criminosa com quatro grandes núcleos: político, empresarial, servidores públicos e lavagem de dinheiro. A investigação também inclui empresários e ex-sócios de empresas como Sabores Regionais Distribuição, Delikato Comércio de Alimentos e Eletrônicos LTDA, MC Comércio de Alimentos EIRELI-ME, e L Maia da Costa LTDA. A PF identificou movimentações financeiras atípicas e a possível prática de lavagem de dinheiro.

Entre os investigados estão também Welber Guedes de Morais, empresário das empresas Mercado das Carnes EIRELI e Médio Norte Atacadista LTDA, que transferiu R$ 5.000,00 para o governador e seus filhos e movimentou mais de R$ 14 milhões em contratos com a Setas. Joseph Ribamar Madeira, associado às empresas mencionadas, e sua esposa, Adriana Rodrigues Santos, também estão implicados por práticas de lavagem de dinheiro.

A operação Fames-19 resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e continua em andamento, com medidas cautelares solicitadas para todos os envolvidos.

O DT abre espaço para que os envolvidos possam comentar o assunto.

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