Kátia Abreu critica Carrefour e reforça importância do Mercosul: “Precisamos respeitar nossa força no mercado global”

Kátia Abreu critica Carrefour e reforça importância do Mercosul: “Precisamos respeitar nossa força no mercado global”
Kátia Abreu critica decisão do Carrefour França de suspender compra de carne bovina do Mercosul, durante estreia na CNBC Brasil.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 25 de novembro de 2024 8

“Retaliar produtos do Mercosul beira o absurdo. O Carrefour precisa compreender que sua força no Brasil sustenta boa parte de seus resultados globais,” afirmou Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura, durante sua participação no Real Time, da CNBC Brasil. A comentarista fez duras críticas à decisão do Carrefour França de interromper as compras de carne bovina do Mercosul, destacando o impacto simbólico, econômico e político dessa decisão.

Kátia, que estreou como comentarista semanal do programa apresentado por Marcelo Torres, contextualizou a questão no âmbito geopolítico, ressaltando o papel estratégico do Mercosul para o comércio global e a relevância de consolidar o acordo com a União Europeia.

Decisão do Carrefour: impacto econômico e simbólico

O Carrefour anunciou recentemente a suspensão das compras de carne bovina do Mercosul, alegando preocupações ambientais e pressões sobre o desmatamento. Para Kátia Abreu, a medida está mais relacionada à proteção do mercado europeu do que a uma real preocupação com a sustentabilidade. “O mercado francês está em queda, enquanto o Brasil impulsiona o crescimento do Carrefour. É um paradoxo que mostra falta de visão estratégica,” destacou.

De acordo com a comentarista, a França registrou uma queda de 2% nas vendas do Carrefour, enquanto no Brasil, o crescimento foi de 2,5%. O faturamento no país representa cerca de 70% da receita global da empresa, com destaque para o desempenho do Atacadão, bandeira do grupo no segmento de atacarejo. “A decisão prejudica os pecuaristas do Mercosul e ignora a importância do mercado brasileiro para os resultados globais do Carrefour,” argumentou.

Qualidade e competitividade da carne brasileira

Kátia Abreu aproveitou a oportunidade para destacar a superioridade da carne bovina brasileira, resultado de décadas de investimentos em tecnologia e genética. “A qualidade e o custo de produção da carne brasileira são incomparáveis. Somos os maiores exportadores do mundo e enfrentamos desafios como carga tributária elevada e logística complexa. Mesmo assim, ninguém nos supera,” afirmou.

Ela reforçou que a decisão do Carrefour França é um reflexo de pressões de agricultores europeus, que enfrentam dificuldades para competir com os baixos custos de produção do Brasil. “A única maneira de nos derrotarem é fechar os mercados. No jogo justo, eles jamais conseguiriam competir conosco,” disparou.

Barreiras comerciais disfarçadas de sustentabilidade

A ex-ministra chamou atenção para o uso recorrente de barreiras comerciais disfarçadas de preocupações ambientais. Segundo ela, embora a sustentabilidade seja uma pauta legítima, muitos países europeus utilizam essas questões como pretexto para proteger suas economias internas.

“Essas barreiras não têm base técnica sólida. São desculpas para limitar a competitividade de países como o Brasil,” explicou. Ela lembrou que a carne brasileira atende aos mais altos padrões de qualidade e sustentabilidade, reforçando que o Brasil é referência global em tecnologia agropecuária.

Acordo Mercosul-União Europeia: oportunidade estratégica

Kátia Abreu ampliou o debate, abordando a relevância do acordo entre Mercosul e União Europeia, cujas negociações se arrastam há quase 20 anos. Segundo ela, o atual cenário geopolítico, com os Estados Unidos adotando políticas protecionistas e a China expandindo sua influência global, favorece a consolidação do acordo.

“O Mercosul é uma potência agrícola e industrial. O Brasil, sozinho, já é uma referência global. Juntos, os países do bloco representam um parceiro estratégico para a Europa em um momento de reconfiguração das alianças globais,” argumentou.

Ela destacou que o acordo pode alavancar as exportações brasileiras e abrir portas para o acesso a tecnologias de ponta. “Quando a Europa fecha um acordo bilateral, isso serve de modelo para outros países e blocos, como Japão, Canadá e Austrália. Esse tipo de negociação vai muito além do impacto econômico imediato,” pontuou.

O peso do Carrefour no Brasil e a reação do setor agropecuário

A reação à decisão do Carrefour já começou a se manifestar no Brasil. Entidades do setor agropecuário, a Frente Parlamentar da Agropecuária e até governadores iniciaram campanhas de boicote à rede, convocando consumidores a repensarem suas compras.

Kátia Abreu destacou que o Carrefour precisa refletir sobre sua posição no mercado brasileiro. “O Carrefour é uma gigante global, mas depende profundamente do Brasil para sustentar seus resultados. Ignorar isso pode ser um erro estratégico com consequências graves,” alertou.

A comentarista defendeu que o Brasil adote uma postura firme nas negociações internacionais, protegendo seus interesses e reafirmando sua posição como líder global no agronegócio.

Sustentabilidade e competitividade: uma convivência possível

Kátia Abreu encerrou sua análise enfatizando que sustentabilidade e competitividade podem coexistir. Para ela, é essencial que o Brasil invista em práticas ainda mais sustentáveis, mas sem comprometer sua capacidade de competir no mercado internacional.

“O Brasil é um gigante que tem muito a oferecer ao mundo. Nossa carne, nossa agricultura e nossa tecnologia são exemplos disso. O que precisamos é garantir que nossos mercados permaneçam abertos e que barreiras injustas não comprometam nosso potencial,” concluiu.

Perspectivas para o futuro do Mercosul e das exportações

A análise de Kátia Abreu reforça a importância de consolidar o acordo Mercosul-União Europeia como um passo estratégico para o Brasil e seus parceiros. Ao mesmo tempo, evidencia a necessidade de fortalecer a imagem do país como líder em qualidade e sustentabilidade no agronegócio.

Sua estreia na CNBC Brasil marca o início de uma série de debates que prometem aprofundar questões centrais para o desenvolvimento do país, conectando temas econômicos, ambientais e políticos em análises fundamentadas e provocativas.

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