Justiça mantém prisão preventiva de Mauro Carlesse por risco de fuga

Justiça mantém prisão preventiva de Mauro Carlesse por risco de fuga
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de dezembro de 2024 2

Ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse, tem pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça do Tocantins. Decisão aponta risco efetivo à aplicação da lei penal e envolvimento em organização criminosa.

O Tribunal de Justiça do Tocantins, por meio de decisão proferida pelo desembargador João Rigo Guimarães, indeferiu o pedido de habeas corpus impetrado em favor do ex-governador Mauro Carlesse. A defesa buscava a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares.

De acordo com a decisão, a prisão preventiva foi mantida devido à existência de indícios robustos de risco de fuga e continuidade delitiva. Entre os fundamentos citados estão diálogos interceptados que comprovam movimentações financeiras no exterior, obtenção de documentos de identidade uruguaia e a locação de um imóvel na Itália, sugerindo preparativos concretos para evasão.

Alegações da defesa

A defesa de Carlesse, representada pelos advogados Henrique Rocha Armando, Murilo da Silva Armando e Sandro Henrique Armando, argumentou que a prisão preventiva carecia de fundamentação contemporânea e concreta.

Entre os argumentos apresentados, destacou-se a ausência de descumprimento de ordens judiciais durante os três anos de tramitação processual e compromissos no Brasil, como ceia de Natal e cruzeiro marítimo nacional previamente agendados. Os advogados sustentaram ainda que medidas cautelares, como a apreensão do passaporte e proibição de sair do país, seriam suficientes para garantir a aplicação da lei penal.

Decisão fundamentada

O desembargador João Rigo Guimarães ressaltou que os elementos trazidos aos autos indicam “sofisticada articulação para potencial evasão do país” e envolvimento do ex-governador em práticas delitivas de alta complexidade. Entre as acusações estão a participação em três grandes operações:

  1. Operação PlanSaúde – Investiga desvios relacionados ao Plano de Saúde dos Servidores do Tocantins.
  2. Operação “Flagrante Forjado” – Apura a manipulação de ações policiais para incriminar desafetos.
  3. Operação Caninana – Foca em crimes de homicídios qualificados e participação em organização criminosa.

A decisão destacou que a prisão preventiva visa resguardar a instrução criminal, a ordem pública e a aplicação da lei penal.

Indícios de fuga e novos crimes

O Ministério Público apresentou provas de que Carlesse já possuía um passaporte italiano e havia declarado residência na Itália. Além disso, foi constatada a locação de um imóvel no país europeu e movimentações financeiras que sugerem evasão de divisas.

A decisão apontou ainda que Carlesse estaria utilizando um endereço no Uruguai para remessa de dinheiro e obtenção de documentos de identidade naquele país, caracterizado como paraíso fiscal.

Implicações legais e próximos passos

A defesa poderá recorrer da decisão no âmbito do Tribunal de Justiça ou, em instâncias superiores, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o entendimento atual do Judiciário é de que as evidências apresentadas justificam a manutenção da prisão preventiva.

A manutenção da prisão reforça o papel do Judiciário em casos de grande complexidade envolvendo figuras públicas e crimes de alta gravidade. O caso continuará tramitando, com possíveis novas etapas de investigação e julgamento.

Com isso, o ex-governador Mauro Carlesse segue detido, enquanto o Ministério Público e a Polícia Federal avançam nas investigações relacionadas às acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

decisão que decretou a prisão preventiva
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