Banco Central vê sistema financeiro robusto, mas aponta cautela para crédito em 2025

Banco Central vê sistema financeiro robusto, mas aponta cautela para crédito em 2025
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de abril de 2025 3

O Banco Central do Brasil (BC) divulgou nesta terça-feira (29) o Relatório de Estabilidade Financeira (REF)referente ao segundo semestre de 2024. A análise conclui que não há risco relevante para a estabilidade financeira do país, destacando a robustez do Sistema Financeiro Nacional (SFN), com níveis confortáveis de capitalização, liquidez e provisões.

Apesar do cenário favorável, o BC alerta para uma postura mais cautelosa das instituições financeiras em 2025, especialmente diante da elevação da taxa de juros e do nível elevado de endividamento de famílias e empresas. Segundo o documento, os testes de estresse de capital e liquidez continuam a demonstrar solidez do sistema bancário, mas a expansão do crédito tende a se moderar no curto prazo.

O relatório mostra que o financiamento à economia real acelerou no segundo semestre de 2024, puxado sobretudo pelo crédito a pessoas físicas — com destaque para financiamento de veículos e crédito não consignado. Já o crédito a pessoas jurídicas cresceu em todos os portes empresariais, impulsionado também pelo maior uso do mercado de capitais pelas grandes empresas.

Entretanto, o BC observa uma leve deterioração na qualidade do crédito não consignado, com aumento do número de operações a clientes de menor renda e aquisição de veículos mais antigos, com entradas reduzidas. Para o crédito empresarial, os critérios de concessão se mantiveram estáveis, mas a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito já aponta menor tolerância ao risco em 2025.

A rentabilidade do sistema bancário continua em trajetória de alta, segundo o REF, impulsionada por operações de crédito com maiores taxas de juros e redução das perdas com inadimplência. Contudo, o BC pondera que condições financeiras restritivas devem limitar novos avanços, devido ao aumento no custo de captação e à desaceleração esperada na expansão do crédito.

Além do panorama nacional, o relatório aborda ainda temas estruturais e conjunturais, incluindo:

  • Riscos climáticos no sistema financeiro

  • Impacto dos juros nas empresas não financeiras

  • Open Finance e a competição bancária

  • Efeitos da redução de buffers prudenciais na pandemia

  • Fim do overhedge e volatilidade cambial

A partir deste ano, o BC passa a incorporar no REF a decomposição do custo do crédito e dos spreads bancários, além dos indicadores de concentração do SFN, substituindo o extinto Relatório de Economia Bancária.

A apresentação completa do relatório pode ser conferida na coletiva com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os diretores Ailton Aquino (Fiscalização) e Diogo Guillen (Política Econômica), transmitida ao vivo a partir das 11h.

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