Mercado do boi gordo segue firme no Tocantins, mas clima impõe alerta para as próximas semanas

Mercado do boi gordo segue firme no Tocantins, mas clima impõe alerta para as próximas semanas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de junho de 2025 4

Com preços sustentados e boa demanda, pecuaristas avaliam cenário com cautela diante da escassez de chuvas no estado

O mercado do boi gordo no Tocantins iniciou o mês de junho com cotações firmes e estáveis, resultado da combinação entre boa oferta de animais terminados e uma demanda aquecida nos primeiros dias do mês — tradicionalmente impulsionada por fatores como o pagamento de salários e a reposição nos açougues. Segundo análise de Gustavo Duprat, engenheiro agrônomo e analista da Scot Consultoria, o cenário é de estabilidade no curto prazo, embora os sinais emitidos pelo clima acendam um sinal de alerta entre os pecuaristas.

Na região Sul do estado, os preços seguem inalterados em relação à semana anterior. O boi gordo é negociado a R$ 280,00 por arroba, mesma cotação para machos também registrada no Norte. As fêmeas na parte Sul são cotadas a R$ 253,00/@ no caso das vacas e R$ 258,00/@ para novilhas. As escalas de abate na região giram em torno de 10 dias, indicando equilíbrio entre oferta e demanda.

Já no Norte do Tocantins, o mercado apresenta leves altas. O boi gordo teve incremento de R$ 3,00/@, passando a ser comercializado a R$ 280,00/@. A vaca gorda subiu R$ 2,00/@ e alcançou R$ 247,00/@, enquanto a novilha se manteve estável em R$ 255,00/@. As escalas de abate são mais curtas, com média de seis dias, evidenciando uma maior agilidade nas negociações e no escoamento da produção.

Destaque ainda para o chamado “boi China” — animal jovem, com até 30 meses e padrão exigido para exportação ao mercado chinês —, que permanece com ágio de R$ 2,00/@ sobre o boi comum. Em ambas as regiões, a cotação do boi China está em R$ 282,00/@.

Clima seco pode pressionar preços

Apesar do panorama momentaneamente favorável, o comportamento climático no estado preocupa. A escassez de chuvas nos últimos dias tem comprometido o vigor das pastagens, principalmente nas áreas mais dependentes de pasto nativo. Esse fator pode levar produtores a anteciparem a venda de seus lotes, o que pressionaria os preços no curto prazo, especialmente se a demanda não se mantiver firme até o final do mês.

“O clima é uma variável que pode mudar tudo. Se a seca persistir, o custo de manutenção dos animais aumenta e o produtor tende a vender mais rapidamente para não comprometer a engorda. Isso pode gerar uma sobreoferta e forçar as cotações para baixo”, avalia Duprat.

Olho no Clima, Mão no Bolso

Diante do atual contexto, o recado para o produtor é claro: atenção redobrada ao comportamento do tempo e à dinâmica da demanda. O cenário é positivo — com preços firmes e abates em ritmo regular —, mas a ausência de chuvas pode mudar rapidamente a configuração do mercado.

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