Viagem internacional com pauta ideológica e lobby armado
Viagem de prefeitos a Israel incluía propaganda da versão israelense sobre Gaza

Prefeitos brasileiros, em sua maioria filiados a partidos de direita, participaram de uma missão oficial a Israel que incluiu, além da participação na Muni Expo — feira de segurança e tecnologia —, encontros organizados para promover a narrativa israelense sobre os conflitos recentes com o Hamas e os ataques à Faixa de Gaza.
A programação, obtida pelo The Intercept Brasil, previa, entre outras atividades, o painel “Trauma, resiliência e caminhos para a reabilitação física e humana”, com familiares e vítimas do ataque de 7 de outubro. O objetivo do encontro era fortalecer o discurso de Israel diante das acusações internacionais de uso desproporcional da força em Gaza, classificadas por organizações de direitos humanos como práticas que podem configurar crimes de guerra.
A missão contou com o apoio da Mashav — agência israelense de cooperação internacional — e do Instituto Internacional de Liderança, ligado à Histadrut, a central sindical israelense. A Muni Expo seria realizada em Tel Aviv, mas parte das atividades foi cancelada após a escalada do conflito com o Irã.
Entre os integrantes da comitiva estavam Álvaro Damião (União Brasil), prefeito de Belo Horizonte; Cícero Lucena (PP), prefeito de João Pessoa; Jhonny Maycon (PL), prefeito de Nova Friburgo; além de secretários e vice-prefeitas de cidades como Goiânia e Divinópolis.
Segundo especialistas ouvidos pelo Intercept e por veículos como o Brasil de Fato, o interesse brasileiro pelas tecnologias de segurança israelenses cresce desde o governo Bolsonaro e segue ativo em administrações estaduais. Um levantamento mostrou que o governo de São Paulo, por exemplo, firmou contratos que somam R$ 37,3 milhões com empresas israelenses entre 2023 e 2024 — incluindo aquisição de softwares de espionagem e armas longas de uso tático.
Pressão interna leva Fábio da Farmácia a recuar
O prefeito Paulo Fábio, conhecido como Fábio da Farmácia, recuou de articulações independentes após ser pressionado pela direção estadual do Republicanos. A cobrança ocorreu durante reunião estratégica do partido em maio, que exigiu fidelidade à linha definida pela executiva nacional e apoio integral às candidaturas majoritárias e proporcionais alinhadas à legenda.
O gesto foi interpretado como um sinal de que o Republicanos pretende manter controle rígido sobre as movimentações de seus quadros nas eleições municipais. Fábio vinha ensaiando movimentações autônomas na capital, o que desagradou setores ligados ao comando da legenda e aliados da cúpula nacional.
Osires Damaso visita Colinas e busca apoio de Kasaryn

O ex-deputado federal Osires Damaso é presidente do Ruraltins, intensificou as articulações políticas no interior do estado com foco nas eleições de 2026. Em Colinas, reuniu-se com o prefeito Kasaryn, em uma visita que foi interpretada como tentativa de recompor alianças regionais para ampliar a base do União Brasil. Osires busca consolidar apoios municipais como forma de fortalecer uma eventual pré-candidatura ao governo ou ao Senado.
Lu Parizi deve assumir vaga no Senado se Dorinha vencer

Primeira suplente da senadora Professora Dorinha (União Brasil), Lucineide Parizi, conhecida como Lu Parizi, pode ocupar uma vaga no Senado em 2027, caso Dorinha vença eventual disputa ao Executivo estadual ou federal. Fontes do grupo indicam que Parizi já começou a ampliar sua presença em eventos partidários, especialmente no entorno de Palmas e no sudeste tocantinense. A movimentação é acompanhada com atenção por outras lideranças que veem nela um nome técnico, discreto e confiável.
Eduardo Gomes reforça base com corpo a corpo no interior

O senador Eduardo Gomes, vice-presidente do Congresso Nacional, deve intensificar sua agenda no interior do Tocantins. Nas últimas semanas, participou de encontros com prefeitos, vereadores e lideranças locais para discutir repasses de emendas parlamentares, demandas de infraestrutura e programas sociais.
A movimentação política reforça sua estratégia de manter protagonismo em Brasília sem perder conexão com as bases regionais. Eduardo Gomes continua sendo figura central no PL tocantinense e tem atuado na articulação de apoios estratégicos para o próximo ciclo eleitoral.
Relação entre Lula e Zelensky sofre novo desgaste

A diplomacia brasileira enfrenta impasses com o governo da Ucrânia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manter posições críticas à OTAN e às sanções unilaterais contra a Rússia. A ausência de Lula na cúpula da paz organizada pela Ucrânia, além da visita recente a Moscou, contribuiu para esfriar o canal diplomático entre os dois países.
O presidente Volodymyr Zelensky demonstrou desconforto publicamente em reuniões com líderes da América Latina e pediu que o Brasil tenha postura mais clara na condenação à Rússia, o que não foi atendido. O Itamaraty segue adotando o discurso de “neutralidade ativa”, enquanto analistas apontam perda de espaço do Brasil como possível mediador internacional.
Eduardo Fortes e Josi Nunes aparecem juntos em Gurupi
A prefeita de Gurupi, Josi Nunes (UB), e o deputado estadual Eduardo Fortes (União Brasil) participaram de eventos conjuntos nas últimas semanas, reforçando rumores de aliança política com vistas a 2026. A presença de ambos em agendas de inauguração e eventos institucionais alimenta a expectativa de que Fortes apoie a continuidade do grupo de Josi na prefeitura — ou que ambos estejam negociando uma frente conjunta em torno da pré-candidatura da filha da prefeita à Assembleia Legislativa.
Fátima Coêlho mantém silêncio e grupo segue dividido

A deputada estadual Fátima Coêlho continua sem falar à imprensa e evita articulações públicas, mesmo com o cenário de tensão crescente dentro de seu grupo político. As rusgas com o ex-aliado Miqueias Cantanhede e o atual vice não foram sanadas. Aliados próximos relatam clima de desconfiança, ausência de reuniões estratégicas e falta de diretrizes claras para 2026.
Congresso derruba vetos e libera quase R$ 400 milhões
O Congresso Nacional derrubou nesta semana dois vetos do presidente Lula que impediam repasses de recursos a programas sensíveis e ao fundo partidário. Um dos vetos tratava da liberação de R$ 164,8 milhões para bancar subsídios na conta de luz de famílias de baixa renda. Outro, referente ao financiamento de partidos, libera R$ 197 milhões para o Fundo Partidário, mesmo com críticas do Ministério da Fazenda quanto ao impacto fiscal da medida.
A articulação para a derrubada dos vetos foi liderada pelo Centrão e contou com apoio de bancadas de oposição e parte da base governista, evidenciando fissuras na articulação do Planalto e o aumento da autonomia do Congresso nas decisões orçamentárias.
Resumo da semana
Enquanto prefeitos brasileiros embarcam em viagens internacionais com peso político, partidos ajustam suas estratégias locais, disciplinam quadros e constroem alianças para o próximo ciclo eleitoral. No Congresso, o veto do Executivo foi vencido pelo cálculo político. E na cena internacional, o Brasil enfrenta questionamentos sobre sua posição no tabuleiro da guerra entre Rússia e Ucrânia.