Brasil lidera ranking global de ansiedade: quando a preocupação vira doença
País tem a maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo, segundo a OMS. Especialista alerta para os sinais, os impactos e os caminhos para o tratamento
Por Ricardo Fernandes | Diário Tocantinense-Sentir ansiedade antes de uma prova, de uma entrevista ou de um momento decisivo da vida é comum. Mas quando esse sentimento se transforma em sofrimento constante e afeta o sono, o trabalho ou as relações, é sinal de alerta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade no planeta: 9,3% da população sofre com o problema — mais que o dobro da média global.
Um estudo da Revista Brasileira de Psiquiatria, com dados do Ministério da Saúde, revela que 27,4% dos adultos brasileiros terão algum tipo de transtorno ansioso ao longo da vida. A prevalência é ainda maior entre mulheres (32,5%) e jovens adultos.
Ansiedade comum x transtorno de ansiedade
“A ansiedade em si é natural. Ela nos prepara para o futuro. Mas quando se torna desproporcional, ela paralisa”, alerta o psiquiatra Dr. Thyago Henrique, especialista em saúde mental pelo Hospital Albert Einstein.
Segundo o médico, o limite entre a ansiedade comum e o transtorno é definido pela disfunção. Quando o paciente evita situações, apresenta sintomas físicos recorrentes ou não consegue viver o presente, é necessário buscar ajuda profissional.
Entre os tipos mais frequentes estão:
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) Fobia social Transtorno do pânico
Dados da USP mostram que até 28% dos brasileiros em grandes cidades já enfrentaram algum tipo de transtorno ansioso.
Redes sociais, hiperconexão e juventude em risco
O especialista destaca que o estilo de vida atual contribui diretamente para os casos de ansiedade. O uso excessivo de redes sociais, a hiperconexão e o excesso de informações mudaram a química do cérebro. “Não é só comportamento, é biologia. Isso afeta diretamente os jovens”, afirma Dr. Thyago.
Estudos da UFMG indicam que os sintomas ansiosos cresceram expressivamente entre adolescentes e jovens adultos, especialmente durante a pandemia.
Tem tratamento?
Sim. E quanto mais cedo for iniciado, melhores os resultados.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), combinada ao uso de medicamentos em casos mais graves, é a abordagem mais eficaz. Além disso, mudanças no estilo de vida são indispensáveis:
Atividade física regular Alimentação equilibrada Meditação e respiração profunda Sono de qualidade
“Essas medidas, aliadas à terapia, muitas vezes já são suficientes para evitar a cronificação”, destaca o psiquiatra.
❓ Ansiedade tem cura?
“A palavra correta é controle. Nem sempre falamos em cura, mas sim em devolver à pessoa sua qualidade de vida e capacidade de viver o agora”, finaliza Dr. Thyago Henrique.
Sobre o especialista
Dr. Thyago Henrique é médico psiquiatra pelo Hospital Israelita Albert Einstein, mestrando em neurociências e doutorando em psicologia clínica. Com linguagem acessível nas redes sociais, ele é referência nacional em saúde mental e inteligência emocional.
Contato da assessoria: Elisangela Evangelista – (11) 99692-3737
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