Belém acelera obras para a COP30 com expectativa de presença do Papa e incerteza sobre Putin
Belém acelera obras para a COP30 com expectativa de presença do Papa e indefinição sobre Putin
BELÉM (PA) — Faltando pouco mais de três meses para o início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a capital paraense vive um processo intenso de transformação urbana e articulação diplomática. A expectativa é receber cerca de 60 mil participantes entre chefes de Estado, ambientalistas, representantes de ONGs e imprensa. Em meio às obras e ajustes logísticos, duas figuras concentram os bastidores: o Papa Leão XIV, cuja participação ainda não foi confirmada oficialmente, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, envolto em impasses jurídicos.
Papa: convite entregue, presença ainda incerta
O vice-presidente Geraldo Alckmin entregou pessoalmente, em maio, o convite ao Papa Leão XIV durante audiência oficial no Vaticano, em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (a12.com). Desde então, há forte expectativa de que o pontífice esteja presente na abertura da COP30, com discurso voltado à justiça climática — em linha com seu posicionamento desde a encíclica Laudato Si’, de 2015.
No entanto, o Vaticano ainda não confirmou a viagem. Fontes ligadas à Santa Sé indicam que o Papa avalia compromissos em Roma relacionados ao Jubileu de 2025 e ao Concílio de Niceia, eventos que ocorrem no mesmo período da conferência em Belém (ansabrasil.com.br). Uma jornalista paraense chegou a afirmar que a presença está confirmada, mas não há posicionamento oficial da Santa Sé até o momento (dol.com.br).
Putin: silêncio diplomático e riscos legais
Nos bastidores da diplomacia brasileira, circula a informação de que um convite reservado foi enviado ao presidente russo Vladimir Putin, mas sem resposta pública. A eventual presença do líder russo é considerada improvável devido ao mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), do qual o Brasil é signatário (gazetadopovo.com.br).
A participação virtual — por videoconferência — é vista como a alternativa mais viável. Apesar disso, a simples possibilidade de sua presença física tem mobilizado reuniões de segurança e inteligência, dada a complexidade diplomática que sua visita representaria (ac24horas.com).
Infraestrutura emergencial e obras aceleradas
Diante do volume esperado de participantes, Belém enfrenta o desafio de ampliar sua infraestrutura em tempo recorde. Estão em andamento obras de duplicação de avenidas, novos corredores de transporte público, requalificação da orla do Rio Guamá e melhorias na área do Hangar Centro de Convenções, que será o principal palco da conferência (reuters.com).
A rede hoteleira é considerada insuficiente. Para contornar o déficit, o governo estadual estuda usar embarcações adaptadas, alojamentos estudantis, motéis e até escolas públicas. Uma estrutura provisória chamada Vila Líderesserá construída para abrigar delegações oficiais e, depois, revertida para uso público (climatechangenews.com).
Segurança federal e zonas de exclusão
Uma força-tarefa nacional coordenará a segurança durante o evento, com a presença de Exército, Polícia Federal, Força Nacional e inteligência militar. Estão previstos cercos táticos, áreas de exclusão, bloqueios aéreos e câmeras de reconhecimento facial. A presença de líderes religiosos e chefes de Estado exige um esquema de segurança de nível internacional.
Especialistas alertam: “legado precisa ser permanente”
Urbanistas e ambientalistas apontam que os investimentos realizados para a COP não podem ser provisórios. Há preocupação com intervenções feitas às pressas e possíveis impactos ambientais locais, como desmatamento em áreas urbanas para ampliação de vias. O governo afirma que o planejamento inclui sustentabilidade e reaproveitamento das estruturas.
Amazônia no centro do palco global
Ao sediar a COP30, Belém coloca a Amazônia no centro do debate climático mundial. O governo brasileiro vê na conferência uma oportunidade de reposicionar o país como liderança ambiental no Sul Global, além de atrair recursos internacionais para a bioeconomia amazônica.
Enquanto a presença do Papa permanece como expectativa, e Putin continua como incógnita diplomática, o Pará corre contra o tempo. A COP30 promete ser o maior evento internacional já realizado na região Norte — e a vitrine mais visível da política ambiental brasileira em 2025.