Moradores de Palmas e Colinas enfrentam alta nos preços da cesta básica e combustíveis

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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 8 de julho de 2025 10

O aumento constante nos preços dos itens essenciais tem pressionado o orçamento das famílias de Palmas e Colinas. Pesquisa realizada nas primeiras semanas de julho revela que produtos como arroz, feijão, carne, leite e combustíveis apresentaram alta considerável em relação ao mês anterior, refletindo tanto o avanço da inflação quanto a pressão sobre os custos de produção e a carga tributária local. Em Palmas, o arroz de 5 kg passou de R$ 20,00 para R$ 21,50, alta de 7,5%. Já o feijão, por quilo, subiu de R$ 8,40 para R$ 9,10, uma elevação de 8,3%. A carne bovina, que já pesava no orçamento, saltou de R$ 31,50 para R$ 34,50 o quilo, aumento de 9,5%. O litro do leite foi de R$ 4,70 para R$ 5,10, e o gás de cozinha de 13 kg subiu de R$ 95 para R$ 102. Nos postos, a gasolina também sofreu reajuste, com variação de R$ 5,30 para R$ 5,45.

Em Colinas, os índices são semelhantes. O arroz foi de R$ 20,50 para R$ 22,00; o feijão, de R$ 8,50 para R$ 9,20; a carne bovina, de R$ 32,00 para R$ 35,00; o leite, de R$ 4,80 para R$ 5,20; o gás de cozinha acompanhou Palmas, indo de R$ 95 para R$ 102; e a gasolina segue em R$ 5,45, mesmo valor da capital. Para a população, os impactos são diretos. A dona de casa Ana Pereira, moradora da região sul de Palmas, afirmou que o leite subiu quase um real e que, para quem tem filhos, isso pesa no orçamento. Já o trabalhador rural José Silva, de Colinas, contou que precisou substituir a carne bovina por peixe, mas até o preço do pescado subiu, dificultando as escolhas na hora da compra.

Os dados do Boletim Focus, divulgados na última semana pelo Banco Central, projetam uma inflação de 5,2% para 2025 — acima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. A taxa básica de juros, a Selic, continua em 15% ao ano. Essa política monetária restritiva, combinada com a lenta recuperação do crescimento econômico, dificulta o acesso ao crédito e a capacidade de consumo da população. Para a economista Mariana Costa, da Universidade Federal do Tocantins, as altas consecutivas em alimentos e energia pressionam o custo de vida e, com os juros elevados, o crédito fica mais caro. Muitas famílias estão deixando de parcelar compras, o que prejudica o comércio e diminui a renda real do consumidor.

No setor de combustíveis, a alta de 2,8% registrada nas bombas se deve não apenas à variação internacional do petróleo, mas também à carga tributária estadual. O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis do Tocantins (Sindiposto), Wilber Silvano, explica que o ICMS, hoje em 29% sobre a gasolina, impede que possíveis reduções externas no preço do petróleo sejam repassadas ao consumidor. Segundo ele, os custos logísticos e tributários neutralizam qualquer tendência de queda, fazendo com que a alta persista mesmo em períodos de baixa internacional.

Esse cenário tem impacto direto sobre a economia local. No comércio, há queda na venda de produtos de maior valor agregado. No campo, pequenos produtores relatam aumento no custo de insumos e dificuldade no transporte de mercadorias. Nas famílias, o reflexo é claro: redução na quantidade ou na qualidade dos alimentos e aperto no orçamento doméstico. Mesmo com a expectativa de desaceleração da inflação nos próximos meses, os efeitos ainda devem ser sentidos no varejo e nas bombas de combustíveis.

A combinação de inflação elevada, juros altos e tributos pesados cria um ambiente econômico hostil para o consumo e a produção. Para a população de cidades como Palmas e Colinas, o desafio é equilibrar o orçamento em meio a um cenário nacional de incertezas e pouca margem de alívio. Especialistas apontam que a retomada do crescimento e da estabilidade depende de uma combinação eficaz entre controle fiscal, política monetária mais flexível e medidas de incentivo à produção. Enquanto isso, a vida segue mais cara — e o peso dessa conta recai sobre o bolso do cidadão comum.

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