Anatel intensifica monitoramento de comunicações aéreas em Roraima para combater garimpo ilegal
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) intensificou as ações de fiscalização no estado de Roraima com a instalação de uma Estação Transportável de Radiovideometria (ETR) na Floresta Nacional de Roraima. A medida faz parte de uma estratégia de apoio às operações de segurança e proteção ambiental na região, especialmente no entorno da Terra Indígena Yanomami, uma das mais afetadas pelo garimpo ilegal no país.
A ação ocorre em parceria com a Força Nacional de Segurança Pública e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio técnico da Anatel local. A estação instalada é capaz de monitorar até 12 canais da faixa de frequência utilizada por aeronaves, ampliando significativamente a capacidade de interceptação de comunicações clandestinas.
Tecnologia a serviço do combate ao crime
A ETR instalada pela Anatel é equipada com tecnologia de ponta para radiovideometria — sistema que permite a detecção e gravação de sinais de rádio e vídeo. Na prática, isso significa que a agência consegue identificar e registrar comunicações realizadas por aeronaves suspeitas, frequentemente utilizadas por garimpeiros ilegais para transporte de equipamentos, combustíveis e mercadorias extraídas ilegalmente.
Técnicos da agência também capacitaram agentes da Força Nacional para operar os equipamentos, o que viabiliza uma ação integrada e contínua de monitoramento em áreas de difícil acesso. As informações coletadas são compartilhadas com órgãos de segurança e defesa, auxiliando na identificação e interceptação de voos não autorizados.
Um novo papel institucional
A operação em Roraima marca uma ampliação do papel institucional da Anatel, tradicionalmente voltada à regulação de serviços de telecomunicações. Agora, a agência atua também na defesa ambiental e humanitária, respondendo diretamente ao Plano de Desintrusão e Enfrentamento da Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami, coordenado pelo governo federal.
De acordo com a superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, o conhecimento técnico acumulado pela agência é decisivo nesse tipo de operação. “A tecnologia e a experiência dos nossos fiscais têm um papel estratégico no combate ao uso indevido do espectro de radiofrequência em atividades criminosas, como o garimpo”, afirma.
Comparativos e contexto
Em comparação com outras ações recentes da Anatel, como o programa Norte Conectado — voltado à expansão da banda larga na Amazônia — a operação em Roraima se diferencia pelo caráter repressivo e emergencial. Enquanto o Norte Conectado busca inclusão digital, a ETR em Roraima está focada na segurança nacional, preservação de territórios indígenas e combate ao crime organizado.
Segundo levantamento de campo, há registros de mais de 1.200 voos não autorizados sobre a Terra Yanomami desde 2022. Muitos desses voos são feitos por aeronaves sem plano de voo e utilizando frequências clandestinas para se comunicar. A expectativa é que o novo equipamento permita mapear essas rotas com mais precisão e auxiliar nas operações de interceptação.
Articulação institucional
Além da Anatel e da Força Nacional, a operação envolve a Casa Civil da Presidência da República e a Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento. A coordenação multissetorial tem sido considerada um diferencial na resposta federal à crise na região Norte.
Para o gerente regional da Anatel em Roraima, Augusto Queiroz, “a atuação conjunta das instituições amplia o alcance e a efetividade do monitoramento. O uso estratégico do espectro de radiofrequência torna-se uma ferramenta concreta no enfrentamento de crimes que antes pareciam invisíveis”.
Próximos passos
O modelo de estação transportável adotado em Roraima deve ser replicado em outros pontos estratégicos da Amazônia Legal. A proposta em análise no governo é criar uma rede de monitoramento coordenada por tecnologia de georreferenciamento e inteligência artificial, cruzando sinais captados com informações de satélites e planos de voo oficiais.
Enquanto isso, a ETR segue operando na floresta, com deslocamentos programados de acordo com a movimentação do garimpo ilegal. Com isso, a Anatel inaugura uma nova etapa na fiscalização do uso do espectro radioelétrico: não apenas para assegurar a comunicação civil, mas como instrumento de soberania, segurança pública e proteção ambiental.