Anatel intensifica monitoramento de comunicações aéreas em Roraima para combater garimpo ilegal

Anatel intensifica monitoramento de comunicações aéreas em Roraima para combater garimpo ilegal
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 14 de julho de 2025 1

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) intensificou as ações de fiscalização no estado de Roraima com a instalação de uma Estação Transportável de Radiovideometria (ETR) na Floresta Nacional de Roraima. A medida faz parte de uma estratégia de apoio às operações de segurança e proteção ambiental na região, especialmente no entorno da Terra Indígena Yanomami, uma das mais afetadas pelo garimpo ilegal no país.

A ação ocorre em parceria com a Força Nacional de Segurança Pública e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio técnico da Anatel local. A estação instalada é capaz de monitorar até 12 canais da faixa de frequência utilizada por aeronaves, ampliando significativamente a capacidade de interceptação de comunicações clandestinas.

Tecnologia a serviço do combate ao crime

A ETR instalada pela Anatel é equipada com tecnologia de ponta para radiovideometria — sistema que permite a detecção e gravação de sinais de rádio e vídeo. Na prática, isso significa que a agência consegue identificar e registrar comunicações realizadas por aeronaves suspeitas, frequentemente utilizadas por garimpeiros ilegais para transporte de equipamentos, combustíveis e mercadorias extraídas ilegalmente.

Técnicos da agência também capacitaram agentes da Força Nacional para operar os equipamentos, o que viabiliza uma ação integrada e contínua de monitoramento em áreas de difícil acesso. As informações coletadas são compartilhadas com órgãos de segurança e defesa, auxiliando na identificação e interceptação de voos não autorizados.

Um novo papel institucional

A operação em Roraima marca uma ampliação do papel institucional da Anatel, tradicionalmente voltada à regulação de serviços de telecomunicações. Agora, a agência atua também na defesa ambiental e humanitária, respondendo diretamente ao Plano de Desintrusão e Enfrentamento da Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami, coordenado pelo governo federal.

De acordo com a superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, o conhecimento técnico acumulado pela agência é decisivo nesse tipo de operação. “A tecnologia e a experiência dos nossos fiscais têm um papel estratégico no combate ao uso indevido do espectro de radiofrequência em atividades criminosas, como o garimpo”, afirma.

Comparativos e contexto

Em comparação com outras ações recentes da Anatel, como o programa Norte Conectado — voltado à expansão da banda larga na Amazônia — a operação em Roraima se diferencia pelo caráter repressivo e emergencial. Enquanto o Norte Conectado busca inclusão digital, a ETR em Roraima está focada na segurança nacional, preservação de territórios indígenas e combate ao crime organizado.

Segundo levantamento de campo, há registros de mais de 1.200 voos não autorizados sobre a Terra Yanomami desde 2022. Muitos desses voos são feitos por aeronaves sem plano de voo e utilizando frequências clandestinas para se comunicar. A expectativa é que o novo equipamento permita mapear essas rotas com mais precisão e auxiliar nas operações de interceptação.

Articulação institucional

Além da Anatel e da Força Nacional, a operação envolve a Casa Civil da Presidência da República e a Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento. A coordenação multissetorial tem sido considerada um diferencial na resposta federal à crise na região Norte.

Para o gerente regional da Anatel em Roraima, Augusto Queiroz, “a atuação conjunta das instituições amplia o alcance e a efetividade do monitoramento. O uso estratégico do espectro de radiofrequência torna-se uma ferramenta concreta no enfrentamento de crimes que antes pareciam invisíveis”.

Próximos passos

O modelo de estação transportável adotado em Roraima deve ser replicado em outros pontos estratégicos da Amazônia Legal. A proposta em análise no governo é criar uma rede de monitoramento coordenada por tecnologia de georreferenciamento e inteligência artificial, cruzando sinais captados com informações de satélites e planos de voo oficiais.

Enquanto isso, a ETR segue operando na floresta, com deslocamentos programados de acordo com a movimentação do garimpo ilegal. Com isso, a Anatel inaugura uma nova etapa na fiscalização do uso do espectro radioelétrico: não apenas para assegurar a comunicação civil, mas como instrumento de soberania, segurança pública e proteção ambiental.

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