Fraude vacinal? PF mira Bolsonaro e aliados em operação que pressiona futuro político do ex-presidente
A Polícia Federal investiga uma rede de falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19, envolvendo diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e pessoas próximas. A suspeita é de que dados foram adulterados no sistema do Ministério da Saúde para possibilitar viagens internacionais sem o cumprimento das exigências sanitárias vigentes. A operação, batizada de “Venire”, é parte de um inquérito mais amplo sobre milícias digitais e foi autorizada pelo STF.
Ricardo Fernandes I Diário Tocantinense- A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a “Operação Venire”, que apura suposta fraude nos certificados de vacinação contra a Covid-19 envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), militares, ex-assessores e servidores públicos. A investigação indica que dados falsos foram inseridos no sistema do Ministério da Saúde com o objetivo de permitir a emissão de comprovantes vacinais adulterados para possibilitar viagens internacionais.
A operação é desdobramento do inquérito das milícias digitais e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além da imposição de medidas cautelares a vários investigados, incluindo militares da reserva e ex-ministros.
Medidas impostas
Entre as ações determinadas pela Justiça estão:
- Entrega imediata dos passaportes dos investigados;
- Proibição de contato entre os envolvidos;
- Limitação do uso de redes sociais;
- Monitoramento eletrônico em alguns casos;
- Apreensão de celulares, computadores e documentos físicos.
A PF busca identificar os responsáveis técnicos pelas alterações no sistema do Ministério da Saúde e apurar se houve comando direto do ex-presidente para a fraude.
Conclusão
Com mais esse episódio, Bolsonaro acumula novas complicações judiciais que se somam a outras investigações em curso, como os atos golpistas de 8 de janeiro e campanhas de desinformação durante a pandemia. A possível fraude em registros públicos pode configurar crimes como falsidade ideológica, infração de medida sanitária e associação criminosa.
A defesa de Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que o ex-presidente provará sua inocência com base em documentos e testemunhos. O caso permanece sob sigilo, mas fontes ligadas à investigação não descartam novas fases da operação.
A “Operação Venire” marca um novo ponto de tensão no cenário político nacional, com repercussões que podem se estender ao processo eleitoral de 2026 e ao futuro da direita brasileira.