SAÚDE | Fitoterapia ganha espaço entre consumidores que buscam alternativas acessíveis e tradicionais

SAÚDE | Fitoterapia ganha espaço entre consumidores que buscam alternativas acessíveis e tradicionais
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 22 de julho de 2025 9

Do alívio da tosse à limpeza do organismo, os remédios naturais têm conquistado espaço crescente nas farmácias populares e prateleiras de mercados de bairro. Entre os mais procurados em 2025 estão o bálsamo, a própolis e o carvão vegetal ativado — três compostos milenares que, apesar da simplicidade, são amplamente consumidos por diferentes faixas da população.

Com preços que variam entre R$ 8 e R$ 35, os produtos fitoterápicos oferecem uma alternativa de fácil acesso para tratar sintomas leves e fortalecer o organismo, especialmente em regiões de menor cobertura de planos de saúde. A popularidade está relacionada à tradição oral, à confiabilidade da medicina popular e à percepção de que são menos agressivos ao organismo.

Bálsamo: o alívio que vem da folha

Utilizado na forma de pomada, tintura ou extrato, o bálsamo é indicado principalmente para cicatrizações, contusões e sintomas respiratórios. “É o que mais vendo para quem sofre com dores nas costas ou articulações”, relata Maria Aparecida Silva, farmacêutica de um estabelecimento em Palmas (TO). A planta, nativa do Cerrado e de regiões tropicais, possui ação anti-inflamatória e é aplicada comumente por uso tópico.

No entanto, especialistas alertam: seu uso prolongado sem supervisão médica pode causar reações cutâneas e efeitos adversos. “Natural não é sinônimo de inofensivo”, afirma o clínico geral Ricardo Avelar.

Própolis: escudo contra vírus e bactérias

Produzida pelas abelhas a partir de resinas vegetais, a própolis atua como antibiótico natural. É usada para fortalecer a imunidade, combater inflamações e tratar lesões bucais. A versão vermelha, extraída no litoral nordestino, é uma das mais potentes e valorizadas, inclusive no mercado internacional.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Fitoterápicos (Abrafito), o consumo de própolis cresceu 38% entre 2022 e 2024, impulsionado por campanhas em escolas e feiras populares. “Hoje, não é raro vermos médicos recomendando o extrato como coadjuvante em quadros de infecção de garganta e gripes”, destaca a farmacologista Teresa Amorim.

Carvão vegetal ativado: desintoxicação com aval popular

Extraído da queima controlada de madeira sem oxigênio, o carvão vegetal ativado é utilizado como suplemento em cápsulas ou comprimidos. Seu principal efeito é a absorção de toxinas, gases e substâncias nocivas no sistema digestivo, sendo indicado para quem sofre de inchaço, má digestão e até episódios leves de intoxicação alimentar.

Em uma drogaria de Gurupi, a procura pelo produto aumentou 50% desde 2023, especialmente entre jovens em dietas detox e idosos com quadros de refluxo ou gases. A Anvisa autoriza seu uso, mas determina que o produto não seja consumido de forma contínua, pois pode prejudicar a absorção de nutrientes.

Mercado em expansão e regulação pendente

Apesar da popularidade, muitos desses produtos ainda operam à margem da regulação rigorosa da Anvisa, sendo vendidos como suplementos ou cosméticos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o segmento de fitoterápicos movimentou R$ 1,6 bilhão em 2024 — 14% a mais que no ano anterior.

Com a inflação nos medicamentos industrializados e a retomada do interesse por práticas naturais, o cenário é promissor. Mas os especialistas reforçam: é preciso equilíbrio entre saber tradicional e orientação técnica. “A farmácia natural tem muito a ensinar, mas deve caminhar junto com a ciência”, resume a médica sanitarista Gabriela Fontes.

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