DE OLHO NA POLÍTICA – Bolsonaro, Lucas Campelo e a resistência do PL: os bastidores da disputa por espaço no Tocantins e a nova geometria de poder no Centro-Norte

DE OLHO NA POLÍTICA – Bolsonaro, Lucas Campelo e a resistência do PL: os bastidores da disputa por espaço no Tocantins e a nova geometria de poder no Centro-Norte
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 23 de julho de 2025 13

A corrida por 2026 já começou, mesmo que em silêncio. Em Brasília, os acordos ainda não foram firmados, mas os movimentos nos bastidores apontam para uma reconfiguração ampla do mapa político no Centro-Norte do país. No Tocantins, a movimentação do vereador Lucas Campelo, o discurso estratégico de Eduardo Gomes, os sinais de Kátia Abreu e os movimentos de Jair Bolsonaro, Helder Barbalho e Ronaldo Caiado indicam que o tabuleiro está em mutação.

Lucas Campelo mira Brasília e acena ao eleitorado conservador

LUCAS CAMPELO
Vereador mais votado em Araguaína, já sonha com cadeira na Câmara Federal

Na última terça-feira, 22, o vereador Lucas Campelo (PL), de Araguaína, confirmou à imprensa sua pré-candidatura a deputado federal. O anúncio, feito à Gazeta do Cerrado, revela a aposta da ala jovem do PL em nomes com forte capilaridade nas bases religiosas e empresariais. Campelo, que adotou desde o início do mandato um discurso voltado à escuta das lideranças comunitárias, defende uma “renovação responsável” da bancada tocantinense e acredita que “o tempo agora é de construção coletiva”.

O nome de Campelo entra na lista dos que podem representar o bolsonarismo moderado no estado. Ele busca ocupar o vácuo deixado por lideranças tradicionais e se posiciona como voz alternativa dentro de um partido que ainda busca unidade após a inelegibilidade do ex-presidente.

Bolsonaro ressurge como mártir político e tenta recuperar narrativa

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Crédito: Divulgado

No mesmo dia do anúncio de Campelo, Jair Bolsonaro voltou ao noticiário ao declarar que “nem cogitava que não podia dar entrevistas”, em referência às restrições impostas pela Justiça Eleitoral. A fala, aparentemente espontânea, faz parte de uma estratégia de reconstrução simbólica: Bolsonaro tenta se recolocar no debate político como vítima de um sistema que o impede de se manifestar.

Embora inelegível até 2030, o ex-presidente segue sendo o principal catalisador da direita brasileira, especialmente no Norte e no Centro-Oeste. No Tocantins, ainda há quem o siga como referência de resistência. O deputado federal Eli Borges, por exemplo, mencionou nesta semana que o partido vai manter “a bandeira assinada por Bolsonaro”, sinalizando fidelidade e a tentativa de capitalizar votos com a imagem do ex-capitão.

Eduardo Gomes segue como peça-chave da moderação

Na FranC3A7a2C vice presidente do Senado Eduardo Gomes participa de painel sobre InteligC3AAncia Artificial e seguranC3A7a cibernC3A9tica

Do outro lado da régua política, o senador Eduardo Gomes (PL) mantém o estilo discreto e o discurso de pacificação. Com trânsito fluido entre diferentes correntes e boa relação com o Planalto, Gomes vem defendendo a pauta municipalista e buscando ampliar o diálogo com prefeitos e parlamentares.

Internamente, seu nome é visto como o “elemento de equilíbrio” dentro do PL tocantinense. Não tensiona, mas também não se omite. Está presente nas principais negociações e é frequentemente citado por prefeitos como alguém “que resolve”. Para muitos analistas, Gomes será decisivo na composição das alianças em 2026, especialmente se o partido não encontrar um consenso claro entre bolsonaristas e moderados.

Kátia Abreu articula nos bastidores e aposta em Irajá como nome de Lula

. Ex-senadora pelo Tocantins, Kátia Abreu mantém participação ativa na política, após trajetória marcada por protagonismo no Congresso Nacional e no setor produtivo.
. Ex-senadora pelo Tocantins, Kátia Abreu mantém participação ativa na política, após trajetória marcada por protagonismo no Congresso Nacional e no setor produtivo.

Fora do centro das manchetes, a ex-senadora Kátia Abreu segue atuando silenciosamente, mas com firmeza. Articuladora nata e conhecida por sua leitura estratégica da política nacional, ela trabalha nos bastidores com o nome de Irajá Abreu, seu filho, como possível representante da base de apoio ao presidente Lula no Tocantins.

A avaliação é que Irajá pode dialogar com o agronegócio, sem perder apoio das alas progressistas que compõem o entorno do governo federal. Fontes do PSD e do Planalto indicam que Lula pode sim apoiar nomes fora do PT em estados estratégicos, e o Tocantins estaria nesse grupo, ao lado de Amapá e Mato Grosso do Sul.

Ronaldo Caiado: entre a ambição política e a resistência a renovar o discurso

ronaldo caiado e o atual governador do estado de goias.jpg

Ronaldo Caiado, governador de Goiás pelo União Brasil, é uma figura que desperta reações contraditórias no cenário político nacional e regional. Embora se posicione como um líder da centro-direita conservadora, sua gestão e estilo político têm acumulado críticas e questionamentos que podem comprometer suas ambições eleitorais para 2026.

Um dos principais pontos de crítica a Caiado está relacionado à sua gestão estadual, marcada por um discurso rígido e alinhado a pautas conservadoras tradicionais, mas que, muitas vezes, esbarra na resistência a inovar e dialogar com novos segmentos sociais. Sua postura frente a movimentos sociais e ambientais tem sido alvo de contestação, especialmente no que toca a políticas públicas para a população rural e às questões ambientais, tema cada vez mais sensível para o eleitorado jovem e urbano.

Além disso, Caiado é frequentemente acusado de manter um estilo autoritário e centralizador, o que dificulta a construção de alianças políticas amplas. Em Goiás, seu governo já enfrentou desafios na relação com prefeituras e setores produtivos que esperavam uma atuação mais colaborativa e menos conflituosa.

No âmbito nacional, a tentativa de Caiado de se posicionar como alternativa moderada ao bolsonarismo esbarra em contradições: embora critique episódios mais radicais da base bolsonarista, mantém apoio a discursos de segurança pública excessivamente rígidos e pouco sensíveis a direitos humanos, o que restringe sua capacidade de atrair eleitores que buscam mudanças no campo da justiça social e governança.

Outro desafio para Caiado é sua relação com o agronegócio, setor que tradicionalmente o apoia, mas que tem se mostrado dividido diante da pressão por políticas ambientais mais responsáveis e pelo diálogo com populações tradicionais. Essa tensão revela que o discurso conservador do governador pode não ser tão sólido quanto parece diante das transformações sociais em curso.

Politicamente, Caiado também sofre desgaste por sua proximidade com grupos que enfrentam investigações e denúncias, o que contamina sua imagem pública e abre espaço para críticas da oposição, que o acusa de fazer política de gabinete e pouco dialogar com a sociedade civil.

A ambiguidade de sua postura em relação a Jair Bolsonaro, ora adotando um tom crítico para se diferenciar, ora fazendo acenos para não perder a base bolsonarista, tem dificultado sua construção como líder único e incontestável da direita moderada. Essa oscilação pode causar desconfiança entre eleitores que buscam clareza e firmeza.

Assim, embora Caiado detenha influência política relevante e seja considerado um dos nomes fortes para 2026, ele precisa superar essas fragilidades e se renovar se quiser ampliar sua base eleitoral e consolidar-se no cenário nacional. Caso contrário, corre o risco de ficar refém de um discurso polarizado, limitado e incapaz de dialogar com as demandas atuais da sociedade brasileira.

Helder Barbalho fortalece articulação no Norte e mira protagonismo nacional

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No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) vem consolidando-se como uma das principais lideranças políticas da região Norte e buscando ampliar sua influência em âmbito nacional. Com o respaldo expressivo do governo federal e presença constante em agendas institucionais, Helder tem articulado a formação de uma frente sólida de governadores do Norte — movimento que busca fortalecer a voz da região diante dos desafios federativos e ampliar o protagonismo político local.

Essa estratégia se mostra fundamental diante do cenário atual, em que o Norte do país enfrenta desafios econômicos e sociais significativos, incluindo questões ambientais, infraestrutura e investimentos. Helder tem se posicionado como interlocutor privilegiado na defesa desses interesses, ao mesmo tempo em que articula alianças com estados vizinhos, como Tocantins, buscando construir uma base regional coesa e influente.

Além da articulação regional, Helder Barbalho tem se destacado nacionalmente ao assumir uma postura firme na defesa dos interesses estratégicos do Brasil no comércio internacional. Um dos episódios recentes mais marcantes foi sua reação às ameaças de tarifas de até 50% sobre as exportações brasileiras, propostas em discussões comerciais internacionais. O governador paraense foi enfático ao defender a importância de proteger a competitividade do agronegócio e da indústria local, ressaltando a necessidade de resistir a medidas protecionistas que poderiam comprometer o crescimento econômico e o equilíbrio das contas externas brasileiras.

Essa defesa demonstra a capacidade de Helder de atuar com visão estratégica e diplomática, posicionando-se como um líder capaz de articular a interlocução entre o setor produtivo, os governos regionais e a esfera federal. Sua atuação política não se restringe ao âmbito regional; pelo contrário, o governador tem investido em estreitar relações com lideranças do Executivo e do Legislativo federal, consolidando sua influência.

Interlocutores próximos apontam Helder Barbalho como possível candidato à vice-presidência em uma chapa governista futura, graças à sua habilidade política e ao capital político acumulado na região Norte. Sua boa relação com ministros do governo federal, especialmente com o ministro da Saúde Alexandre Padilha, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, coloca-o em posição estratégica para participar das principais negociações e decisões políticas nacionais.

Nesse contexto, o governador paraense tem sido visto como uma ponte importante entre as demandas regionais do Norte e o centro do poder em Brasília, articulando interesses que envolvem desde a pauta ambiental até o desenvolvimento econômico sustentável. Sua postura pragmática, aliada a uma base política sólida e capacidade de diálogo transversal, posiciona Helder Barbalho como um dos atores-chave no xadrez político brasileiro para os próximos anos.

No interior do Tocantins, novas lideranças surgem

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Em Colinas do Tocantins, lideranças regionais como Marcão começam a se movimentar de olho nas cadeiras estaduais. Ele é mencionado em reuniões políticas locais e pode ser um nome que possa articular com encontros com lideranças regionais, como prefeitos e presidentes de partidos. Ele é ligado ao deputado estadual Eduardo do Dertins.

Outros nomes devem surgir no segundo semestre, à medida que alianças forem formalizadas. A expectativa é que o PRD lance uma chapa robusta, com figuras já testadas em campanhas passadas e novos nomes dispostos a atrair o voto conservador e evangélico.

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