Editorial | Dorinha apoia Gaguim: uma aliança que soma experiência e lealdade

Editorial | Dorinha apoia Gaguim: uma aliança que soma experiência e lealdade
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 28 de julho de 2025 3

Ricardo Fernandes I Diário Tocantinense I – O anúncio oficial feito pela senadora Professora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil–TO) em apoio ao deputado federal Carlos Gaguim como seu pré-candidato ao Senado representa mais que um gesto político: trata-se de um aceno a um aliado de longa data, um reconhecimento de trajetória e um movimento que revela a estratégia de concentração de forças dentro da mesma legenda — ainda que isso signifique tensionar alianças em potencial.

Ao contrário do que muitos opositores apressaram-se em classificar como uma escolha individualista ou precipitada, o apoio de Dorinha a Gaguim carrega um componente essencial de reciprocidade. Em eleições anteriores, Gaguim foi um dos primeiros e mais firmes apoiadores da candidatura de Dorinha ao Senado, mobilizando sua base municipalista, especialmente prefeitos e vereadores do interior, para garantir palanques e votos em regiões onde a senadora, com trajetória técnica e forte em políticas educacionais, ainda construía inserção eleitoral.

Gaguim é, reconhecidamente, um político de base. Ex-governador, deputado federal com atuação destacada na Comissão de Orçamento e conhecido por seu perfil municipalista, é o tipo de articulador que transita com naturalidade entre prefeitos, presidentes de câmaras municipais, lideranças comunitárias e empresários do agronegócio. Seu nome figura frequentemente entre os parlamentares que mais liberam recursos para pequenos municípios tocantinenses, onde as demandas por infraestrutura, saúde e transporte são urgentes e contínuas.

Para Dorinha, a escolha de Gaguim não é apenas lealdade — é pragmatismo. A senadora sabe que, ao mirar o Palácio José Wilson Siqueira Campos, precisará de uma estrutura de campo ampla, que não se constrói apenas com programas técnicos, mas com presença territorial. E Gaguim entrega isso: possui base eleitoral consolidada, é figura frequente no interior do estado, e mantém diálogo direto com cerca de 100 dos 139 prefeitos do Tocantins, além de contar com presença expressiva em câmaras legislativas locais.

O problema está na forma e no momento da escolha. Ao anunciar o apoio a Gaguim em evento público no dia 20 de julho de 2025, antes de qualquer definição formal sobre a federação entre União Brasil e PP, Dorinha contrariou interesses internos do grupo político que articulava a candidatura do deputado federal Vicentinho Júnior (PP) ao Senado. Vicentinho, que obteve a segunda maior votação no estado em 2022, vinha sendo cotado para compor a chapa majoritária em nome da estabilidade federativa. A escolha de Dorinha, feita de maneira unilateral, deixou o PP — e parte da base — em posição delicada.

Ainda assim, é preciso reconhecer: a senadora jogou com as cartas que tinha. Gaguim tem histórico de apoio a ela, tem peso eleitoral próprio, tem capilaridade. Além disso, ao contrário do que se especulava, não há condenações que impeçam sua candidatura, apesar de processos antigos que foram arquivados. Sua trajetória de sobrevivência política — em diversos partidos e diferentes momentos — mostra um ator adaptável, com instinto de sobrevivência afiado e capacidade de renovação. É, portanto, um parceiro que traz voto, estrutura e fidelidade. E isso, numa eleição estadual, importa.

Dorinha, por sua vez, é um dos quadros mais respeitados do Congresso. Reconhecida nacionalmente por sua atuação em defesa da educação pública, foi relatora de projetos estruturantes no Senado, presidente da Comissão de Educação e agora lidera a Bancada Feminina — função que a projeta como articuladora nacional das pautas de gênero no Legislativo. Sua aliança com Gaguim indica que ela pretende disputar o governo com lastro popular e não apenas técnico, com chão de fábrica e não apenas com aplausos de Brasília.

Ainda assim, o risco está lançado. Caso a aliança com o PP se desfaça, Dorinha enfrentará uma campanha majoritária com palanque dividido, estrutura reduzida e adversários organizados — possivelmente o próprio Vicentinho, que já articula conversas com Republicanos e PSD. Além disso, os setores mais conservadores do União Brasil já manifestaram desconforto com a decisão, temendo que Gaguim não agregue novos votos fora de sua base tradicional.

Em resumo, a aliança Dorinha–Gaguim é legítima, coerente com os históricos de ambos e baseada em lealdade mútua. Mas sua sustentação depende agora de dois fatores: capacidade de pacificação interna e habilidade para construir pontes com partidos que ainda hesitam em integrar esse projeto. Sem isso, a chapa corre o risco de parecer um pacto isolado entre duas lideranças fortes — mas isoladas.

A política do Tocantins, como a de todo o Brasil, ainda exige mais articulação do que convicção. E, até aqui, Dorinha demonstrou ser uma das poucas líderes capazes de unir conteúdo técnico, capital político e coragem para decisões difíceis. Apoiar Gaguim é uma delas. Se a aposta dará retorno eleitoral, só os próximos meses dirão. Mas, ao menos desta vez, a senadora escolheu com a memória de quem sabe quem esteve ao seu lado quando ela precisou. E isso, na política, ainda vale muito.

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