Aumento de Doenças Respiratórias: Sistema de Saúde em Alerta em Capitais Brasileiras

Com o avanço do outono e a queda das temperaturas, unidades de saúde em diversas capitais brasileiras, como Palmas, São Paulo e Goiânia, têm registrado um aumento significativo no número de internações por síndromes gripais e outras doenças respiratórias. Médicos alertam para o agravamento do quadro em grupos de risco, como idosos e crianças, e destacam a necessidade de medidas de prevenção para evitar um colapso no sistema de saúde.
Crescimento nos Casos de Internação
Nos primeiros meses de 2025, a cidade de Goiânia já registrou 4.745 casos de doenças respiratórias, com 15 óbitos confirmados devido à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). As síndromes mais comuns incluem infecções por influenza, bronquiolite, pneumonia e Covid-19, que continuam a afetar a população com maior intensidade.
Em São Paulo, o número de internações por SRAG também tem apresentado uma escalada preocupante. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, o estado contabilizou 18.976 casos de hospitalização, com 1.554 mortes registradas até o momento. A letalidade das infecções respiratórias tem atingido 8,2%, especialmente entre idosos e crianças pequenas, que são mais vulneráveis a complicações graves.
Já em Palmas, capital de Tocantins, o cenário não é diferente. A cidade apresenta uma taxa crescente de internações por doenças respiratórias, com destaque para o aumento de infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em crianças menores de dois anos.
Grupos Vulneráveis
O principal alerta das autoridades de saúde tem sido em relação aos grupos mais vulneráveis, especialmente as crianças e os idosos. O VSR, que provoca bronquiolite, afeta com maior intensidade as crianças de até dois anos, gerando uma grande pressão sobre as unidades de saúde pediátricas. Por outro lado, os idosos, que apresentam sistema imunológico mais enfraquecido, têm se mostrado especialmente suscetíveis às complicações de infecções por influenza e Covid-19, com taxas de internação alarmantes.
De acordo com o infectologista Dr. Ricardo Silva, da Universidade de São Paulo (USP), a combinação de diferentes vírus respiratórios, incluindo o VSR, o rinovírus, o influenza e o coronavírus, tem sobrecarregado o sistema de saúde, principalmente nas cidades mais afetadas. “É essencial que tanto as crianças quanto os idosos recebam a vacina contra a influenza e o reforço da Covid-19, para diminuir o risco de complicações”, explica.
Prevenção é a Chave
Especialistas reforçam a importância da vacinação como principal medida preventiva. Porém, a adesão à vacinação tem sido abaixo do esperado, especialmente em algumas regiões. Em Goiás, por exemplo, a cobertura vacinal contra a gripe permanece em 48,67%, enquanto a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 90%. Em São Paulo, a situação não é muito diferente, com as autoridades locais pedindo à população que busque os postos de vacinação com urgência.
Além da vacina, outras medidas de proteção são fundamentais para evitar a propagação das doenças respiratórias. O uso de máscara em ambientes fechados e com aglomeração, a higienização frequente das mãos e o isolamento de pessoas sintomáticas são recomendações essenciais para conter o aumento de casos.
O Ministério da Saúde também orienta a busca por atendimento médico imediato em casos de agravamento dos sintomas, como falta de ar, febre alta persistente ou dificuldade para respirar.
Desafios para o Sistema de Saúde
O impacto do aumento das doenças respiratórias não se restringe apenas ao aumento das internações, mas também à sobrecarga nos serviços de saúde. Hospitais em cidades como São Paulo e Goiânia já enfrentam dificuldades para oferecer leitos suficientes para os pacientes em estado grave. “O sistema de saúde está pressionado, e a situação só tende a piorar se não houver um esforço conjunto para aumentar a adesão às medidas preventivas”, alerta a Dra. Luciana Souza, presidente da Associação Paulista de Medicina.
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também emitiu um alerta sobre o avanço das síndromes respiratórias em todo o país. De acordo com o boletim InfoGripe, 21 dos 27 estados brasileiros estão em situação de alerta, com uma crescente curva de internações. O aumento expressivo no número de casos tem gerado preocupações quanto à capacidade de resposta do sistema de saúde público e privado.
O Caminho à Frente
A maior preocupação das autoridades de saúde é que, sem a adesão maciça à vacinação e ao cumprimento das medidas preventivas, o Brasil possa enfrentar um cenário ainda mais grave. Especialistas indicam que o controle da disseminação de doenças respiratórias depende da colaboração da população, em conjunto com políticas públicas eficazes de imunização e de conscientização.
O Ministério da Saúde segue monitorando a situação, com previsão de novos alertas caso a curva de casos continue a subir. A expectativa é que, nos próximos meses, o governo federal intensifique as campanhas de vacinação e de orientação à população, especialmente nos estados mais afetados.
Em Busca de Soluções
A situação segue sendo acompanhada de perto por órgãos de saúde, que buscam alternativas para conter o avanço das doenças respiratórias. A mobilização de campanhas de vacinação, o aumento da fiscalização em locais públicos e o reforço na orientação à população são passos essenciais para tentar reverter o quadro. Porém, o sucesso dessas ações dependerá da conscientização da sociedade e da responsabilidade coletiva no combate à disseminação de vírus.