Quem são as mulheres chamadas de “do Job” no Tocantins: perfil, saúde e violência
No vocabulário popular de algumas cidades brasileiras, a expressão “Job” se tornou uma gíria para se referir às mulheres profissionais do sexo. Longe da informalidade do termo, esses serviços representam um segmento significativo de trabalhadoras que enfrentam desafios específicos no campo da saúde, da segurança e do reconhecimento de direitos.
Estudos nacionais estimam que cerca de 0,8% das mulheres brasileiras entre 15 e 49 anos estão nessa atividade. No Tocantins, essa proporção se traduz em alguns milhares de pessoas, segundo projeções populacionais do IBGE/SIDRAe do DATASUS.
Violência cotidiana
A maior pesquisa multicêntrica já realizada no Brasil sobre esse público, que ouviu 2.523 mulheres em 10 cidades, expôs índices elevados de violência: 59,5% relataram agressões verbais, 38,1% agressões físicas e 37,8% violência sexual. Os dados revelam ainda que 25,2% das agressões físicas foram praticadas por parceiros íntimos, enquanto 11,7% tiveram clientes como agressores.
Embora a pesquisa tenha se concentrado em capitais, especialistas indicam que o cenário em cidades menores pode apresentar vulnerabilidades ainda mais graves, como a ausência de redes de apoio, de serviços de acolhimento e de policiamento ostensivo nas áreas onde a atividade é mais visível.
Perfil e saúde
Pesquisas de base nacional mostram que a idade média dessas mulheres é de 26 anos, a maioria tem escolaridade entre o fundamental e o médio, e muitas são chefes de família. No campo da prevenção, o uso de preservativo é quase universal com clientes (cerca de 99%), mas cai drasticamente com parceiros fixos (26%), um dado que amplia o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
O Boletim Epidemiológico de HIV/aids 2024 do Ministério da Saúde aponta que o Tocantins mantém taxas de detecção dentro da média nacional, mas com alertas para populações-chave, como profissionais do sexo. A área técnica de IST/aids e hepatites coordena ações de prevenção, incluindo a distribuição de preservativos, oferta de PrEP e PEP e testagem rápida gratuita em unidades de saúde.
Terminologia e tratamento jornalístico
Ainda que “Jobs” seja um termo popular, a recomendação de organizações de saúde e de direitos humanos é utilizar “mulheres profissionais do sexo” ou “trabalhadoras do sexo” em textos informativos. A gíria pode aparecer apenas em citações diretas de entrevistadas ou fontes locais, preservando a abordagem técnica e respeitosa.
Caminhos para políticas públicas
Aplicar a taxa de 0,8% às mulheres de 15 a 49 anos no Tocantins permite dimensionar a população estimada desse grupo e orientar políticas específicas de saúde, segurança e assistência social. O cruzamento de dados do IBGE e do DATASUS com levantamentos sobre violência e comportamento sexual fornece um panorama consistente para formulação de programas mais efetivos.
Serviço: onde buscar atendimento e prevenção no Tocantins
Testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites
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Palmas – CTA SAE – Centro de Testagem e Aconselhamento, Quadra 104 Norte, Av. LO-4, s/nº. Segunda a sexta, 7h30 às 18h.
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Araguaína – CTA/SAE Araguaína, Rua Sadoc Correia, 167, Centro. Segunda a sexta, 8h às 12h e 14h às 18h.
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Gurupi – CTA/SAE Gurupi, Rua 9, Qd. 24, Lote 11, Setor Central. Segunda a sexta, 7h às 11h e 13h às 17h.
PEP (Profilaxia Pós-Exposição)
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Disponível nas três cidades-polo 24h em unidades de urgência e emergência. Procurar atendimento em até 72 horas após exposição.
PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)
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Disponível em Palmas e Araguaína mediante agendamento nos CTA/SAE.
Preservativos e lubrificantes
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Distribuídos gratuitamente em UBS, CTA/SAE e durante campanhas como o Dezembro Vermelho.
Informações e agendamento
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Disque Saúde 136 – atendimento nacional gratuito.
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Secretaria Estadual de Saúde – Área Técnica de IST/aids: (63) 3218-3265 / 3218-328