Fome no Brasil recua, mas 28,5 milhões ainda vivem insegurança alimentar; Tocantins está entre os estados mais vulneráveis
O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome da FAO/ONU, após reduzir a proporção da população em risco de subnutrição para menos de 2,5% no triênio 2022–2024. A conquista, celebrada pelo governo federal, reflete a queda expressiva da insegurança alimentar severa — de 17,2 milhões para 2,5 milhões de pessoas, uma redução de 85% em apenas um ano, segundo dados da Agência Gov.
Ainda assim, o desafio permanece: 28,5 milhões de brasileiros vivem algum nível de insegurança alimentar, dos quais 21,4 milhões em grau moderado e 7,1 milhões em grau grave, conforme estudo divulgado pelo IHU Unisinos.
Vulnerabilidade no Tocantins
No Tocantins, levantamentos do Consea e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro) indicam que a insegurança alimentar se concentra em comunidades rurais isoladas, territórios indígenas e famílias dependentes da agricultura de subsistência. A situação se agrava durante períodos prolongados de estiagem, quando a produção cai e o acesso a alimentos básicos é comprometido.
Contexto global
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, regiões da África Subsaariana e do Sul da Ásia permanecem com índices críticos de subnutrição, chegando a mais de 20% da população em alguns países. O Brasil está em posição mais favorável, mas ainda distante de uma segurança alimentar plena.
Programas essenciais
Duas políticas públicas têm sido fundamentais para mitigar a fome no país e no Tocantins:
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Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) — compra alimentos da agricultura familiar para distribuição a populações em vulnerabilidade, fortalecendo economias locais e reduzindo o desperdício.
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Bolsa Família — garante transferência de renda a famílias pobres, condicionada à frequência escolar e ao acompanhamento de saúde, ajudando a manter o acesso à alimentação.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, especialistas defendem que o Brasil precisa ampliar políticas de segurança hídrica, apoio técnico à agricultura familiar e estratégias de combate à desigualdade social para que a fome seja erradicada de forma sustentável. No Tocantins, a combinação entre vulnerabilidade climática e isolamento geográfico exige medidas específicas, como fortalecimento de estoques comunitários e melhoria no transporte de alimentos para regiões de difícil acesso.