Odete Roitman: a vilã que definiu uma era da TV brasileira

Odete Roitman: a vilã que definiu uma era da TV brasileira
Débora Bloch assume o papel de Odete Roitman no reboot de Vale Tudo, 37 anos após a consagração da vilã por Beatriz Segall.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 23 de agosto de 2025 7

Personagem que marcou a teledramaturgia brasileira nos anos 1980 retorna em nova versão, mantendo o símbolo de poder e manipulação que a consagrou

Mais de três décadas depois de sua estreia em Vale Tudo (1988), Odete Roitman volta ao centro do debate cultural. Símbolo da vilania e da manipulação política e empresarial, a personagem eternizada por Beatriz Segall ganha uma nova versão em adaptação contemporânea da novela, confirmada pela TV Globo como parte de seu projeto de revisitar clássicos da teledramaturgia.

A Odete original: um marco da televisão

Criada por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Odete Roitman representava a elite econômica sem escrúpulos, capaz de mover peças políticas e empresariais com mão de ferro. Sua morte misteriosa, em janeiro de 1989, provocou um dos maiores fenômenos da televisão brasileira: a pergunta “Quem matou Odete Roitman?” atravessou o país, mobilizando desde famílias em casa até discussões em bares e repartições públicas.

A nova Odete: atualização dos dilemas sociais

Na nova versão, prevista para estrear em 2025, a personagem será adaptada para o contexto atual. A vilã deve manter sua essência de frieza e manipulação, mas em meio a um Brasil polarizado, conectado e midiático, onde o poder circula tanto nos bastidores políticos quanto nas redes sociais.

A Globo confirmou que a personagem será vivida por uma atriz de peso, ainda não anunciada oficialmente, e que a nova Odete deve dialogar com dilemas contemporâneos, como corrupção, fake news e disputas pelo controle narrativo na esfera pública.

O mito que não envelhece

A escolha de trazer Odete Roitman de volta mostra como a ficção pode cristalizar arquétipos sociais. Se nos anos 1980 a personagem era vista como metáfora da elite empresarial e política, em 2025 ela ressurge como símbolo de um poder ainda mais difuso, mas igualmente implacável.

“Odete representa o lado sombrio das estruturas de poder. Revisitar essa personagem é revisitar o próprio Brasil”, disse um dos responsáveis pelo projeto, em entrevista recente.

Legado e permanência

Beatriz Segall deixou sua marca definitiva ao interpretar a vilã original, mas o mito de Odete transcende a atriz. Sua volta em nova versão reforça a ideia de que algumas figuras da ficção não envelhecem: elas se reinventam, tal como o país que as inspira

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